Manifestação interrompe circulação no BRT Transoeste

Foto: Passageiro RJ - Redes Sociais

Serviços estão interrompidos entre as estações Dom Bosco (Recreio) e Santa Cruz

ADAMO BAZANI

O Consórcio BRT Rio informou que os serviços no BRT Transoeste estão interrompidos entre as estações Dom Bosco (Recreio) e Santa Cruz na manhã desta sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020.

Desde o início da manhã, ocorre uma manifestação na altura da estação Mato Alto, segundo o consórcio.

Os passageiros reclamam das más condições de infraestrutura e conservação dos ônibus, pavimento e estações.

O consórcio BRT Rio, em nota, afirma que as condições já precárias das pistas exclusivas, principalmente dos corredores Transoeste e Transcarioca, foram agravadas pelas chuvas que atingiram a cidade na última semana e “por isso, a quantidade de veículos quebrados por dia tem superado a quantidade de veículos que, consertados, voltam à operação“.

Por esses motivos e, principalmente, pela falta de solução do poder concedente para as pistas do BRT, a média de veículos em manutenção que em 2019, neste mesmo período, era de 70 carros por dia, hoje é de cerca de 100 carros por dia. Contamos com a prefeitura para que essa questão seja resolvida o mais rápido possível e, assim, a frota consiga ser recuperada“, conclui a nota do BRT.

Leia a nota do BRT Rio na íntegra:

Na manhã desta sexta-feira, dia 21, um grupo de manifestantes bloqueou a circulação dos articulados na estação Mato Alto. Por isso, os serviços estão temporariamente interrompidos entre as estações Dom Bosco (Recreio) e Santa Cruz. Agentes de segurança já estão na região para dialogar com os manifestantes a fim de restabelecer os serviços do BRT e normalizar os intervalos no corredor Transoeste. O BRT Rio entende todas as reivindicações feitas pelos passageiros. Mas, para que o sistema funcione com a qualidade que o carioca precisa e merece, é necessário que todos os envolvidos cumpram suas obrigações contratuais.

As condições já precárias das pistas exclusivas, principalmente dos corredores Transoeste e Transcarioca, foram agravadas pelas chuvas que atingiram a cidade na última semana. Muitos buracos aumentaram de tamanho e outros que já haviam sido cobertos pela Prefeitura do Rio reabriram. Por isso, a quantidade de veículos quebrados por dia tem superado a quantidade de veículos que, consertados, voltam à operação. Isso porque as quebras têm sido cada vez mais graves com casos como destruição de cárter e até quebras de eixo, o que demanda encomenda de peças e dias, ou até semanas, de conserto, dependendo do caso.

Além disso, a falta de fiscalização, seja do tráfego, seja do ordenamento das estações, também tem causado sérios impactos na operação. Em vários trechos desses dois corredores é possível ver a presença de carros de passeio, vans e táxis usando as pistas exclusivas do BRT. No horário de rush, por exemplo, esse mau comportamento de alguns motoristas acaba com algumas das principais características do BRT: a rapidez e a previsibilidade, pois o articulado acaba ficando preso na calha, causando intervalos irregulares e afetando o planejamento de todo o sistema, que é integrado nos três corredores.

Outro problema que tem impactado a frota devido ao mau comportamento dos motoristas dos carros de passeio são as conversões proibidas. Cerca de 10 ônibus por mês precisam sair de operação após acidentes causados por motoristas que insistem em retornos improvisados, ao invés de usarem as pistas laterais e respeitarem os sinais de trânsito. Cabe também à Prefeitura do Rio a fiscalização do uso das pistas exclusivas por veículos de passeio. Frequentemente estes veículos colidem com ônibus do BRT devido à imprudência de motoristas que insistem em realizar retornos improvisados e avanços de sinais. O comportamento perigoso, além de causar acidentes, impacta diretamente a operação do BRT no dia a dia com atrasos e a retirada dos veículos para manutenção. Somente em 2019, o BRT Rio registrou uma média de 10 acidentes por mês causados por estas infrações de trânsito praticadas por motoristas de veículos de passeio. O índice de acidentes por milhão de quilômetros rodados, projetado com média de 3 acidentes por mês, chegou a 6,25 em maio, mês com maior número de ocorrências em 2019. Foram 15 ônibus atingidos por veículos de passeio naquele mês. No primeiro mês deste ano foram 11 ocorrências.

Somado a esses casos, temos ainda as ações de vandalismo que causam quebras, principalmente nos vidros, portas e alçapões. Ao longo de 2019, foram 153 veículos depredados. Esse ano, temos ao menos uma ocorrência por dia. Uma porta danificada pode tirar um ônibus de circulação por um dia, se for um vidro quebrado, por exemplo, ou até cinco dias, se for afetado o mecanismo. Em alguns casos mais sérios, quando a forração interna do carro (teto ou laterais internas) é destruída e não há peças na distribuidora, é necessário fazer um pedido especial para a fábrica e a reposição pode demorar até um mês.

Por esses motivos e, principalmente, pela falta de solução do poder concedente para as pistas do BRT, a média de veículos em manutenção que em 2019, neste mesmo período, era de 70 carros por dia, hoje é de cerca de 100 carros por dia. Contamos com a prefeitura para que essa questão seja resolvida o mais rápido possível e, assim, a frota consiga ser recuperada.    

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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