Presidente do Equador revoga decreto que eliminou subsídio ao combustível

Publicado em: 14 de outubro de 2019

Com mediação da ONU, acordo entre governo e manifestantes pôs fim aos protestos no país

ALEXANDRE PELEGI

O governo do Equador e os indígenas do país, representados por Jaime Vargas, chegaram a um acordo na noite deste domingo, 13 de outubro de 2019, o que levou o presidente do país, Lenín Moreno, a revogar o decreto 883 que eliminou o subsídio ao combustível e causou a atual onda de protestos.

O acordo foi fechado em uma reunião nos arredores de Quito que contou com a mediação da ONU e da Conferência Episcopal do Equador.

O decreto, originado após o governo firmar um contrato de crédito com o Fundo Monetário Internacional (FMI), elevou o preço do galão de diesel de US$ 1,03 a 2,27, enquanto a gasolina “extra”, a mais consumida no país, passou de 1,85 a 2,30 dólares.

Lenín Moreno está no poder desde 2017, e enfrentou agora sua maior crise por causa das reformas que acordou com o FMI para aliviar o pesado déficit fiscal.

Os protestos contra a reforma econômica promovida pelo presidente explodiram no país e levaram o governo a declarar estado de emergência e toque de recolher.

Após dias intensos de protestos, a sensação na capital era de alívio ontem, segundo relatam as agências de notícias.

O decreto sobre a abolição dos subsídios que desencadearam aumentos no preço do diesel e da gasolina lançou milhares de indígenas, apoiados por outros setores, em protestos pelas ruas do país, com um saldo de sete mortos, 1.340 feridos e 1.152 detidos.

É “uma solução para a paz e para o país“, comemorou o presidente equatoriano no Twitter. “O governo substituirá o decreto 883 por um novo que contenha mecanismos para focar recursos naqueles que mais precisam”.

Os povos indígenas trabalham principalmente no campo e representam 25% dos 17,3 milhões de equatorianos, formando o setor mais punido pela pobreza. Com a liberação dos preços dos combustíveis, eles passaram a pagar mais para transportar seus produtos, e ao mesmo ficaram preocupados com uma inflação generalizada.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

Com informações de agências de notícias

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