Coronavírus: Sindicato dos Metroviários encaminha ao Governo Doria proposta de Plano de Emergência

Publicado em: 24 de março de 2020

Metroviários alertam que a não paralisação de todas as atividades não essenciais levará à lotação do transporte público, expondo trabalhadores a um risco maior de contaminação

ALEXANDRE PELEGI

O estado de São Paulo entrou em quarentena nesta terça-feira, 24 de março de 2020, como uma das medidas de combate à pandemia do coronavírus, mas os trabalhadores do setor metroviário de São Paulo estão preocupados com a propagação da contaminação no setor de transporte público.

Em ofício encaminhado ao Governador João Doria, o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transportes Metroviários e Empresas Operadoras de Veículos Leves Sobre Trilhos no Estado de São Paulo apresenta um “Plano de Emergência em defesa da vida”.

Para o sindicato, a quarentena decretada pelo governador Doria é parcial, pois só paralisa parte do setor de serviços, “preservando setores não essenciais da indústria e serviços”.

Para a entidade, ao não se determinar a paralisação de todas as atividades não essenciais, a lotação do transporte público terá muito mais um efeito de propagação da doença, expondo os trabalhadores deste serviço a um risco maior de contaminação.

Além disso, mesmo nos serviços essenciais, achamos fundamental a preservação dos trabalhadores que se enquadram nos grupos de risco”, reforça o documento. Para o Sindicato, o Metrô de SP e o governo do estado “devem cumprir integralmente a liminar expedida pelo Tribunal Regional do Trabalho – TRT, em 20/3”.

A determinação da desembargadora Sonia Maria de Oliveira Prince Rodrigues Franzini, vice-presidente em exercício do TRT/SP – Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo, atendeu ao Sindicato dos Metroviários de São Paulo que sustentou que os empregados estão expostos a muito contato com colegas e outras pessoas, mas não estão sendo verificados os cuidados necessários por parte do Metrô. Relembre: Justiça obriga Metrô de São Paulo a afastar trabalhadores a partir de 60 anos e doentes crônicos

No documento ao Governador, os metroviários exigem, de forma enfática, que os governos determinem a paralisação da produção e todos os serviços não essenciais. Nessa linha, o Sindicato dos Metroviários apresenta ao Governador, assim como também à Secretaria de Transportes Metropolitanos, à Cia. do Metropolitano de São Paulo – Metrô, e às duas concessionárias que operam as Linhas 4 e 5 do metrô, uma proposta de Plano de Emergência do Metrô de São Paulo.

Este plano está adequado à ideia de que só podem circular pessoas em condições de emergência e também à realidade de forte queda do quadro de funcionários, uma vez que todos os que compõem o grupo de risco devem ser afastados do trabalho”, afirma o documento.

As duas premissas do plano apresentado ao governador são a garantia da segurança dos trabalhadores e trabalhadoras envolvidos, “com a disponibilização de todos os equipamentos de proteção individual e coletivos necessários e com a garantia de um rodízio para minorar a exposição” e, em segundo lugar, um controle de quem utiliza o metrô. “Só deverão ser permitidas viagens justificadas pelo enfrentamento à pandemia ou pelo tratamento de problemas de saúde. Aos demais trabalhadores, deve ser determinada a estabilidade de emprego, garantindo remuneração, inclusive para desempregados, subempregados e pequenos comerciantes”, completa o ofício enviado a João Doria.

A aplicação do Plano de Emergência em Defesa da Vida, segundo o Sindicato, possibilita também uma real e necessária higienização dos trens, estações, corrimãos e todos os equipamentos que podem transmitir o vírus, de maneira constante.

Além do plano, os metroviários reivindicam a aplicação do teste para todos com suspeita do coronavírus, como medida profilática.

Por fim, defendem a manutenção da interrupção do funcionamento da Linha 15-Prata do Monotrilho.

No Plano proposto, o sindicato dos metroviários de SP propõe o funcionamento parcial do metrô com horário reduzido e só estações para atendimento dos serviços essenciais na cidade como hospitais.

Leia a íntegra do Plano:

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Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes 

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Comentários

  1. RodrigoZika disse:

    Paralisar tudo e uma piada né, o correto e diminuir somente, mesmo prejudicando quem ainda utiliza e não pode parar.

  2. Sindicato dos Metroviarios disse:

    A proposta é justamente essa.

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