À semelhança do Refrota, empresas poderão captar financiamentos com recursos do FGTS e do FAT com prazo de 20 anos
ALEXANDRE PELEGI
A indústria ferroviária, que tem trabalhado com ociosidade nos últimos anos, tem uma boa notícia no horizonte.
Trata-se do “Retrem”, programa do governo federal que, à semelhança do Refrota, vai usar recursos do FGTS para a renovação da frota das operadoras de metrôs e trens urbanos. O nome oficial será “Programa de Renovação da Frota do Transporte Público Coletivo Urbano de Passageiros sobre Trilhos”.
Se de um lado o transporte coletivo nas grandes capitais é uma justificativa mais que pertinente, o aquecimento da indústria ferroviária é uma decorrência importante num cenário de risco de desemprego para o setor.
Matéria publicada hoje pelo Valor Econômico, que adianta a novidade do programa, descreve a situação crítica do segmento, que trabalha atualmente com 60% de ociosidade.
O jornal relata como funcionará a nova linha de crédito, que trará um alívio importante para a indústria, além de melhorias para o usuário do transporte coletivo das grandes metrópoles. Com financiamentos de 20 anos, com quatro de carência, as taxas de juros anuais devem girar em torno de 5,5%, sem nenhum tipo de isenção fiscal.
Com a meta de conceder empréstimos de R$ 1 bilhão por ano, o “Retrem” poderá utilizar dinheiro também do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
A concessão do financiamento para a compra de trens novos também deverá estar condicionada exclusivamente a trens fabricados no país, com índices de nacionalização.
O Valor adianta que o programa está praticamente fechado pelo Ministério do Desenvolvimento Regional e tem até data para lançamento: 28 de junho, na sede da Fiesp, em São Paulo.
Em declaração ao jornal o ministro Gustavo Canuto conta que o programa surgiu para viabilizar a modernização e a expansão das frotas de trem, “seguindo linha bem semelhante à do Refrota, que tem o mesmo objetivo, mas voltado aos ônibus“.
O presidente da Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (Abifer), Vicente Abate, reforça a situação de crise do setor em declaração ao Valor Econômico. Ele afirma que o setor está trabalhando com apenas 40% da capacidade instalada atualmente, e espera que o Retrem sirva como um “catalisador de encomendas” tanto por operadores privados como estatais.
Destacando o Metrô de São Paulo, que acaba de retomar o plano de extensão da linha 2-verde, Abate lembra que isso exigirá mais 22 trens para atender à demanda ampliada.
ABIFER
Preocupada com a situação do setor, a Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (Abifer) preparou propostas para os candidatos à Presidência da República e ao governo de São Paulo em agosto de 2018 (relembre).
A entidade, da mesma forma como fez a NTU – Associação Nacional das Empresas de Transporte Urbano (relembre), divulgou à época dois documentos com sugestões aos candidatos visando fortalecer o mercado e salvaguardar o transporte coletivo.
O Diário do Transporte entrevistara em junho de 2018 o presidente da entidade, Vicente Abate, que afirmou que não havia previsão de compras no segmento de passageiros para 2019 (relembre).
O Retrem, diante da situação vivida pelo setor metroferroviário, será vital para a melhoria do transporte coletivo urbano e para o aquecimento da indústria, caso de fato consiga cumprir as metas e garantir os financiamentos.
Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes
