Em 2020, CPTM inaugura duas estações e Metrô de São Paulo finaliza uma, segundo Baldy

Estação Vila Sônia da Linha 4-Amarela do Metrô. Foto: Jessica Marques.

Obras previstas para serem entregues são da Mendes / Vila Natal e Varginha, da Linha 9-Esmeralda; e Vila Sônia, da 4-Amarela

JESSICA MARQUES

O secretário dos Transportes Metropolitanos do Estado de São Paulo, Alexandre Baldy, informou por meio das redes sociais que a CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) vai inaugurar duas estações neste ano de 2020 e o Metrô de São Paulo vai entregar uma.

As obras previstas para serem concluídas até o final do ano são as das estações Mendes / Vila Natal e Varginha, da Linha 9-Esmeralda da CPTM, e da Estação Vila Sônia da Linha 4-Amarela do Metrô.

Nesta quarta-feira, 08 de janeiro de 2020, a CPTM publicou a prorrogação por mais 18 meses do contrato com o Consócio GSPV, que vai supervisionar as obras de prolongamento da linha 9-Esmeralda, com a construção das estações Mendes/Vila Natal e Varginha, no extremo Sul da capital paulista. Hoje a ligação é entre Osasco, na Grande São Paulo, e Grajaú, também na zona Sul.

O aditamento elevou o valor do contrato em R$ 3,9 milhões (R$ 3.946.225,54). Neste período de 18 meses, é prevista a permanência da equipe técnica do consórcio nas obras.

Relembre: CPTM amplia em 18 meses e R$ 3,9 milhões contrato de empresa que vai gerenciar expansão da linha 9-Esmeralda

Por sua vez, a estação Vila Sônia, segundo Baldy, será entregue neste ano, mas deve começar a operar apenas em janeiro de 2020.

Em julho de 2019, o Diário do Transporte visitou as obras na Vila Sônia, a última etapa para a conclusão da segunda fase da Linha 4-Amarela. Na ocasião, o Metrô informou que ao menos 37% das obras da estação Vila Sônia, da linha 4-Amarela do Metrô, e do terminal de ônibus estavam concluídos.

Relembre: Vila Sônia: 69% das obras civis do terminal de ônibus e 37% da estação da linha 4-Amarela foram concluídos, diz presidente do Metrô de SP

CRONOLOGIA DO SEGUNDO TRECHO DA LINHA 4 AMARELA DO METRÔ:

– Novembro de 2012: Assinatura de contrato por R$ 1,8 bilhão com o Consórcio Isulox Corsán-Corviam e o Metrô para construção das estações Higienópolis-Mackenzie, Oscar Freire, São Paulo-Morumbi e Vila Sônia, o terminal de ônibus na Vila Sônia, o pátio para trens também na Vila Sônia um túnel de dois quilômetros para fazer uma ligação para este pátio

– Julho de 2015: Rompimento de contrato entre Metrô e Consórcio Isulox Corsán-Corviam por atraso nas obras. Metrô e Consórcio trocam acusações.

– Novembro de 2015: Metrô abre nova licitação para este trecho.

– 17 de março de 2016: TCE – Tribunal de Contas do Estado de São Paulo suspende licitação para analisar questionamentos de construtora interessada sobre edital.

– 30 de março de 2016: TCE julga improcedentes os questionamentos e autoriza o andamento da licitação.

– 06 de abril de 2016: Metrô recebe propostas.

– 07 de junho de 2016: Metrô declarada como vencedor o Consórcio TC-Linha 4 Amarela, formado pelas empresas TIISA – Infraestrutura e Investimentos S/A e COMSA S/A. A proposta foi de R$ 858.743.546,73

– 12 de agosto de 2016. As obras da segunda etapa da Linha 4 Amarela são retomas pelo consórcio vencedor. Na ocasião, o governo do Estado prometia as estações Higienópolis-Mackenzie e Oscar Freire para o final de 2017.

– 23 de janeiro de 2018: Abertura da estação Higienópolis-Mackenzie.

