Perdas da CPTM no sistema de Bilhete Único se aproximaram de R$ 200 milhões em 2018 e fraudes podem ser o principal motivo

CPTM teve crescimento de demanda e estranhou perdas de receita. Foto: Adamo Bazani (Diário do Transporte) – Clique para Ampliar

Estatal estima que tem para receber R$ 240 milhões em créditos que estão em poder dos passageiros. Já queda de receita do Metrô foi na ordem de R$ 160 milhões. SPTrans diz que uma das possibilidades da diferença entre valores repassados ao Metrô e a CPTM pode ter origem na forma de remuneração das linhas privadas, como a 5 Lilás, recentemente concedida.

ADAMO BAZANI

A CPTM – Companhia Paulista de Trens Metropolitanos registou em todo o ano de 2018 perdas de R$ 192 milhões decorrentes do sistema do Bilhete Único gerido pela SPTrans – São Paulo Transporte e uma das principais suspeitas é de que esta redução de receita nas vendas de créditos tenha sido ocasionada por fraudes no sistema de bilhetagem eletrônica.

O dado faz parte do Relatório de Administração da CPTM – 2018, de 18 de março deste ano, ao qual o Diário do Transporte teve acesso.

O documento ainda diz que a CPTM estima que de R$ 1,59 bilhão em créditos do Bilhete Único que estão em poder dos passageiros, em torno de R$ 240 milhões são de usuários em potencial da estatal de trens.

O que chamou a atenção da CPTM é que a perda de recursos pelo Bilhete Único ocorre mesmo com o aumento de 4,3% no número de passageiros transportados em 2018 em relação ao ano de 2017, entre todas as entradas no sistema.

Foram transportados 863,3 milhões de passageiros em 2018. A média de passageiros por dia útil aumentou 4,6%, fechando o ano de 2018 com 2,9 milhões de registros.

Segundo o relatório, os sistemas de bilhetagem eletrônica, das quais o Bilhete Único é o maior, representaram 73,5% do total da receita bruta de prestação de serviços de transportes da CPTM em 2018.

Assim, para a CPTM pareceu pouco lógico aumentar o número de passageiros e haver perdas pelo Bilhete Único.

O Diário do Transporte mostrou nesta quinta-feira que CPTM e Metrô notificaram, perante a justiça paulista, a SPTrans – São Paulo Transporte sobre as perdas de receita pela bilhetagem eletrônica e também sobre a necessidade de apuração mais rígida das fraudes.

Na notificação, a CPTM alegou ter identificado. “diversos riscos relativos à forma como ocorre o controle de informação no âmbito do SBE [Sistema de Bilhetagem Eletrônica], de responsabilidade da notificada.”

Já o Metrô citou desequilíbrio financeiro de vultosos valores e argumentou que a SPTrans está sendo morosa no tratamento do assunto.

Importante atentar que, de pronto, a notificante observa um desequilíbrio entre a Arrecadação Financeira e a Receita Contábil das vendas de créditos eletrônicos do Bilhete Único em vultosos valores. Desde então, a Companhia do Metrô vem atuando junto à SPTrans para a solução desse desequilíbrio financeiro. Todavia, a complexidade da questão e morosidade no tratamento por parte da notificada, torna forçosa a presente interpelação, inclusive para resguardo da notificante em relação à eventual prescrição extintiva do seu direito.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2019/05/02/metro-tambem-notifica-sptrans-perante-a-justica-sobre-perdas-de-arrecadacao-e-pede-esclarecimentos-de-eventuais-fraudes-em-sistema-do-bilhete-unico/

A Companhia do Metrô contratou por R$ 630 mil uma auditoria da Ernst & Young que por quatro meses vai se debruçar sobre as movimentações financeiras do sistema dos últimos cinco anos.

Somente em 2018, a redução de receita do Metrô foi de R$ 160 milhões.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2019/05/02/receita-de-metro-de-sao-paulo-pode-ter-diminuido-por-fraude-em-bilhete-unico-e-companhia-contrata-auditoria-da-ernst-young-para-apurar/

Em nota, a STM – Secretaria de Transportes Metropolitanos, que engloba o Metrô e a CPTM, informou que a auditoria vai determinar se as duas companhias terão direito a ressarcimento.

Com a concordância de todos os participantes do Comitê Gestor do Bilhete Único, foi contratada uma empresa para auditar o sistema e apurar possíveis perdas.

O objetivo é garantir eventual direito de ressarcimento à CPTM e ao Metrô, se for constatado prejuízo às empresas no convênio de integração tarifária. 

A SPTrans é a responsável por combater possíveis fraudes por terceiros no sistema de integração do Bilhete Único, que causariam evasão de renda às empresas operadoras do transporte. Por isso o Metrô e a CPTM mandaram notificações extrajudiciais à SPTrans pedindo esclarecimentos. A notificação é um procedimento jurídico de rotina.

