Protestos no Chile: caminhoneiros se mobilizam contra o preço dos pedágios

Publicado em: 25 de outubro de 2019

Principais rodovias do país amanheceram bloqueadas

ALEXANDRE PELEGI

O que começou como protesto contra um aumento na tarifa do Metrô da capital Santiago, espalhou-se em seguida como um rastilho de pólvora por várias camadas sociais e profissionais, descontentes com o governo do presidente Sebastian Piñera. Relembre: Aumento do metrô gera violentos protestos em Santiago do Chile

Na manhã desta sexta-feira, 25 de outubro de 2019, as rodovias da região metropolitana do Chile foram o destaque dos protestos que há uma semana afetam o país. Fileiras de caminhões e carros particulares percorreram as rodovias em rejeição aos altos preços da cobrança eletrônica de pedágio.

Com bandeiras e cartazes, os motoristas se espalharam pelas diferentes estradas expressas que unem Santiago ao resto do país, gerando um imenso congestionamento em uma das horas de maior tráfego do dia.

Sob o slogan #NoMasTag, as redes sociais espalharam a rejeição popular a um sistema de pagamento de pedágio que afeta todos os motoristas que circulam nas rodovias, especialmente as empresas transportadoras que amargam pesadas faturas todos os meses.

Motoristas que passaram por pedágios onde os caminhoneiros protestavam em rejeição ao Tag, fotografavam e filmavam as manifestações e compartilhavam nas redes sociais.

Com uma semana de manifestações, o subsecretário do Interior do Chile calcula que 424.000 pessoas participaram de protestos durante as últimas horas, em meio a distúrbios sociais que desencadearam uma crise.

Até hoje, o saldo dos confrontos e saques em Santiago e outras cidades do país é de 19 mortos, dos quais cinco vitimados por forças do Estado, gerando relatos de violações de direitos humanos e questionamentos das forças de segurança.

Após o presidente chileno decretar estado de emergência, policiais e militares saíram para patrulhar as ruas pela primeira vez desde a ditadura de Pinochet, de triste memória para o povo do país.

As marchas crescem e se intensificam todos os dias, e a violência policial e das forças armadas acabou provocando o envio de uma missão da ONU ao país, para investigar os excessos na repressão cometidos pelos agentes do governo.

A Alta Comissária de Direitos Humanos da ONU é justamente a ex-presidente chilena Michelle Bachelet, opositora de Piñera. Mesmo assim, o convite partiu do governo chileno, solicitando à ex-presidente Michelle Bachelet “observar o trabalho de campo realizado para a proteção dos direitos fundamentais“.

Um relatório com base em dados dos Carabineros (polícia militarizada) relata, no entanto, uma diminuição no número de detidos, feridos e eventos graves, em comparação com os cinco dias anteriores de manifestações em todo o país.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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