MPF do Rio denuncia Jacob Barata Filho e outros empresários de ônibus por corrupção em investigação da Lava Jato

Dinheiro passava por viações, segundo denúncia do MPF.

Perito Judicial também foi denunciado por lavagem de dinheiro. Crimes ocorreram  entre 2012 e 2015, segundo procuradores

ADAMO BAZANI

O MPF – Ministério Público Federal do Rio de Janeiro denunciou nesta segunda-feira, 23 de dezembro de 2019, os empresários de ônibus Jacob Barata Filho, José Carlos Lavouras e João Augusto Monteiro por corrupção (ativa ou passiva).

Os procuradores também denunciaram o perito judicial Charles Fonseca por lavagem de dinheiro em um processo no âmbito da Operação Lava Jato.

Segundo apurou a procuradoria, Charles Fonseca William fazia perícias favoráveis às empresas de ônibus, atendendo aos fins da organização do ex-governador Sergio Cabral.

Por meio de nota, a defesa de Jacob Barata Filho nega as acusações e disse que o empresário não conhece o perito.

A defesa de Jacob Barata Filho nega os fatos imputados na denúncia e esclarece que o empresário sequer conhece o perito judicial citado pelo Ministério Público Federal.

Onze procuradores assinam e denúncia que concluiu que o perito lavou R$ 5,9 milhões – R$ 1 milhão na compra de uma casa em Búzios (pagos em espécie) e R$ 4,9 milhões entregues pela frota da transportadora de valores Transexpert, que ocultava valores para a organização de Cabral (MDB-RJ).

O MPF sustenta que entre maio de 2012 e maio de 2015, os donos de empresas de ônibus, Lavouras, Barata Filho e Monteiro providenciaram 22 pagamentos que totalizaram os R$ 4,9 milhões.

Entre as perícias que foram compradas pelas empresas de ônibus, de acordo com a denúncia, estavam pareceres contra o rebaixamento das tarifas intermunicipais.

Além de fazer os laudos comprados pelas empresas de ônibus, Charles William se articulava com terceiros para ser nomeado no maior número possível de ações, o que demonstra sua grande influência no Tribunal de Justiça (TJ-RJ), em prejuízo até mesmo da confiança no sistema de justiça. O MPF já encaminhou informações para a Corregedoria Geral de Justiça do TJ tomar eventuais medidas cabíveis no caso.

“Há prova inequívoca da realização de atos de ofício praticados por Charles Fonseca William, em favor das empresas de ônibus”, afirma a Lava Jato/RJ na denúncia. “Como visto, Charles William se valeu de sua função de perito judicial, gozando da confiança de diversos magistrados, para se locupletar ilicitamente, aproveitando-se de sua influência em demandas judiciais que poderiam ensejar resultados desfavoráveis para as empresas de ônibus.” , continua.

Segundo a denúncia, as “contribuições para o suposto esquema de “contribuições” a agentes públicos, no período de janeiro de 2013 a fevereiro de 2016, totalizaram R$ 250.580.638,13 (duzentos e cinquenta milhões, quinhentos e oitenta mil, seiscentos e trinta e oito Reais e treze centavos)”, envolvendo 26 empresas de ônibus

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Rogerio Belda disse:

    Mesmo com atenção a tudo que foi relatado, continuo em dúvida quanto a indicação de quem é pirado e quem é o pirão ! Rogerio Belda SP

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