Carros de passeio são responsáveis por 62% das emissões de monóxido de carbono e ônibus emitem 2%, diz Cetesb

Publicado em: 19 de julho de 2019

Cetesb recomenda medidas para deixar ônibus mais eficientes. Foto: Adamo Bazani (Diário do Transporte)

Segundo relatório, aperfeiçoamento de combustíveis e motores contribuiu para melhoria de qualidade do ar no da Grande São Paulo, mesmo assim, órgão recomenda coletivos mais eficientes e com tecnologias alternativas ao diesel, já que emissões de materiais particulados e de óxidos de nitrogênio preocupam

ADAMO BAZANI/JESSICA MARQUES

O excesso de veículos na Região Metropolitana de São Paulo, ainda é o grande vilão da poluição, apesar de uma melhoria na qualidade do ar no ano de 2018.

É o que revela o relatório “Qualidade do Ar no Estado de São Paulo-2018”, da Cetesb – Companhia Ambiental do Estado de São Paulo, divulgado nesta quinta-feira, 18 de julho de 2019.

Segundo o levantamento, na Região Metropolitana de São Paulo havia em 2017, 7,2 milhões de veículos (7.282.803), dos quais, 5,2 milhões são carros de passeio (5.249.040).

Por sua vez, os ônibus somam na Grande São Paulo uma frota de 55,4 mil unidades (55.402) entre urbanos, micros e rodoviários. Em algumas cidades, como na capital paulista, somente os ônibus urbanos são responsáveis pelo deslocamento de mais de 30% das pessoas.

Apesar de praticamente transportarem o mesmo número de pessoas que os ônibus, os carros poluem bem mais dependendo da substância a ser analisada.

De acordo com o relatório, os carros foram responsáveis pelas emissões de 62,91 % de monóxido de carbono na Grande São Paulo, considerando os diferentes combustíveis: Gasolina Comum, Etanol Hidratado, Flex-Gasolina Comum e Flex Etanol Hidratado.

Já o transporte coletivo sobre pneus, somando ônibus urbanos, micro-ônibus e ônibus rodoviários foram responsáveis por 1,92 % das emissões de monóxido de carbono.

Entretanto a grande preocupação quantos aos veículos a diesel são as emissões de Óxidos de Nitrogênio – NOx e Materiais Particulados – MP.

Segundo o relatório da Cetesb, na Grande São Paulo, enquanto os carros de passeio somados emitiram 12,47% dos Óxidos de Nitrogênio lançados no ar e 1,69% dos Materiais Particulados que foram apurados, os ônibus foram responsáveis por 17,76% das emissões de Óxidos de Nitrogênio e por 11,25% dos Materiais Particulados.

O relatório também levou em conta a influência dos veículos comerciais leves, caminhões e motos.

 

 

Por este motivo, a Cetesb conclui em seu relatório que é necessário reduzir o número de viagens motorizadas, em especial de carros, que o transporte coletivo limpo deve ser estimulado, assim como a circulação dos ônibus se torne mais eficiente.

“A atual situação da poluição do ar na RMSP requer também medidas complementares que viabilizem a redução do número de viagens motorizadas e dos congestionamentos, como a redução das distâncias a serem percorridas, a maior oferta de transporte público não poluente, o aumento da eficiência do transporte público por ônibus e do transporte de carga, a melhoria da gestão do sistema viário complementada com ações de planejamento do uso do solo voltado para a redução do impacto da mobilidade e da logística. Dessa forma, a redução dos níveis de poluição do ar não deve se basear, exclusivamente, em medidas tecnológicas para a redução das emissões dos veículos isoladamente, mas numa ação integrada dos diversos setores da sociedade.”

Entre as medidas para o aumento da eficiência dos ônibus está a prioridade no espaço urbano, com mais corredores e faixas exclusivas.

Em espaços preferenciais ou exclusivos, o ônibus operam com motores em rotações cujas as emissões são menores.

QUEDA NOS NÍVEIS DE POLUENTES

De o geral, os níveis dos poluentes atmosféricos monóxido de carbono (CO) e dióxido de enxofre (SO2) registrados pela Cetesb na Região Metropolitana de São Paulo em 2018 estão entre os mais baixos da década. A informação também consta no novo relatório anual de qualidade do ar publicado nessa quinta-feira.

No ano de 2001, a média anual de SO2 na Região Metropolitana de São Paulo era de 14 µg/m3, frente uma média de 2 µg/m3, em 2018, conforme divulgado pelo estudo.

No caso do monóxido de carbono, desde 2008, não ocorre ultrapassagem do padrão de qualidade do ar desse poluente, em nenhuma estação da região.

Apesar das variações naturais meteorológicas, a qualidade média do ar se manteve nos últimos três anos na região mais populosa do Brasil. Isso mostra o quanto impacta na qualidade de vida da população os programas e ações de controle de emissão de poluentes”, explicou o secretário de Infraestrutura e Meio Ambiente, Marcos Penido, em nota.

