Superintende de licitações de Porto Velho fala em “interesses escusos” para “tumultuar” concorrência de ônibus

Publicado em: 13 de fevereiro de 2020

Ônibus em Porto Velho.

Thiago dos Santos Tezzari diz que decisão que classificou JTP teve fundamento técnico e jurídico. Amparo Viação entrou com denúncia no MP sobre suposto favorecimento à empresa classificada

ADAMO BAZANI

O superintendente-interino de licitações de Porto Velho, Thiago dos Santos Tezzari, se manifestou sobre uma acusação pela qual teria beneficiado de forma irregular a empresa “JTP – Transportes, Serviços, Gerenciamento e Recursos Humanos Ltda” na licitação que deve definir um novo modelo de transportes por ônibus na cidade.

Tezzari disse, por meio de nota ao Diário do Transporte, que sua decisão de 06 de fevereiro de 2020, de classificar a empresa JTP, contrariando parecer da comissão de licitação dado dois dias antes pela inabilitação, teve fundamentação técnica e jurídica.

Como mostrou a reportagem nesta quarta-feira,12, a Amparo Viação e Turismo Ltda, do interior paulista, enviou ao Ministério Público de Rondônia denúncia na qual sugere que Tezzari teria sido conduzido ao cargo “apenas” para analisar o recurso da JTP e que a decisão favorável à companhia teria sido redigida por um escritório de advocacia de Belo Horizonte.

Ontem também, o Diário do Transporte trouxe o posicionamento da JTP, pelo qual a empresa alegou que sua atuação na licitação segue a lei e que não teve acesso à íntegra da denúncia.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2020/02/12/mp-ro-recebe-denuncia-sobre-suposta-fraude-em-licitacao-do-sistema-de-onibus-em-porto-velho/

Na nota enviada hoje à reportagem, solicitada na manhã de ontem, o superintende interino ainda disse que foi conduzido ao cargo porque a titular, Patrícia Damico do Nascimento Cruz, teve de se submeter a uma cirurgia.

Tezzari ainda disse que enviou cópia da decisão ao Conselho Regional de Contabilidade, Receita Federal e Tribunal de Contas de Rondônia e chegou a falar em “interesses escusos” de empresas que não participaram da licitação e que “tumultuam” o procedimento que poderia mudar o que classifica de “cenário caótico do transporte público municipal”.

Na licitação, só houve a proposta da JTP. A Amparo Viação e Turismo Ltda, que assinou a denúncia, não participou da concorrência.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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