Para Crivella, VLT do Rio é “porcaria”

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Comentário foi feito em palestra para servidores municipais

ALEXANDRE PELEGI

Em reunião não divulgada na agenda oficial, o prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, afirmou a um grupo de servidores municipais que o VLT carioca é uma “porcaria”.

O registro foi feito pelo jornal O Globo, que afirma que o encontro aconteceu nesta terça-feira, 19 de março de 2019, na Divisão de Hortos da Fundação Parques e Jardins, na Taquara.

Crivella criticou o consórcio que administra o modal, afirmando que o município terá que investir, segundo estimativas, R$ 18 milhões mensais no sistema.

— Tenho 1.500 escolas precisando de reforma. Isso é maluquice. Quanto custou aquela porcaria? Um bilhão.

O presidente do Consórcio VLT, Márcio Hannas, rebateu as críticas de Crivella e afirmou ao Globo que o prefeito fez “um discurso político”.

Para o consultor Peter Alouche, um dos maiores especialistas em sistemas de transportes metroferroviários do país, o prefeito do Rio deve estar certamente mal informado.

O VLT inserido no Projeto do PORTO MARAVILHA na Cidade do Rio, é considerado pelos urbanistas, a nível internacional, um projeto de transporte urbano de grande sucesso. A exemplo de muitas cidades da Europa, da América Latina e dos EUA, o VLT provoca uma importante renovação urbana nas regiões degradadas das Cidades. Isto me lembra outro Governador do Rio já falecido, que considerava o Metrô uma obra cara e inútil“, afirmou Alouche.

Outros especialistas do setor metroferroviário ouvidos pelo Diário do Transporte fizeram observações sobre a manifestação do prefeito Crivella a respeito do VLT:

O VLT respeita as mesmas regras e políticas tarifárias dos ônibus no Rio. Ou seja, você pode fazer integração gratuita entre os ônibus municipais e o modal. 

Não há integração entre metrô-trens-barcas e o VLT por um motivo: não existe integração tarifária entre os modais municipais e estaduais no Rio como um todo. No Rio estado e município não existe um bilhete único integrado infelizmente como existe em São Paulo.

A priorização semafórica no sistema VLT existe sim e funciona muito bem. Tanto que é possível ir do píer Mauá até Santos Dumont em 15 minutos, trajeto que de carro ou ônibus no horário de pico demora mais de meia hora. O que falta algumas vezes é o respeito dos motoristas, que desrespeitam os sinais vermelhos e fecham os cruzamentos.

Por último, sobre a extensão do VLT: seria a mesma coisa que em 1974 falar que o metrô de São Paulo era um elefante branco porque ligava somente Jabaquara à Vila Mariana…

Hoje o VLT sofre de alguns males públicos brasileiros: 

o primeiro é a interrupção do planejamento público em razão de ideologias partidárias; 

o segundo é o desrespeito aos contratos e à coisa pública;

o terceiro, a necessidade de uma melhor integração tarifária que precisa ser fomentada pelo poder público, para fazer as pessoas não usarem carro e passarem a usar transporte público“.

Em seu discurso, o prefeito disparou a esmo, afirmando que o Rio de Janeiro é “uma esculhambação completa”, onde Policias Militares sobem o morro para pegar arrego – “o troco da cocaína”.

O secretário de Polícia Militar, coronel Rogério Figueredo de Lacerda, divulgou nota afirmando ser “lamentável e inacreditável que o prefeito do Município do Rio de Janeiro – uma cidade com problemas tão sérios a resolver – seja capaz de proferir declarações tão absurdas durante uma reunião pública.”

QUEDA-DE-BRAÇO COM O CONSÓRCIO

O prefeito Marcelo Crivella vem travando uma disputa com o Consórcio que administra o Veículo Leve sobre Trilhos.

Em janeiro, em entrevista à Rádio Tupi, Crivella afirmou que o contrato assinado com a Concessionária prevê que a prefeitura deve arcar com a receita não realizada no caso da demanda diária ser inferior a 260 mil usuários. Ou seja, a prefeitura do Rio estaria subsidiando o sistema. “Hoje, tem apenas 60 mil (passageiros por dia), e a Prefeitura do Rio tem que pagar o resto. Estamos procurando fazer um equilíbrio do contrato, porque é muito caro pagar 200 mil passagens todos os dias“.

A pendência atrasou o início da operação da Linha 3 do VLT Carioca, que liga a Central do Brasil ao Aeroporto Santos Dumont pela Marechal Rondon. A própria prefeitura chegou a anunciar que a operação poderia já começar em dezembro passado.

Com as obras concluídas, no entanto, um impasse impediu que o trecho entrasse logo em operação.

A Concessionária VLT carioca condicionou a inauguração ao pagamento das obras feitas, o que a prefeitura contestou.

O prefeito Marcelo Crivella justificou o não pagamento a um detalhe contratual: o VLT transporta hoje 60 mil passageiros por dia, quando o contrato inicial previa cerca de 260 mil.

Para aumentar a demanda do VLT, Crivella decidiu retirar os ônibus municipais da região central do Rio de Janeiro em fevereiro. Relembre: Crivella vai aumentar demanda de VLT com retirada dos ônibus da região central do Rio

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Deco disse:

    Quando esse sistema foi implementado,não atentaram a viabilidade desse modal na cidade.Simplesmente trouxeram essa idéia de outros paises com alto índice desenvolvimento turístico e implantaram na cidade.

  2. Ligia Oliveira disse:

    Em outros sites de notícias, já disse Rio de Janeiro não é para amadores. Cidade da diversidade. Um prefeito que não sabe lidar com isso será sempre isso aí, o tanto de vezes que ele já voltou atrás em opiniões, postura…mas o carioca o elegeu, não eu com certeza.

  3. Marc disse:

    Porcaria e administração deste prefeito. Olha o BRT e as condições dos demais onibus no Rio de Janeiro. Nunca o sistema de transporte da cidade esteve tão ruim. Mas não tem nada não… 2020 tá chegando.

  4. Dz disse:

    O sistema VLT está dando prejuizo justamente por não haver integração. O que adianta passar na central e rio Branco se o trabalhador vai ter que pagar a passagem?
    Nunca pensei que fosse concordar com ele em algo, mas concordei em tudo o que foi colocado acima. E tem gente que quer tampar o sol com a peneira…. é só ver como a população reage ou deixa de reagir.
    E o retorno dos ônibus? A Penha ficou sem ônibus para o centro.

  5. ANTONIO CARLOS JACINTHO DE PAIVA disse:

    Esse prefeito não sabe lidar nem com ele, como saberá lidar com uma cidade igual Rio de Janeiro. Em administração está ainda com as fraldas molhadas, tem muito a aprender ainda.

  6. Rodrigo Zika! disse:

    Pra quem mama no dinheiro publico a vida toda, e fácil cometar erro,s e depois criticar, viver de dinheiro publico, e desviar, e no Brasil o lugar certo, onde o povo tem memória curta, e diz que futebol e política não se discute, triste.

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