ENTREVISTA – Linha 18: “Passageiro do ABC quer chegar a São Paulo em até 20 minutos”, diz Paulo Serra

Monotrilho é o modelo original pensando para a ligação. Imagem Consórcio VemABC - Clique para Ampliar

Presidente do Consórcio Intermunicipal Grande ABC, e prefeito de Santo André, Paulo Serra, afirmou que dois técnicos da entidade vão integrar grupo de estudos para definir qual de fato será o modal da ligação

ADAMO BAZANI

O Consórcio Intermunicipal Grande ABC, entidade que reúne prefeitos da região, deve escolher nesta terça-feira, 09 de abril de 2019, dois representantes técnicos para integrar o grupo de estudos do Governo do Estado que vai definir qual o meio de transporte será mais indicado para a Linha 18-Bronze, prevista pelo projeto original para ser um monotrilho, sistema de trens leves em elevados.

A informação foi dada ao Diário do Transporte no início da noite desta segunda-feira, 08 de abril de 2019, pelo prefeito de Santo André e presidente do consórcio, Paulo Serra.

Paulo Serra disse que os prefeitos continuarão participando de agendas com o governador João Doria e secretários, mas que os técnicos poderão aprofundar as abordagens e contribuições para o tema quem tem dividido opiniões entre os moradores da região.

De acordo com Paulo Serra, os prefeitos do ABC são simpáticos à ideia de que a ligação, entre São Bernardo Campo, Santo André, São Caetano do Sul e a estação Tamanduateí, do Metrô e da CPTM, seja por trilhos de alta capacidade. Entretanto, Paulo Serra disse que são os estudos que devem definir de fato qual o melhor meio de transporte.

Segundo o prefeito, o que o passageiro do ABC Paulista quer, independentemente do modal, é chegar rápido à capital.

“Nós temos de levar em conta custo, viabilidade de implantação, qualidade do modal e tempo de viagem. Está nestes pontos a gente tirar [o projeto] do papel de forma mais rápida possível, mas também que seja um tempo de viagem satisfatório para atrair o usuário que quer chegar à estação da CPTM e do Metrô. Do ponto de vista do usuário, do munícipe, o que tenho tido de retorno é que ele que chegar ao Metrô [em São Paulo] em 15 e 20 minutos, independentemente do modal escolhido. A questão da integração da linha 18 está ligada a isso, o passageiro ter acesso às demais linhas da capital de forma mais rápida e direta” – disse Paulo Serra ao Diário do Transporte.

Ouça:

Na manhã desta segunda-feira, o governador João Doria, em entrevista coletiva durante evento de inauguração da estação Campo Belo da linha 5 – Lilás, disse que o formato pensado para a linha 18 vai ser mudado. Doria, entretanto, não falou explicitamente sobre possibilidade de troca de modais.

Importante registrar que nós vamos modificar esse formato. Houve um erro, a nosso ver, do governo que nos antecedeu, mas ao invés de ficar aqui apenas culpando o passado, vamos tratar de encontrar soluções para o presente e o futuro. Nós teremos um outro formato que não vai exigir 600 milhões de reais de pagamento de indenizações por desapropriações, até porque isso é inviável, nós não temos recursos no orçamento para essa finalidade. Então esse planejamento que o secretário[dos transportes metropolitanos] Alexandre Baldy tem conduzido será apresentado em breve, para que a nova solução a ser apresentada ela seja conclusiva, e não uma opção inviável e que gere apenas expectativas e não fatos reais e concretos”, concluiu Doria

Ouça:

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2019/04/08/linha-18-do-abc-tera-um-novo-formato-confirma-governador-joao-doria/

Paulo Serra diz que a questão de custos de implantação deve ser considerada.

“Acredito que a fala do governador, que tem se empenhado pessoalmente nessa discussão, para tirar o quanto antes este projeto do papel, está relacionada diretamente a este custo elevado de implementação de um transporte que, eu concordo com ele, não é de alta capacidade de passageiros … Pela capacidade, a conta não fecha. Se for para ser uma obra de alto custo, eu acredito muito mais no potencial do metrô tradicional.”

Ouça:

O monotrilho do ABC foi prometido em 2012 para ficar pronto entre 2014 e 2015, mas uma viga sequer foi erguida. Mesmo assim, o meio de transporte já está bem mais caro.

Em 2014, o monotrilho da linha 18-Bronze tinha uma previsão de consumir R$ 4,69 bilhões (R$ 4.699.274.000,00) para ficar pronto. O valor, de acordo com a atualização do orçamento pelo Governo do Estado, pulou para R$ 5,74 bilhões (R$ 5.741.542.942,61), elevação de 22,18%.

