Câmara de Porto Alegre não consegue votar PL que reduz cobradores e rodoviários fazem novos protestos

Funcionários da Carris protestam contra projeto da Prefeitura que reduz número de cobradores no sistema de transporte de Porto Alegre. Foto: Twitter @tiago_boff

Com manifestação em frente a garagens, várias linhas ficaram prejudicadas nesta manhã na capital gaúcha

ALEXANDRE PELEGI

A Prefeitura de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, não conseguiu votar o projeto que pretende reduzir cobradores dos ônibus urbanos. Se aprovada a proposta, o pagamento da tarifa, das 22h às 4h, deverá ser feito apenas por meio de cartão do Sistema de Bilhetagem Eletrônica (SBE), cartão de débito, cartão de crédito ou outras formas eletrônicas de pagamento.

Previsto para ser votado nesta quarta-feira, 18 de dezembro de 2019, metade dos vereadores se retirou da sessão, evitando quórum para a votação. O mesmo fato já havia ocorrido na segunda-feira.

PROTESTOS

Os rodoviários, pelo segundo dia consecutivo, realizam protestos na capital na manhã desta quinta-feira, 19 de dezembro. Com manifestação em frente a garagens de algumas empresas, diversas linhas foram afetadas desde o começo da operação.

De acordo com o projeto da Prefeitura, a tripulação do sistema do transporte coletivo por ônibus, composta por motoristas e cobradores, poderá sofrer redução gradativa de sua composição, com a exclusão dos cobradores.

Os profissionais serão retirados nas seguintes hipóteses: rescisão do contrato de trabalho por iniciativa do cobrador; despedida por justa causa; aposentadoria; falecimento do empregado; interrupção ou suspensão do contrato de trabalho; na prestação do serviço de transporte coletivo por ônibus cuja viagem tenha iniciado entre 22h e 4h; na prestação do serviço nos domingos, feriados e dias de passe livre.

A proposta também revoga item que estabelece “no que se refere ao controle da cobrança das tarifas no transporte coletivo, qualquer que seja o sistema de catracas adotado, as tripulações dos ônibus deverão ser sempre constituídas, no mínimo, de motoristas e cobradores”. 

À Câmara, o secretário extraordinário de Mobilidade Urbana de Porto Alegre, Rodrigo Tortoriello, afirmou que o PL faz parte de um projeto de priorização do transporte coletivo.

“Se nenhum cobrador fizesse parte do sistema, a passagem hoje poderia custar R$3,80, mas a proposta do nosso governo não pretende extinguir todos os cargos de cobrador da capital”, declarou.

De acordo com Tortoriello, várias cidades do mundo já operam dessa maneira. “Temos que ser realistas e nos preparar para o futuro. A retirada é parcial, e não haverá obrigatoriedade de reposição de trabalhadores. De imediato haveria uma redução tarifária de R$ 0,05”, afirmou, destacando que o Executivo trabalha na inclusão de uma emenda de qualificação dos funcionários para que possam assumir novas posições e não ficar “à mercê do desemprego”. 

PARALISAÇÃO

Caso o projeto seja aprovado, o Sindicato dos Rodoviários de Porto Alegre prometeu realizar uma greve contra a medida, para impedir que os cobradores saiam do sistema.

Segundo nota da Câmara, o diretor de divulgação e propaganda do Sindicato dos Rodoviários da capital, Émerson Dutra, declarou em audiência pública que os cobradores são trabalhadores de família que precisam de sustento.

“A forma de fazer acordo com o rodoviário é retirar esse projeto maldito, que dá desemprego. Dia 12 de dezembro vão conhecer o poder desses trabalhadores. Nós somos multiplicadores”.

Além disso, o presidente do Sindicato dos Rodoviários, Adair da Silva, também afirmou que Porto Alegre vai parar.

“Retira o projeto que a cidade não para, caso contrário será como em 2014, que paramos por 14 dias”, recordou.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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