Relatório da intervenção no transporte coletivo de Manaus mostra sistema deficitário

Publicado em: 7 de dezembro de 2019

Ônibus em Manaus. Foto: Vinícius Ribeiro

Documento foi apresentado nesta sexta-feira, 06, na Câmara de Vereadores

ALEXANDRE PELEGI

Um sistema de transporte que arrecada R$ 44 milhões por mês, mas que tem de arcar com despesas de R$ 58,9 milhões. Esta é a triste realidade do transporte coletivo de Manaus, que amarga mensalmente um déficit de quase R$ 15 milhões.

A informação consta do primeiro relatório da comissão interventora, apresentado nesta sexta-feira, dia 06 de dezembro de 2019, na Câmara Municipal de Vereadores de Manaus.

A comissão analisou as contas do sistema desde novembro de 2018, segundo o interventor Francisco Bezerra.

Como relata matéria do jornal A Crítica, de Manaus, três fatores contribuem para a falência do sistema de transporte coletivo de Manaus: o aumento das despesas físicas operacionais, o crescimento dos aplicativos de transporte individual e as fraudes nas gratuidades.

Como mostrou o Diário do Transporte, a intervenção foi decretada no dia 22 de julho de 2019 por um prazo de 90 dias, e prorrogado por igual período no dia 18 de outubro. Relembre: Prefeitura de Manaus anuncia intervenção financeira nas empresas de ônibus por 90 dias

Manaus prorroga intervenção financeira no transporte coletivo por 90 dias

O relatório da Comissão, dirigida pelo interventor Francisco Bezerra, foi finalizado após 136 dias de trabalho.

As conclusões não surpreendem e acabam sendo um retrato do que ocorre em parte em muitas outras cidades do país.

O número de passageiros transportados despencou de 17 milhões, em 2011, para 11 milhões em 2019.

Em declaração ao jornal A Crítica, Luís Alberto Carijó, secretário municipal de articulação política, disse que as pessoas procuram mais o transporte por meio de aplicativos para viagens curtas, o que impacta diretamente no transporte por ônibus da capital amazonense.

Um dos vilões do custo operacional, segundo o relatório, fica por conta da frota, que é muito antiga e, portanto, consome mais combustível.

Ao final, o secretário Carijó defendeu o que o setor do transporte tem advogado há tempo para todo o país: a criação de um fundo para garantir a estabilidade do sistema de transporte. Para ele, a gratuidade das pessoas com deficiência deveria ser assumida pela secretaria de assistência social, assim como a área da educação deveria custear o estudante que usa o transporte.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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