Os dados são da Secretaria Estadual dos Transportes Metropolitanos e foram obtidos pela reportagem do Diário do Transporte por meio de Lei de Acesso à Informação.

Isso significa que cada quilômetro do monotrilho do ABC custaria, se saísse hoje do papel, R$ 365,7 milhões (R$ 365.703.372,14).

A demanda projetada pelo Governo do Estado para o monotrilho com toda a extensão concluída é de em torno de 340 mil passageiros por dia.

Os estudos devem mostrar de fato quais serão os custos e a capacidade de outros modais que eventualmente podem ser considerados como alternativa ao monotrilho para a realidade da ligação e não de forma genérica.

Uma das alternativas que serão estudadas é um BRT (ônibus de trânsito rápido) em corredores, com estações no ougar de pontos que permitem pagamento de passagem antes do embarque nos coletivos.

Questionado pelo Diário do Transporte, o Consórcio VemABC, responsável pela implantação e operação monotrilho disse que “não foi notificado pelo Governo do Estado de São Paulo sobre seus planos para o prosseguimento da concessão.”

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Colaborou Jessica Marques

14 comentários em ENTREVISTA – Linha 18: “Passageiro do ABC quer chegar a São Paulo em até 20 minutos”, diz Paulo Serra

  1. infelizmente vão escolher um modal tipo corredorzinho sem vergonha, igual aos que tem hoje em são paulo

  2. Espero q saia um projeto que atenda de forma descente os residentes do ABC que precisam se deslocar para a capital, eu não acho q o transporte sob pneus seja uma boa opção por causa da alta demanda.

    O corredor administrado pela metra já está saturado, e o governo precisa trazer para nossa região um modal confiável e de alta capacidade.

    Aguardemos os próximos capítulos.

  3. Renato Vieira dos Santos // 9 de abril de 2019 às 00:39 // Responder

    Esqueçam esse ramal para o ABC! É melhor usa os recursos para moderniza a linha da CPTM. Esse é mais um projeto sem pé nem cabeça, uma espécie de Fura Fila do Maluf.

  4. Luiz Carlos Domenico // 9 de abril de 2019 às 01:22 // Responder

    Nem pensar em BRT linha rápida de ônibus. Senão estaremos regredindo, vai acabar sendo igual ao Fura Fila do péssimo ex prefeito Pita.

  5. Vai ser BRT não tenham duvidas o nosso pais voltou aos anos 90, e viva Doria e Bolsonaro, tudo aos empresários e nada para o povo, há depois da licitação dos ônibus em SP aumentaram os intervalos, mais uma vitoria dos donos de empresas de ônibus. O negocio e comprar um pois é e enfiar no transito de SP.
    .

  6. O pior e o chupa cabras do Bruno Covas que quer de qualquer maneira acabar com o bilhete único em SP, e em 2020 e capaz dele se candidatar e ainda ganhar parece que o povo virou mulher de malandro.

  7. BRT só interessa ao grupo Setti Braga. Para a população será um transtorno, como levar 01 hora para ir em pé, sacolejando em onibus super-lotado por exemplo de Piraporinha ao Jabaquara, e não ter integração tarifária.

  8. ANDRE FERNANDES // 9 de abril de 2019 às 08:22 // Responder

    isso ja esta definido a baronesa de sbc vai ter outro corredor de onibus pena que quando chover ja sabe vai reclamar com sao pedro porque os prefeitos do abc e um pe de banana sao a mesma coisa

  9. Tsuyoshi Kojima // 9 de abril de 2019 às 10:44 // Responder

    O BRT seria uma opção, porém a maior parte do trajeto da Linha 18 será nas proximidades do Córrego dos Meninos, área constantemente alagada em condições de chuva forte. Haja vista a recente ocorrência desse fato que isolou os municípios de São Caetano de Sul, Santo Andre e São Bernardo do Campo.
    Seria, portanto, uma opcao indesejável aos usuários desse serviço público.

  10. Amigos, bom dia.

    Isto é fácil e já ocorria na década de 70.

    Basta recolocar aqueles micro ônibus que saiam do Parque D. Pedro II e em 20 minutos estávamos no ABC, claro que voando pela Anchieta, se for a 50tinha não chega mesmo.

    Se não me falha a memoria, era a Riacho Grande que operava esta linha, lembro que eram azuis com algumas partes em amarelo.

    Esse Aerotrem tá provado que não funciona para linhas longas.

    Att,

    Paulo Gil

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