Na Região Metropolitana de São Paulo, a concentração média anual de partículas inaláveis (MP10) de 29 microgramas/m³ se manteve igual aos valores observados nos últimos dois anos.

Desde 2013, a Cetesb utiliza os padrões de referência internacionais para a medição da qualidade do ar conforme estipulado pela Organização Mundial da Saúde”, esclareceu a diretora-presidente da Cetesb, Patrícia Iglecias.

O documento mostra ainda que o ano passado foi marcado por condições meteorológicas que influenciaram no regime de chuvas, variando com meses chuvosos, outros secos e quentes nas regiões do estado.

Embora na maioria das estações as concentrações médias de partículas inaláveis tenham sido inferiores ou semelhantes às observadas em 2017, houve ligeiro aumento dessas concentrações em algumas estações do interior do estado, o que pode estar associado à ocorrência do longo período de estiagem. Foram registradas ultrapassagens dos padrões de qualidade do ar de material particulado (MP) em algumas estações da RMSP, da Baixada Santista e do interior”, informou a Cetesb, em nota.

OZÔNIO

A RMSP, que possui 39 municípios, apresenta um alto potencial de formação de ozônio devido principalmente às emissões veiculares, mesmo assim, foram registrados apenas 18 dias de ultrapassagens do padrão estadual de 8 horas desse poluente (140 µg/m3) em 2018, contra 28 dias em 2017, segundo a Cetesb. Apesar da diminuição do número de dias de ultrapassagem do padrão em relação ao ano anterior, o documento mostra que não há uma tendência de comportamento definida para esse poluente.

Nas estações da Baixada Santista, houve uma única ultrapassagem do padrão estadual de ozônio, em Cubatão-Vale do Mogi. No interior, ocorreram ultrapassagens do padrão de qualidade do ar do poluente nas estações de: Americana, Campinas-Taquaral, Jundiaí, Limeira, Paulínia, Paulínia-Santa Terezinha e Piracicaba.”

CONTROLE DE POLUIÇÃO

A Cetesb informou ainda que possui diversos programas como o Plano de Controle de Poluição Veicular (PCPV), o Plano de Redução de Emissão de Fontes Estacionárias (PREFE), além da fiscalização e controle das emissões industriais e o programa de fiscalização de fumaça dos veículos a diesel (Fumaça Preta).

Para realizar o diagnóstico da qualidade do ar no estado, a Cetesb contou em 2018 com um total de 88 estações de monitoramento, sendo 61 automáticas, 30 na RMSP, outras 31 espalhadas pelo o Estado além de 26 pontos de monitoramento manual.

Adamo Bazani e Jessica Marques, jornalistas especializados em transportes

Comentários

  1. Paulo Gil disse:

    Amigos, bom dia.

    Conforme consta no texto acima:

    “Por este motivo, a Cetesb conclui em seu relatório que é necessário reduzir o número de viagens motorizadas, em especial de carros, que o transporte coletivo limpo deve ser estimulado, assim como a circulação dos ônibus se torne mais eficiente.”

    Para chegar a essa conclusão não precisa elaborar nenhum relatório; bem como qualquer terráqueo e E.T’s sabem.

    O que ninguém faz é fazer acontecer na prática uma circulação de buzão eficiente (pelo menos em Sampa).

    Vejamos:

    – Licitação pendente desde 2013;

    – Itinerários com mais de 50 anos;

    – Linhas caranguejadas ziguezagueadas;

    – Considerando-se a fábrica BYD em Campinas; pelo menos 10 buzões a bateria já deveriam estar rodando, em cada empresa grande de buzão de Sampa (isto contribuiria para o aperfeiçoamento e tropicalização);

    – Inexistência de uma rede de buzinho “VAPT VUPT” ligando pontos principais aos trilhos;

    – Inexistência de uma gestora do buzão (só há a fiscalizadora);

    – Pistas e faixas do buzão de Sampa esburacadas, com depressões, ondulações e outros bichos;

    Mais eficiente como? Eficaz nem pensar…

    PODER PÚBLICO, ATUALIZE-SE, MODERNIZE-SE, SAIA DO JURASSISMO E ELIMINE O DESPERDÍCIO DO DINHEIRO DO CONTRIBUINTE; AFINAL DINHEIRO PÚBLICO NÃO EXISTE.

    Att,

    Paulo Gil

    1. Rodrigo Zika! disse:

      Pois e Paulo, temos dois problemas ai, empresa de SP não comprar sequer nenhum ônibus menos poluente por vontade própria, sabendo que diminui a poluição, a prefeitura finge não ver nada, e coloca gato pingado só pra teste da BYD em uma ex cooperativa da ZS, considerando só uma região, quanto a carros um carro normal já custa um absurdo de preço, o Brasil e o único país que ainda vende carro 1.0 com preço de 2.0, um carro novo comparado ao salário do brasileiro e impossível comprar ou pagar, seja por taxas abusivas, lucro da concessionária, da montadora etc, e um carro elétrico e mais caro ainda que um carro comum que já e caro, impossível mudar essa realidade, triste.

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