Empresas de ônibus de Petrópolis pedem ajuda à prefeitura diante de forte queda no número de passageiros pagantes

Foto: Setranspetro

Setranspetro afirma que não há recursos sequer para óleo diesel, e não garante a circulação de frota mínima a partir da próxima semana

ALEXANDRE PELEGI

O Setranspetro, Sindicato das Empresas de Transporte de Petrópolis, no estado do Rio de Janeiro, está alertando a prefeitura local para a gravidade da crise do setor.

A entidade, que representa as empresas que atuam no transporte coletivo urbano da cidade, encaminhou ofício ao prefeito Bernardo Rossi e ao presidente da CPTrans – Companhia Petropolitana de Trânsito e Transportes, relatando a preocupação com a continuidade dos serviços diante da abrupta queda na demanda de passageiros pagantes desde o anúncio das medidas de combate ao avanço do novo Coronavírus.

O Setranspetro afirma que a queda de demanda alcança 75% no número de passageiros do sistema.

O ofício pede ajuda financeira e propõe medidas para diminuição do custo imediato do sistema para garantir a continuidade do serviço essencial promovido pelo transporte coletivo.

PROPOSTAS

O sindicato das empresas pede subsídio para o pagamento das passagens dos clientes que usam a gratuidade, isenção de recolhimento do Imposto Sobre Serviço (ISS), suspensão por 180 dias para integração tarifária temporal, prorrogação do prazo de 180 dias para pagamento de multas e taxas administrativas e aporte de verbas para colaborar com pagamento da folha de pagamento dos mais de dois mil rodoviários.

Segundo a entidade que representa as empresas, apenas com óleo diesel e folha de pagamento o sistema de transporte coletivo de Petrópolis tem o custo aproximado de R$ 415 mil por dia útil.

Com a operação praticada nos dias de domingo, este custo cai apenas 25%, que representa mais de R$ 311 mil por domingo, porque não há diminuição no custo fixo, apenas redução mínima no custo variável, com óleo diesel, por exemplo.

O sindicato alega que, sem arrecadação ou com a arrecadação reduzida a aproximadamente 25%, nenhuma empresa terá capacidade financeira para manter o serviço funcionado.

Isidro da Rocha, presidente do Setranspetro, afirma que a crise afeta a todos os seguimentos econômicos, mas, neste momento, o transporte, que é um serviço essencial que garante o direito de ir e vir de grande parte da população e é um fomentador da economia, necessita ter total atenção das autoridades, que precisam evitar um colapso. “Nenhuma empresa do mundo consegue achar estratégia para manter um custo diário tão alto sem arrecadação”, afirmou.

O Setranspetro solicita que a prefeitura, juntamente com a Câmara Municipal, aprovem medidas emergenciais de auxílio financeiro para ajudar a custear os salários dos rodoviários, a exemplo do que aconteceu em São Paulo,  quando as quatro comissões da Câmara do município aprovaram projeto de lei encaminhado pelo prefeito Bruno Covas, que permitiu remanejar recursos para ajudar a realizar o pagamento dos salários dos rodoviários. Relembre: https://diariodotransporte.com.br/2020/03/26/comissoes-da-camara-aprovam-projeto-de-bruno-covas-para-subsidiar-parte-dos-salarios-e-motoristas-e-cobradores-de-onibus-por-quatro-meses/

ACORDO COM RODOVIÁRIOS

O Setranspetro firmou acordo com o Sindicato dos Rodoviários garantindo a manutenção, por 90 dias, de todos os 2.100 funcionários que atuam no transporte público de Petrópolis.

O acerto foi assinado nesta sexta-feira, 27 de março, em forma de um termo aditivo à Convenção Trabalhista em vigor, que garante os empregos dos rodoviários pelos próximos 90 dias.

Será aplicado o esquema de revezamento de trabalho para que não haja também a redução de salários. Nos próximos 30 dias, os colaboradores terão 15 dias de férias e 15 dias de trabalho. Além disso, os profissionais a partir de 60 anos terão direito às férias pelos próximos 30 dias.  O benefício da Cesta básica e do Vale alimentação permanece em vigor.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Luís Marcello Gallo disse:

    “ Isidro da Rocha, presidente do Setranspetro, afirma que a crise afeta a todos os seguimentos econômicos, mas, neste momento, o transporte…” O termo correto seria SEGUIMENTO (no sentido de SEGUIR) ou SEGMENTO (no sentido de pedaço)?

  2. Lucas Ferreira disse:

    Acho bastante engraçado o fato das empresas não conseguirem se manter. Passagem mais cara do estado, baixa km de “rodagem” e economia nas compras de novos ônibus; afinal, todos são sucateados e pintados… espero que todas declarem falencia e terminem com essa máfia.

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