Reajuste de tarifas de ônibus que estavam represadas tem mais impacto em aumento de vendas do que novas licitações, diz diretor da Scania
Publicado em: 20 de fevereiro de 2019
Expectativa da fabricante para 2019 para o setor rodoviário é aumentar vendas em 20%. Para o setor urbano, Scania espera acompanhar crescimento do mercado
ALEXANDRE PELEGI
Colaborou Adamo Bazani
A Scania prevê um crescimento de vendas na ordem de 20% no segmento de ônibus rodoviários neste ano de 2019.
Já para o segmento de urbanos, a montadora estima que a tendência é acompanhar o crescimento natural do mercado.
As estimativas foram reveladas em um evento direcionado à imprensa especializada na planta da indústria em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista.
Em entrevista ao Diário do Transporte, o diretor de vendas de ônibus da Scania no Brasil, Silvio Munhoz, acredita que grandes licitações de serviços de ônibus, como de São Paulo, não serão um fator que possa alavancar as vendas de urbanos em curto prazo. Para o executivo, muito mais importante é o processo de reajuste das tarifas, cujos valores estavam represados em muitas cidades, como São Paulo.
“As licitações não tem trazido mudanças de operadores. Como eles já estão operando e já vem num processo de renovação natural da frota, para atender as demandas da própria municipalidade, não acreditamos que vá haver grandes volumes de vendas em função da licitação por si”, afirmou Silvio.
O executivo acredita que as cidades que sofreram com tarifas represadas por alguns anos, a partir do momento em que houve acordo entre prefeituras e operadores para que esses valores sejam revisados ou recompostos, começaram a registrar uma mudança mais significativa de frota. Munhoz
Muitos prefeitos condicionaram o reajuste à renovação da frota, lembrou Silvio, citando o caso da Viação Cidade Sorriso, de Curitiba, que acabou de adquirir seis ônibus biarticulados da Scania dentre os 157 ônibus que os demais operadores compraram no processo de renovação acertado com a prefeitura.
As primeiras unidades devem começar a circular em abril.
LICITAÇÃO DE SÃO PAULO E TECNOLOGIAS LIMPAS:
Ainda sobre o sistema de São Paulo, o maior da América Latina, hoje com 14,1 mil ônibus, além do tamanho da frota, outro destaque é a obrigatoriedade de redução de emissões de poluentes pelos coletivos.
O dirigente de vendas, Silvio Munhoz, acredita que nos próximos três anos não haverá grandes alterações na matriz energética dos ônibus em São Paulo, continuando com a predominância do diesel, já que as “simples” troca dos modelos com tecnologia Euro III, ainda em circulação, pelos modelos com tecnologia de restrição de poluentes Euro V (atualmente em produção) já será suficiente para atender as metas dos editais de licitação em curto prazo.
A montadora aposta no GNV e no biometano (gás obtido da decomposição de resíduos) como alternativa para reduzir a poluição pelos ônibus.
Munhoz, entretanto, aponta a questão do custo e da tarifa de remuneração aos empresários de ônibus como um aspecto que deve ser resolvido na adoção de tecnologias alternativas ao diesel.
“Boa parte das alternativas vai gerar impactos de tarifa. O gás natural que não gerava impacto de tarifa, num reajuste brutal que houve recentemente, terá agora um retorno de investimento mais longo. Já o biometano não tem esse problema. Então, olhando as alternativas disponíveis, hoje o que seria viável de implantação imediata sem necessidade de rever a tarifa é o biometano”
Após um ano de discussões, em 17 de janeiro de 2018, o então prefeito de São Paulo, João Doria, promulgou a lei 16.802, alterando a Lei 14.933, de 2009, que estipulava que em 2018, nenhum ônibus da capital fosse movido com combustível fóssil.
A lei de 2009 não foi cumprida e em 2017, foram diversas discussões na Câmara para a alteração até a chegada de um consenso.
As reduções de emissões de poluição pelos ônibus de São Paulo devem ser de acordo com o tipo de poluente em prazos de 10 anos e 20 anos
Em 10 anos, as reduções de CO2 (gás carbônico) devem ser de 50% e de 100%, em 20 anos. Já as reduções de MP (materiais particulados) devem ser de 90%, em 10 anos, e de 95%, em 20 anos. As reduções de emissões de Óxidos de Nitrogênio devem ser de 80% em 10 anos e 95% em 20 anos.
A licitação dos ônibus, cujas propostas foram entregues em 05 de fevereiro de 2019, com análise ainda sendo realizada por parte da gestão Bruno Covas, exige reduções ano a ano, dependendo do tipo de serviço de ônibus, havendo diferenciação de prazos de metas entre o subsistema local de distribuição e os subsistemas de articulação regional e estrutural.
A diferenciação se dá porque, no entendimento da prefeitura, há menos opções no mercado de ônibus de pequeno porte menos poluentes, o que afeta o subsistema local.
Entretanto, as metas de 10 e 20 anos previstas na lei de 2018 são as mesmas para todos os tipos de veículos, o que muda é o “ano a ano” de cada subsistema de linhas.
Os serviços de São Paulo serão divididos em três subsistemas:
– Subsistema Estrutural: Com nove lotes de serviços. Operado por ônibus maiores, que unem centralidades das regiões a outras centralidades passando pela região central; que trafegam por grandes avenidas e ruas de grande movimento e por corredores e que fazem a ligações entre os terminais. Entre os tipos de ônibus estão os padrons (motor traseiro e piso baixo), articulados, superarticulados e biarticulados.
– Subsistema Local de Articulação Regional: Com dez lotes de serviços. É inédito na cidade e seria uma espécie de sistema intermediário. A operação se daria por ônibus médios e convencionais entre os bairros mais distantes e as centralidades regionais (por exemplo, entre Vila Constância e Santo Amaro) e entre regiões diferentes, mas sem passar pelo centro. Os ônibus devem ser modelos básicos, com motor na frente, e padrons.
– Subsistema Local de Distribuição: Com 13 lotes de serviços. Operado por ônibus menores entre os bairros e os terminais, corredores de ônibus e estações do Metrô e da CPTM – Companhia Paulista de Trens Metropolitanos. Os ônibus devem ser minis, mídis (micrões) e convencionais, dependendo da demanda e condições do viário.
Na prática, o passageiro em diversos casos terá de fazer mais baldeações, mas a prefeitura promete viagens mais rápidas.
2018:
A diretoria da Scania também apresentou um balanço do ano.
No caso dos ônibus, no acumulado do ano de 2018, a Scania apresentou uma alta de 50,9% na produção de veículos rodoviários e 46% em urbanos. Foram 702 ônibus rodoviários vendidos, 21% do mercado.
OUÇA A ENTREVISTA NA ÍNTEGRA:
Alexandre Pelegi e Adamo Bazani, jornalistas especializados em transportes


Onde a Scania imagina que eles irão buscar o biometano, no curto prazo, para apresentarem os ônibus a gás como solução imediata para o atendimento da lei e do cronograma de reduções de emissão do edital?