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Após sinal verde do Cade, Mitsui assumirá controle da SuperVia

Foto: Aline Massuca / SuperVia Concessionária de Transporte Ferroviário S/A

Subsidiária controlada pela trading japonesa havia assinado em 28 de fevereiro contrato de compra e venda com a Odebrecht para transferência de ações da empresa

ALEXANDRE PELEGI

Demorou, mas finalmente saiu: a SuperVia, que opera o sistema de trens urbanos na região metropolitana do Rio de Janeiro, vai passar para o controle do grupo japonês Mitsui.

A superintendência-geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) recomendou no dia 6 de março de 2019 a aprovação da aquisição pelo conglomerado japonês das ações da Odebrecht TransPort, atual controladora indireta da companhia.

Matéria do jornal O Globo estima que o negócio é de cerca de R$ 800 milhões.

A transação deve ser concluída integralmente no fim de abril.

A Odebrecht Transport tenta se desfazer da Supervia desde o início de 2018.

Como noticiado pelo Diário do Transporte, a GUMI – Guarana Urban Mobility Incorporated, subsidiária controlada pela trading japonesa Mitsui, assinou no dia 28 de fevereiro de 2019, contrato de compra e venda com a Odebrecht Transport S.A. (OTP) para transferência do controle na SuperVia.

Relembre: Odebrecht deixa controle acionário da SuperVia

Com o novo quadro societário, a Odebrecht diminuirá sua participação de 72,8% para 11,33% na concessão ferroviária e a controlada Gumi ficará com os 88,67% restantes.

A Superintendência do Cade destacou potencial integração vertical entre a Mitsui e a Supervia na compra eventual de produtos com material rodante e equipamentos eletromecânicos. No entanto, o órgão antitruste aponta que tal relação “não seria capaz de gerar preocupação de ordem concorrencial“. A Mitsui, segundo apurou o Cade, não fabrica os produtos que terá acesso na aquisição: “a participação da Mitsui nesse segmento no Brasil é insignificante“.

Após o aval do Cade falta agora a aprovação de credores e do governo do Rio de Janeiro, que é o poder concedente.

O negócio para vender a concessionária foi liderado por credores brasileiros da Odebrecht. O grupo sofreu enormes perdas com os escândalos investigados pela operação Lava Jato, o que a levou a sofrer intensa pressão para vender ativos para reduzir suas dívidas.

A Supervia, com 201 trens, opera 270 quilômetros de malha ferroviária dividida em cinco ramais, três extensões e 104 estações. Atua desde 1998 e transporta cerca de 600 mil passageiros em dias úteis.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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