Arrecadação com aplicativos de transporte soma R$ 32 milhões em dois anos em Curitiba

A cobrança de impostos teve início no final de setembro de 2017. Foto: Daniel Castellano/SMCS.

Levantamento inclui serviços como Uber, Cabify e 99

JESSICA MARQUES

A Prefeitura de Curitiba informou, em nota, que arrecadou R$ 32,65 milhões em quase dois anos de cobrança do chamado preço público das empresas de aplicativos de transporte, as Administradoras de Tecnologia em Transporte Compartilhado (ATTCs), como Uber, Cabify e 99.

De janeiro a agosto deste ano, o valor arrecadado com os aplicativos somou R$ 14,3 milhões, 85% mais do que os R$ 7,7 milhões apurados no mesmo período do ano passado.

A cobrança teve início no final de setembro de 2017 e o secretário municipal de Finanças, Vitor Puppi, afirmou que esses recursos têm se mostrado importantes no esforço de recuperação fiscal do município.

“É uma atividade que vem crescendo e com isso o preço público arrecadado pelo município também vem aumentando”, diz Puppi.

O valor arrecadado pela Prefeitura, recolhido mensalmente, é estabelecido com base em três diferentes faixas. Por corridas de até 5 km, as empresas pagam R$ 0,08 (oito centavos) por quilômetro; de 5 a 10 km, R$ 0,05; e acima de 10 km, R$ 0,03.

Atualmente, estima-se que são cerca de 12 mil motoristas cadastrados em aplicativos de transporte compartilhado. A Urbanização de Curitiba (Urbs) informou que deve iniciar em breve o cadastramento dos motoristas dos aplicativos.

O total computado pelos ATTCs supera o valor que os 2,9 mil taxistas da capital, por exemplo, arcam para exercer suas atividades – cerca de R$ 4,3 milhões por ano, decorrentes de valores de outorga (R$ 1.350 por táxi) e taxa de administração (R$ 162).

REGULAMENTAÇÃO

Em novembro do ano passado, a Prefeitura publicou a atualização da regulamentação do setor, com mudanças que englobam motoristas, usuários e condições de tráfego nas ruas de Curitiba.

O emplacamento do veículo, antes restrito a Curitiba, agora pode ser feito em qualquer cidade do país. Outra novidade é que cada automóvel pode ter mais de dois motoristas credenciados, o que ajuda a evitar o crescimento desnecessário da frota e congestionamentos. Até então, o limite era de dois motoristas.

O tempo de fabricação dos veículos autorizados a trabalhar no transporte privado de passageiros também foi ampliado. Antes limitado a cinco anos, agora esse prazo máximo é de sete anos.

A idade veicular é de sete anos, média adotada nas principais capitais brasileiras. Para veículos elétricos ou adaptados para transporte de pessoas com deficiência o prazo permanece de até oito anos.

Em agosto, o prefeito Rafael Greca assinou um decreto em que amplia a regulamentação, com o compartilhamento de dados cadastrais dos motoristas entre empresas e a Urbs.

Jessica Marques para o Diário do Transporte

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Comentários

Comentários

  1. Marcos Carneiro disse:

    Até hoje, a Prefeitura não tem ideia de quem são nem quantos motoristas atuam nos aplicativos de transporte individual privado , por isso usa-se o termo “estimativa”. Os aplicativos não repassam os dados alegando sigilo garantido pelo Marco Civil da Internet .

    Se são 12.000 …..? Me desculpe, mas são muito mais que isso.

    Os apps pagam o que querem pagar e o município precisa conferir isso.

    Mas isso “deve” começar a mudar.

    Quando foi dito que acontecerá um cadastro em breve, foi por solicitação dos taxistas (decreto de 20ago19).

    Quanto às melhorias nas condições de tráfego citada na matéria, em relação aos apps, gostaria de saber quais são?

    Veja bem:

    Carros de qualquer município (decreto de novembro)

    Carros mais velhos nas ruas (decreto de novembro)

    Passageiros que eram dos ônibus foram “drenados” para veículos particulares, isso não é bom para uma CIDADE SUSTENTÁVEL. Pesquise sobre o número de passageiros nos ônibus, está caindo ano após ano. Isso ė fato, não ė fake News.

    Foram adicionados um número INFINITO de carros nas ruas e até hoje, SEM FISCALIZAÇÃO.

    So pra constar: Nova York está limitando o número de veículos.

    Eu vejo com cuidado esta questão :

    Sem cadasrro, ha um risco a sociedade.

    Sem fiscalização, SEM limites, ė ruim para a mobilidade urbana

    Tambem ė ruim para o meio ambiente…

    Por fim, os numeros:

    Dívida o total recebido dos apps em 12 meses(16mi) por 12.000 motoristas para comparar com o que cada um paga. Vc verá que ė menor do que cada taxista paga. A eficiência do táxi é maior e menos poluente .

    Aqui vai mais uma “vírgula “, sabemos que são mais de 30.000.

    Então, dívida o total arrecadado em 12 meses(16m) e dívida por 30.000.

    O que cada motorista “paga” ainda é menor do que cada taxista contribui.

    Apesar da cifra, é bom conferir o que essas empresas estramgeiras estão pagando …

    Uma cidade sustentável precisa equilibrar os modais e priorizar o transporte coletivo e não o individual.

    Equilíbrio
    Legalidade
    Segurança
    Mobilidade

    Esse apelo está sendo feito há dois anos.

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