Sobre os dados do relatório,  a SPTrans respondeu ao Diário do Transporte que o Convênio de Integração (SPTrans/Metrô/CPTM) realiza reuniões para validar os dados e informações da bilhetagem eletrônica e diz que uma das possibilidades da diferença entre valores repassados ao Metrô e a CPTM pode ter origem na forma de remuneração das linhas privadas, como a 5 Lilás, recentemente concedida.

A SPTrans informa que os participantes do Convênio de Integração (SPTrans/Metrô/CPTM) estão realizando estudos e reuniões conjuntas para acompanhamento dos dados contábeis relativos aos 14 anos de uso dos créditos de Bilhete Único, de forma integrada, para validar as informações.

Vale esclarecer que os dados do relatório não são definitivos, pois são objeto das reuniões, sendo levantados nestes encontros a possibilidade de que grande parte da diferença entre valores repassados ao metrô e a CPTM  tenha origem na forma de remuneração das linhas privadas, que foram objeto de concessão feitas pelo metrô, como exemplo mais recente a Linha 5 Lilás.

Já sobre as perdas alegadas por Metrô e CPTM, a  SPTrans, em nota, diz que contratações de auditorias externas são comuns, mas que independentemente destes instrumentos, já adota medidas para erradicar as fraudes na bilhetagem eletrônica.

A SPTrans esclarece que pedidos de auditoria, como os feitos por Metrô e CPTM são comuns,  considerando que tratam-se de empresas públicas e a verificação periódica de seus contratos e convênios faz parte da rotina destes órgãos, bem como da própria SPTrans.

Independentemente da realização de auditorias externas, a SPTrans já trabalha para erradicar as fraudes no sistema de bilhetagem eletrônica e adota diversas medidas no combate a esta prática criminosa, como o reconhecimento facial por meio de câmeras instaladas em todos os ônibus da cidade, identificação de cartões com divergência entre recargas e utilizações, cancelamento de cartões com créditos temporais falsos, entre outras. 

Além das ações citadas, a SPTrans deixou de comercializar o Bilhete Único sem identificação.  Desde 1º de fevereiro, há limite de crédito do tipo comum em qualquer cartão do BU sem personalização, ou seja, sem dados pessoais impressos, além de modelos de estudante e Vale Transporte emitidos até 2013. A medida tem como objetivo restringir o acesso de fraudadores ao Bilhete Único e a comercialização irregular de créditos e cartões. 

A SPTrans já apresentou contranotificação judicial ao Metrô e irá fazer o mesmo com a CPTM a respeito dos itens questionados pelos órgãos.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

4 comentários em Perdas da CPTM no sistema de Bilhete Único se aproximaram de R$ 200 milhões em 2018 e fraudes podem ser o principal motivo

  1. Porque a CPTM e o METRÔ já contabilizam o crédito no bilhete do usuário. O usuário compra seu crédito e não quer dizer que irá fazer uso no sistema de trens ou ônibus.

  2. Sabrina Correia // 4 de maio de 2019 às 12:22 // Responder

    Vcs tratam os passageiros como lixo, o atendimento e péssimo, somos esmagados e empurrados todos os dias e pagamos o dobro que a passagem deveria custar. Vcs são uma máfia que ganha milhões as nossas custas todos os meses e têm a cara de pau de dizer que estão tendo prejuízo. Pois bem, o dia que as pessoas resolverem acordar e não usar mais esse tipo de transporte desumano e caro, aí sim vcs vão ter prejuízo. Já foi a um banheiro na CPTM? Um nojo, já precisou de elevador por estar com dificuldade de locomoção ? Pois bem diversas estações da linha Diamante estão com os elevadores quebrados, fora o péssimo estado de conservação e sujeita dos pombos. O problema todo é que o objetivo de vcs da CPTM e ganhar cada vez mais dinheiro e não se preocupam com seus clientes, não melhoram o atendimento que deveria ser muito melhor pois nós mantemos toda essa estrutura como nosso dinheiro. E não falem em prejuízos, até propaganda vcs estão apliando usando os trens para divulgação com envelopamento, que deve render mais alguns milhões. Tudo porque o número de usuários é significativo e as empresas de publicidade estão de olho nessa grande concertação de público. Tratem melhor melhor seus clientes seus hipócritas.

  3. Sabrina Correia // 4 de maio de 2019 às 12:27 // Responder

    Acabei de ter uma ideia, tenho fotos do aperto e constrangimento que passo todos os dias nesta lata de sardinhas que vcs chamam de transporte, faço questão de escrever uma matéria comentando como é estressante ser esmagada no percurso de ida e volta para o trabalho. Destaco a CPTM é péssima em atendimento e cobra valor abusivo tendo em vista a quantidade de usuários que atendem.

  4. Era de se esperar! Nas duas estações aqui do Itaim Paulista e na de São Miguel é prática corriqueira a venda de embarques a R$ 3,00 por algumas pessoas, sob a vista grossa de vigilantes e funcionários.
    Quanto aos comentários relacionados ao aperto e problemas diários na CPTM, deficiências no sistema não são justificativas para a evasão de divisas. Vale lembrar que a empresa é estatal e se a conta não é paga de um lado, será do outro.

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