Motoristas de Campo Limpo Paulista voltam a trabalhar após protestos

Operação do transporte em Campo Limpo voltou ao normal nesta sexta-feira, com 50% da frota da Rápido Luxo em operação. Foto: Guga Arruda

Com edição da MP 936, trabalhadores afastados terão 30% do salário pagos pela Rápido Luxo e, até determinadas faixas salariais, receberão complementação do governo federal

WILLIAN MOREIRA / ALEXANDRE PELEGI

Os motoristas e cobradores dos ônibus urbanos da Rápido Luxo em Campo Limpo Paulista, interior de São Paulo, voltaram a trabalhar nesta sexta-feira, 03 de abril de 2020, após protestos realizados na tarde desta última quinta (02).

A categoria se manifestou contra a suspensão dos contratos de trabalho de 180 funcionários em ação com base na primeira edição da Medida Provisória (MP) do Presidente da República, Jair Bolsonaro, que permitia a suspensão de contratos, posteriormente revogada.

Os trabalhadores afastados ficariam seis meses contínuos recebendo somente a cesta básica e o benefício do convenio médico, sem o pagamento dos salários, com o regresso acontecendo após 180 dias, o que gerou descontentamento e ação do sindicato para negociar uma solução melhor.

A Rápido Luxo, no entanto, conta que teria suspendido provisoriamente o contrato de 180 trabalhadores por seis meses, em férias coletivas e sem remuneração, segundo acusava o sindicato que representa a categoria. A empresa afirma ainda que essa proposta, de “até 180 dias”, envolvia uma alternância de trabalhadores operando de 15 em 15 dias, enquanto durasse a situação de emergência. E que a proposta, após não entendimento por parte do Sindicato, foi retirada.

No final da tarde de ontem (02), o Terminal da cidade chegou a ser fechado e existia a possibilidade dos motoristas de ônibus fretados aderirem ao movimento em caso do impasse não se resolver. Relembre: https://diariodotransporte.com.br/2020/04/02/motoristas-da-rapido-luxo-bloqueiam-terminal-rodoviario-em-protesto-contra-ameaca-de-demissoes-em-campo-limpo-paulista/

Após o final do protesto, trabalhadores e empresa chegaram a um acordo. Manteve-se o revezamento de funcionários de 15 em 15 dias.

Segundo a empresa, com a edição da Medida Provisória 936, editada nesta quinta-feira (02), os empregadores ficaram autorizados a reduzirem salários e jornada de trabalho para enfrentar os efeitos da pandemia sem demitir. A MP possibilita também a suspensão temporária de contratos.

A Rápido Luxo vai utilizar a MP 936 para manter os empregos de seus trabalhadores, uma vez que no caso de reduções de carga horária e de remuneração, a União complementará a renda do trabalhador por meio do seguro-desemprego.

Os trabalhadores afastados, de acordo com a Medida Provisória, terão 30% do salário pagos pela Rápido Luxo e, até determinadas faixas salariais, receberão a complementação do governo federal.

Todos os trabalhadores, afastados ou trabalhando em escala de 15 dias, receberão cesta básica e Plano de Saúde.

Já os que estiverem trabalhando em escala alternada, receberão também vale-alimentação proporcional aos dias trabalhados.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

Willian Moreira em colaboração especial para o Diário do Transporte

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