Rodoviários de Blumenau fazem assembleia nesta segunda-feira e podem entrar em grave

Publicado em: 2 de novembro de 2019

Foto: Divulgação

Concessionária BluMob afirma que tarifa teria de ser aumentada em 22 centavos para atender às reivindicações da categoria

ALEXANDRE PELEGI 

A paralisação dos ônibus do transporte coletivo de Blumenau, Santa Catarina, nas primeiras horas da manhã desta quinta-feira, 31 de outubro de 2019, foi apenas um aviso.

O Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Coletivo de Blumenau (Sindetranscol) discute com a empresa BluMob, concessionária local, a pauta de reivindicação da data-base da categoria.

Nesta segunda-feira, 04 de novembro, a categoria fará uma assembleia para definir os próximos passos da negociação. Serão duas reuniões, às 9h e 15h, e até uma proposta de greve será discutida.

Dentre os pontos defendidos pela entidade sindical que representa os trabalhadores, constam o reajuste de 5% no salário dos trabalhadores e aumento de 10% no tíquete alimentação.

Além disso, a categoria discute também outros pontos, como a mudança da data-base da categoria, atualmente em 1º de novembro, a mudança do nome de “cobradores de ônibus” para “agentes de bordo” e melhorias nas condições de trabalho, propondo a pavimentação do pátio de ônibus do terminal Aterro.

Os trabalhadores se queixam que a BluMob se recusa a negociar. Este inclusive teria sido o motivo da paralisação relâmpago ocorrida na quinta-feira: forçar uma reunião com os representantes da empresa.

Logo após a paralisação da quinta-feira, a BluMob divulgou nota em que afirma que para atender à pauta dos trabalhadores seria necessário aumentar a tarifa em R$ 0,22.

Leia a nota na íntegra:

Nesta quinta-feira, 31 de outubro, sem qualquer comunicação prévia, desrespeitando milhares de usuários e a legislação, o Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Coletivo promoveu greve, paralisando integralmente o sistema de transporte coletivo de Blumenau desde as 3h. Toda a estrutura pronta para prestação dos serviços foi bloqueada nos terminais e garagem.

A convenção coletiva da categoria encontra-se plenamente respeitada e ainda em vigor. Reuniões foram realizadas nos últimos dias e a negociação salarial encontra-se em andamento, inclusive com propostas em mesa e tentativa de novas rodadas na próxima semana, sem qualquer necessidade de promover prejuízos à sociedade como ocorreu.

O sindicato reivindica aumento real de 5%, além da reposição pela inflação, o que resultaria em quase 8% de reajuste salarial. Além disto, aumento de 10% no vale alimentação mensal (R$ 880,00), alteração da data base e mudança na nomenclatura dos cobradores. Solicita ainda revisão de dezenas de cláusulas da convenção coletiva.

Cientes de que todo o custeio da tarifa recai sobre o passageiro pagante e que só o reajuste salarial proposto impactaria a tarifa em aproximados 22 centavos, sem contar ainda demais pontos solicitados, evidente a necessidade de discussão do tema com responsabilidade e razoabilidade.

Nos últimos anos foram concedidos aumentos corrigidos pela inflação, além de avanços em benefícios. Os salários também tiveram reajuste real de 1% anualmente, conforme consta da convenção coletiva, ou seja, sempre com aumento real e em condições mais privilegiadas que a grande parte das categorias.

A proposta da empresa foi de renovar todos os termos da convenção coletiva, reajustando salários e benefícios pela inflação de 12 meses, aguardando índice do INPC de outubro, como é praxe. Proposta alternativa para avanço em outros pontos foi colocada em mesa e em ata, permitindo assim que pontos sejam negociados entre as partes.

A empresa confia na via negocial, disposta a continuar discutindo os temas, sem prejuízos à cidade e aos funcionários. As medidas judiciais serão tomadas considerando a ilegalidade da greve.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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