Governo Federal deve ajudar no financiamento da linha 18, independentemente de modal escolhido, diz secretário de Bolsonaro

Secretário Nacional de Mobilidade e Serviços Urbanos, Jean Carlo Pejo (de gravata amarela) e secretário-executivo do Consórcio Intermunicipal ABC, Edgard Brandão. Foto: Divulgação - Clique para ampliar

Prefeitos do ABC apresentaram demandas de mobilidade para secretário Nacional de Mobilidade e Serviços Urbanos, Jean Carlo Pejo. Pacote de projetos prioritários soma entre R$ 800 milhões e R$ 900 milhões

ADAMO BAZANI

O Governo Federal sinalizou que vai apoiar, inclusive com financiamentos, a construção da linha 18 Bronze, entre parte do ABC e estação Tamanduateí das linhas 10 – Turquesa (CPTM) e 2 – Verde (Metrô), na capital,  independentemente de qual for o modal escolhido pela gestão do Governador João Doria.

O secretário Nacional de Mobilidade e Serviços Urbanos, Jean Carlo Pejo, esteve nesta quarta-feira, 05 de junho de 2019, no ABC Paulista e se encontrou com prefeitos da região que apesentaram demandas e projetos que estariam aptos a receber recursos federais.

Sobre a linha 18, Pejo relembrou que no passado, São Paulo não tinha conseguido boa avaliação de crédito para que a Cofiex – Comissão de Financiamentos Externos pudesse dar o aval para o Estado buscar recursos no mercado. Na ocasião, só era cogitado o monotrilho para a linha, obra que necessita de R$ 600 milhões somente em desapropriações para instalar as estações e as vigas do sistema de trens leves de média capacidade.

O secretário da gestão Jair Bolsonaro diz que agora o momento é outro e que a decisão tomada pelo Governo do Estado deve receber apoio federal

“O que aconteceu no passado, também foi um problema que era capacidade de investimento do Governo do Estado em poder receber recursos externos. Me parece que esta questão já deve ter sido resolvida. Nós [do Governo Federal] estamos à disposição para conversar com o Governo do Estado e a Secretaria de Transportes Metropolitanos para poder encontrar a melhor solução e o melhor sistema para atender esta população que tanto necessita de mobilidade” – disse Pejo ao Diário do Transporte e a jornalistas da região do ABC.

Ouça:

O secretário nacional de mobilidade disse que o Governo Federal não vai interferir na escolha do modal.

“Nós não temos nenhuma ingerência sobre a questão técnica que está sendo discutida pelo Estado sobre qual o modal que vai ser adotado. Pelas demandas daqui da região, seja modelo de monotrilho, seja modelo de VLT – Veículo Leve sobre Trilhos ou modelo de BRT (ônibus de trânsito rápido), está sendo estudado pelo Governo do Estado. Nós estaremos ouvindo as necessidades que o Governo do Estado tem e avaliar a melhor solução para o cidadão”.   – declarou Pejo.

Ouça:

O secretário-executivo do Consórcio Intermunicipal ABC, Edgard Brandão, acredita que muitos dos projetos de mobilidade apresentados pelos prefeitos da região estarão prontos antes da conclusão da ligação proposta para a linha 18.

“A linha 18 é um complemento a esta situação da mobilidade da região, mas evidentemente muito disso vai ser feito e concluído muito antes de ter a linha 18 implementada. Até porque, mesmo que se defina o modal de imediato, ela vai demorar muito tempo para concluir (…) Muitos dos projetos aqui já estão em execução. A hora que tiver evidentemente, se for o caso, a construção da linha 18, a interligação dos transportes coletivos urbanos, que estão em andamento e devem continuar, devem fazer integração com a linha. Só para vocês terem uma ideia, 74% das linhas urbanas municipais integrariam com a linha 18 do metrô. Mas enquanto não tem isso, elas continuam circulando como estão hoje , só que com qualidade  velocidade e conforto melhores” – disse Brandão.

Ouça:

A Linha 18-Bronze foi projetada inicialmente para ser um sistema de monotrilho, que deveria estar pronto entre o final de 2015 e o início de 2016. O projeto chegou ao quinto aditivo e ainda não há definição sobre o início das obras.

O maior obstáculo é o financiamento das desapropriações para a implantação dos elevados para os trens com pneus e as estações. Nas contas do Governo do Estado de São Paulo, estas desapropriações devem custar aos cofres públicos em torno de R$ 600 milhões.

Em 2014, o monotrilho da linha 18-Bronze tinha uma previsão de consumir R$ 4,69 bilhões (R$ 4.699.274.000,00) para ficar pronto. O valor, de acordo com a atualização do orçamento pelo Governo do Estado, pulou para R$ 5,74 bilhões (R$ 5.741.542.942,61), elevação de 22,18%.

Os dados são da Secretaria Estadual dos Transportes Metropolitanos e foram obtidos pela reportagem do Diário do Transporte por meio de Lei de Acesso à Informação no início do ano.

Isso significa que cada quilômetro do monotrilho do ABC custaria, se saísse hoje do papel, R$ 365,7 milhões (R$ 365.703.372,14) – sem as correções entre janeiro e maio.

A demanda projetada pelo Governo do Estado para o monotrilho com toda a extensão concluída é de em torno de 340 mil passageiros por dia.

Ao centro, Secretário Nacional de Mobilidade e Serviços Urbanos, Jean Carlo Pejo (de gravata amarela) e jornalistas do ABC

O secretário da gestão Bolsonaro recebeu um a um dos prefeitos e representes das áreas de transportes dos municípios do ABC.

Somados, os projetos que estão mais avançados e têm mais viabilidade de conseguirem financiamento federal, alcançam entre R$ 800 milhões e R$ 900 milhões.

O pacote geral de demandas de projetos de mobilidade do ABC chega a R$ 8 bilhões.

A coordenadora do Grupo de Trabalho de Mobilidade Urbana do Consórcio, Andrea Brisida, citou alguns exemplos de projetos da região que estão em fase avançada e que podem ser candidatos às verbas federais.

“Evidente que não se tem recursos para tudo aquilo que se tinha pleiteado. A ideia foi que cada município selecionasse a ordem de prioridade considerando os recursos que poderiam estar disponíveis e a própria viabilidade dos empreendimentos. Com esta listagem em mãos, cada um dos prefeitos se reuniu individualmente com o secretário [Jean Carlo Pejo] apresentando esta prioridade para conseguir de fato viabilizar estas intervenções. Entre os projetos estão, por exemplo, o eixo [de transporte coletivo] Guido Aliberti – Lauro Gomes (São Caetano – São Bernardo do Campo), o próprio Corredor Sudeste, e o corredor da Avenida Goiás (São Caetano do Sul), D, Pedro II, Industrial, Giovanni Batista Pirelli (Santo André) até chegar a Ribeirão Pires, que é o nosso maior eixo, que vai passar por cinco das sete cidades, que já vai ter projeto pronto e licitável para receber recursos.” – explicou Andrea.

Ouça:

De acordo com o secretário Nacional de Mobilidade e Serviços Urbanos, Jean Carlo Pejo, pelo programa Avança Cidades (nova versão do PAC), o Governo Federal tem R$ 4 bilhões para todo o País.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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