– 04 de abril de 2018: Inauguração da estação Oscar-Freire de forma incompleta. Só foi aberto o acesso no lado ímpar da Avenida Rebouças. O secretário de Transportes Metropolitanos, Clodoaldo Pelissioni, na ocasião, disse que havia diferença de solo entre um lado e outro da avenida. “Ao escavar, verificamos um solo mais mole do que o esperado quando fizemos o projeto. Estamos tendo que escavar com mais cuidado. O fundamental é garantir a segurança, não só do usuário, mas do entorno da estação, então vamos trabalhar devagar, mas permanente para que no segundo semestre possamos entregar o segundo acesso. Agora, as pessoas vão ter que fazer a ultrapassagem da Avenida Rebouças para poder pegar o metrô no acesso principal” — disse Pelissioni.

– 21 de abril de 2018: A Estação Oscar Freire da Linha 4-Amarela passa a funcionar em horário integral neste sábado, 21 de abril de 2018.

Segundo comunicado da ViaQuatro, concessionária da linha, a estação passará a operar das 4h40 à meia-noite nos dias úteis e domingo, e das 4h40 à 1h aos sábados.

Inaugurada no dia 4 de abril, depois de mais de cinco anos de atraso, a estação Oscar Freire foi entregue com um acesso, do lado ímpar da Avenida Rebouças.

 

– 28 de abril de 2018: Governo do Estado de São Paulo, em anexo sobre riscos fiscais do Orçamento para 2019, admite a possibilidade de a Via Quatro Amarela cobrar, a partir de julho de 2018, ao menos R$ 2,335 milhões por mês por causa de atrasos na entrega das estações da segunda fase da linha, que comprometeram a demanda prevista. De acordo com o último aditivo com a empresa, todas as estações deveriam ter sido concluídas em março de 2018. Também há pendências em relação aos atrasos da fase I, em especial, após a tragédia do desabamento das obras da estação Pinheiros, em 12 de janeiro de 2007, quando uma cratera se abriu na Rua Capri tragando caminhões, máquinas e até um micro-ônibus que passava pelo local. Sete pessoas morreram e depois de mais de dez anos do acidente, ninguém havia ainda sido condenado.

– 10 de agosto de 2018: O Tribunal de Justiça do Estado (TJ-SP) manteve decisão que obriga o Metrô de São Paulo a pagar uma quantia extra, em torno de R$ 10 milhões, ao consórcio responsável pelas obras da Linha 4-Amarela.

O Consórcio é formado atualmente pelas construtoras Tiisa e Comsa.

O assunto foi motivo de divergência entre a Companhia estatal e o Consórcio que realizava as obras, e o valor definido corresponde à retirada de material contaminado de um dos locais da construção.

A decisão, contestada judicialmente, foi tomada por uma equipe técnica contratada especialmente para solucionar conflitos entre o Metrô e o Consórcio. Sem acordo entre as partes, o Tribunal de Justiça do Estado (TJ-SP) manteve a decisão.

Essa situação está prevista no contrato de concessão da Linha 4-Amarela, decorrente de exigências do Banco Mundial e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

Essas agências internacionais que financiam obras de infraestrutura exigem uma instância prévia para a solução dos conflitos no próprio canteiro de obras, o chamado “dispute board”.

O primeiro contrato com o poder público prevendo tal método no Brasil foi o da Linha 4-Amarela do metrô de São Paulo, e introduziu no País um novo método de resolução de conflitos realizado no próprio canteiro da obra. O “dispute board” já é usado largamente nos Estados Unidos, e baseia-se numa atuação preventiva, quando as partes ainda não viraram opositoras. Esse método pode impedir disputas de arbitragem ou judiciais, e o custo é relativamente baixo.

O “dispute board” é constituído por uma equipe com três técnicos, escolhida pelas partes, acionada sempre que ocorre desentendimento na execução das obras. O objetivo é evitar paralisações, que provocam atrasos no cronograma e impacto financeiro.

O “dispute board” foi acionado quatro vezes desde 2015, quando um segundo contrato das obras da Linha 4 foi assinado com as construtoras Tiisa e Comsa. O primeiro, assinado com as empresas Corsan-Corvian, Isolux Espanha e Isolux – face Brasil – e a Engevix, e foi rescindido em julho de 2015.

 

– 29 de dezembro de 2018: Tiveram início as operações do Terminal de Ônibus da estação São-Paulo-Morumbi, da linha 4-Amarela do Metrô, na zona sudoeste de São Paulo, ainda com poucos passageiros. Com a abertura do terminal, a EMTU – Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos cortou na estação São Paulo-Morumbi linhas de ônibus que antes deixaram os passageiros mais para a frente, na região do Butantã.

Para prosseguir viagem, o passageiro terá de desembarcar no terminal São Paulo-Morumbi e embarcar na linha 4-Amarela do Metrô ou mesmo em um ônibus municipal. São 22 linhas gerenciadas pela SPTrans, da capital paulista, que servem o entorno do novo espaço.

– 19 de fevereiro de 2019: O presidente da ViaQuatro, Luís Valença, recebeu o Diário do Transporte em um encontro com portais de mobilidade, e disse que  houve um descompasso entre os prazos das obras e o encurtamentos dos trajetos dos ônibus.

“Tem uma discussão sim entre a concessionária e o Estado sobre os efeitos disso em relação ao descasamento dos prazos sobre o seccionamentos das linhas de ônibus.” – disse Valença.

Segundo o dirigente da Via Quatro, na ocasião, as entregas das estações não ocorreram conforme o cenário ideal previsto no contrato o que impediu as mudanças nas linhas de ônibus.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2019/02/20/governo-de-sao-paulo-e-via-quatro-discutem-impactos-de-sobreposicao-de-onibus-e-linha-4-amarela/

– 16 de maio de 2019: O Metrô de São Paulo publicou no Diário Oficial a homologação de licitação, adjudicação e extrato de contrato com o consórcio TPC para elaboração dos projetos executivos de engenharia civil, acabamento, comunicação visual e prestação de serviços de acompanhamento técnico do túnel de conexão complementar entre a Estação Paulista da Linha 4-Amarela e a Estação Consolação da Linha 2-Verde.

O contrato tem o valor de R$ 3.881.856,50 e conta com recursos do Banco Mundial. Com prazo de 42 meses, o documento foi assinado entre as partes na última sexta-feira, 10 de maio.

– 27 de julho de 2019: Diário do Transporte visita as obras em Vila Sônia, a última etapa para a conclusão da segunda fase da linha. Na ocasião, o Metrô informou que ao menos 37% das obras da estação Vila Sônia, da linha 4-Amarela do Metrô, e do terminal de ônibus estavam concluídos. Segundo a companhia, a maior parte dos cerca de 1550 metros de túneis já foi escavada. O engenheiro chefe de departamento, Jelson Siqueira, explicou no dia que também os trabalhos na estrutura da estação estavam avançando.

“Toda a execução do tratamento provisório [contenção de terreno] já está pronta e já foi iniciada a estrutura definitiva. (…) [de um dos lados] a escavação e contenção provisória já estão prontas e do outro lado já está escavando. Então, você somando tudo isso, estão concluídos 37% das obras físicas, não do ponto de vista financeiro” – explicou.

O volume de escavação é de 8.667 m³

Adamo Bazani e Jessica Marques, jornalistas especializados em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Jardel César Prado disse:

    Eu acho que a nova estação de Francisco Morato e o fim da estação provisória está entre o final de 2020 ou no primeiro semestre de 2021.

  2. Demorado é ! , mas ao menos fizeram algo para a zona sul, literalmente.

  3. Luis Marcello Gallo disse:

    “ Por sua vez, a estação Vila Sônia, segundo Baldy, será entregue neste ano, mas deve começar a operar apenas em janeiro de 2020.” Mais um caso “De Volta para o Futuro”?

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