Segundo a empresa, solicitação é fruto de dívida de mais de R$ 150 milhões e descumprimento de contrato por parte da Prefeitura
JESSICA MARQUES
Após três anos de operação, a concessionária do VLT do Rio de Janeiro pediu suspensão do contrato nesta quarta-feira, 03 de julho de 2019. O VLT Carioca entrou na Justiça com o pedido de rescisão do contrato de concessão.
Segundo a empresa, a solicitação é fruto de uma dívida de mais de R$ 150 milhões e do descumprimento do contrato por parte da Prefeitura. O VLT Carioca informou que a inadimplência dura mais de um ano.
Confira a nota da concessionária, na íntegra:
“O VLT Carioca informa que nesta quarta-feira, 03 de julho, entrou na Justiça com o pedido de rescisão do contrato de concessão. A solicitação é fruto da inadimplência e do descumprimento do contrato por parte da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, que já dura mais de um ano.
A Concessionária reforça que desde dezembro de 2018 tenta negociar com a Prefeitura pendências financeiras que impediam a circulação da linha 3, último trecho do sistema, que liga a Central do Brasil ao Santos Dumont. Sem chegar a um acerto, o VLT negociou com seus fornecedores e solicitou autorização para operar o trecho em 9 de maio. O pedido segue sem resposta, deixando passageiros e comerciantes da região desatendidos.
O VLT já se colocou à disposição para revisar a demanda contratual em diversas oportunidades. A proposta foi, inclusive, oficializada em carta, também sem retorno.
Em todas as tentativas de acordo, a concessionária buscava uma solução para o acerto da dívida relacionada ao investimento feito para a implantação das linhas, que não tem relação com o número de passageiros transportados. O contrato prevê que o investimento realizado para a construção do sistema seja retornado ao longo do tempo como uma espécie de financiamento de longo prazo. Com o pagamento interrompido desde maio de 2018 essa dívida hoje ultrapassa os R$ 150 milhões.
Ainda assim, o VLT manteve a prestação do serviço sem reduzir as operações, o que tem sido possível apenas com aportes extras realizados pelos acionistas. É assim que o sistema segue transportando seus mais de 80 mil passageiros diários, que poderiam chegar, por exemplo, a 150 mil, com a entrada da linha 3 e a reorganização de linhas de ônibus no Centro.
A Concessionária lamenta que um investimento deste porte realizado na mobilidade urbana da cidade, vital para o desenvolvimento da região portuária e que conecta todos os modais da região central de forma sustentável, não seja valorizado.”
A Prefeitura do Rio de Janeiro informou ao Diário do Transporte que não foi notificada e não vai se pronunciar.
Jessica Marques para o Diário do Transporte
