Governo do Distrito Federal reajusta tarifa do transporte coletivo em 10% a partir de segunda-feira

Publicado em: 10 de janeiro de 2020

Governo informou que pretende aumentar oferta de ônibus para diminuir lotação dos veículos e cobrir mais regiões | Foto: Renato Araújo / Agência Brasília.

Valores serão mais altos para ônibus e metrô

JESSICA MARQUES

O Governo do Distrito Federal vai reajustar a tarifa do transporte coletivo em 10% a partir de segunda-feira, 13 de janeiro de 2020. Os valores mais altos serão aplicados tanto em passagens de ônibus quanto do metrô.

Após análise da Casa Civil, os novos valores foram publicados no Diário Oficial do Distrito Federal nesta sexta-feira, 10 de janeiro de 2020. Todas as tarifas terão adição de 10%.

Desta forma, linhas circulares internas passariam de R$ 2,50 para R$ 2,75, as ligações curtas passam de R$ 3,50 a R$ 3,85 e as de integração, longas ou do metrô, de R$ 5, sobem para R$ 5,50.

“Com os novos valores, o governo deixará de incluir do orçamento cerca de R$ 161 milhões ao ano, que pode ser utilizado em outros serviços essenciais à população”, informou o Governo, em nota.

Os valores das tarifas de ônibus e do metrô no Distrito Federal ficaram congelados por mais de 10 anos, entre janeiro de 2006 e setembro de 2015, período em que a inflação chegou a 73,60%.

Segundo informações da Semob (Secretaria de Transporte e Mobilidade), as correções feitas em 2015 (média de 34,4%) e 2017 (média de 17,6%) não foram suficientes para trazer equilíbrio do sistema. Em 2019, o governo gastou R$ 701.314.932,12 para subsidiar todo o sistema, com gratuidades e complemento tarifário.

Segundo o titular da Semob, Valter Casimiro, a intenção é “diminuir o desequilíbrio que há hoje entre a tarifa-usuário, que é o que o passageiro paga quando passa pela roleta do ônibus, e o custo real por passageiro”.

O último reajuste no transporte público foi em janeiro de 2017. De acordo com a Pasta, estudos demonstram que o valor das tarifas deveria ser corrigido em 16,18% — o mesmo feito entre 2017 e 2019.

“São considerados acréscimos de preços de itens como pneu e combustível. Toda essa correção, porém, não será repassada ao passageiro”, informou o Governo, em nota.

“O governo optou por não colocar todo esse reajuste [no valor da passagem] porque daria impacto grande aos usuários do sistema. A principal linha, que é a de integração, tem tarifa hoje de R$ 5 e passará para R$ 5,50, representando um acréscimo de 10% na passagem. A diferença, de 6,19%, o governo arca com subsídio para tarifa-técnica”, explica o secretário Valter Casimiro.

GRATUIDADE E COMPLEMENTO

Complemento tarifário significa dizer que, quando o usuário passa pela catraca do ônibus, o que ele paga não representa o valor real do bilhete. A passagem custa mais caro, o que é chamado de tarifa técnica. Porém, apenas parte dela é repassada aos cidadãos. A diferença é subsidiada com recursos públicos.

Por sua vez, as gratuidades são destinadas às pessoas com deficiência e aos estudantes. A porcentagem de viagens em que o usuário não paga para utilizar o Sistema de Transporte Público Coletivo (STPC) é de 30%. Esses acessos custam cerca de R$ 343 milhões anualmente aos cofres públicos.

Jessica Marques para o Diário do Transporte

 

Comentários

  1. Alberto Alecio disse:

    O que se vê nesta nota sobre reajuste tarifário em Brasília é do mesmo discurso retórico e consolidado entre tarifa real e tarifa Tecnica. Soma-se aos mais de 700 milhões de defasagem com os valores de gratuidade e chegamos a casa do bilhão.
    Estamos demorando muito para colocar o ovo em pé…
    Reajustar tarifa com o argumento de que falta recurso em outros setores sociais é o mesmo que dizer à população que vende o almoço pra comer a janta.
    Quiçá um dia veremos este ovo em pé. Parece ovo de flamingo que se põe uma vez ao ano mas fica à mercê de predadores.

    https://diariodotransporte.com.br/2020/01/10/governo-do-distrito-federal-reajusta-tarifa-do-transporte-coletivo-em-10-a-partir-de-segunda-feira/

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