Para justificar reajuste de tarifa, gestão Crivella diz que meta de ar-condicionado em 60% da frota foi cumprida por empresas de ônibus

Segundo Crivella, percentual de veículos climatizados passou de 43% para 61% da frota. Foto: Divulgação.

Valor passa de R$ 3,95 para R$ 4,05 neste sábado, 02 de fevereiro

JESSICA MARQUES

Após o anúncio de reajuste de tarifa dos ônibus municipais do Rio de Janeiro, o prefeito Marcelo Crivella citou os veículos com ar-condicionado e o processo de renovação de frota para justificar o aumento.

A Prefeitura do Rio de Janeiro informou na tarde desta quarta-feira, 30 de janeiro de 2019, que as empresas de ônibus cumpriram a meta de 60% de frota com ar-condicionado no início deste ano.

De acordo com o prefeito Marcelo Crivella, em ocasiões anteriores, a tarifa seria reajustada apenas se o percentual fosse atingido.

Relembre: Crivella estabelece condições para reajuste da tarifa de ônibus

A partir deste sábado, 02 de fevereiro, a tarifa passa de R$ 3,95 para R$ 4,05.
Segundo a prefeitura, em nota, o reajuste anual do valor das passagens é previsto em contrato.

Em nota enviada pela Prefeitura, Crivella diz que entre janeiro de 2017 e janeiro de 2019, o percentual de veículos climatizados passou de 43% para 61% da frota.

“As concessionárias cumpriram aquilo que foi determinado em meados do ano passado. Chegaram a 60% da nossa frota com ar-condicionado, apresentaram os balancetes, colocaram internet, tomadas (para carregar celular). Mas isso ainda não é o suficiente. Eu também não estou satisfeito. E só vamos descansar em 2020, quando toda a frota estiver com ar condicionado”, disse o prefeito.

Outro argumento citado na nota é que desde 2017 tem sido feita também a renovação da frota. Segundo a administração municipal, naquele ano, entraram em circulação 323 novos ônibus.

“Em 2018, foram outros 390 novos veículos a circular nas ruas da cidade, oferecendo mais conforto aos passageiros, com Wi-Fi grátis e tomadas para carregadores de celular.”

A Prefeitura cita ainda que o reajuste foi o menor entre todos os modais que atendem à população do Rio de Janeiro, conforme tabela abaixo:

Trens: de R$ 4,20 para R$ 4,60 (9,69%)
Barcas: de R$ 6,10 para R$ 6,30 (3,28%)
Metrô: de R$ 4,10 para R$ 4,30 (6%)
Ônibus: de R$ 3,95 para R$ 4,05 (2,54%)

“É importante frisar que Prefeitura e empresários firmaram em junho do ano passado um termo no qual está assegurado que a receita extraordinária proveniente do reajuste será destinada à melhoria do serviço. O Rio Ônibus, inclusive, já depositou a primeira parcela de R$ 1 milhão (de um total de R$ 7 milhões), que será destinada à compra de matéria-prima asfáltica para recapear as principais ruas da cidade. Em fevereiro será paga a segunda parcela”, mencionou ainda a Prefeitura, em nota.

O reajuste da tarifa no Rio de Janeiro foi anunciado em entrevista coletiva nesta terça-feira, 29 de janeiro de 2019.

Relembre: Crivella anuncia aumento de R$ 0,10 em tarifa de ônibus do Rio de Janeiro

Em 2018, o prefeito do Rio de Janeiro havia sinalizado que não haveria aumento no valor da passagem. A ideia, na ocasião, seria citar a uma cláusula do contrato com as empresas que permite os reajustes num período de um ano, sendo que o último foi há seis meses.

Relembre: Crivella sinaliza que Rio não terá aumento de tarifa de ônibus em janeiro

INTERVENÇÃO NO BRT

Além do anúncio do reajuste de tarifa, o prefeito também informou que o sistema do BRT da cidade terá um interventor. O nome escolhido foi o de Luis Alfredo Salomão, graduado em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, professor e político brasileiro, que foi deputado federal pelo Rio de Janeiro.

“A intervenção no BRT tem o objetivo de fornecer à população um serviço de qualidade. No período em que a medida estiver em vigor, durante 180 dias, será possível estabelecer um plano para melhorar o sistema, que hoje apresenta crônicos problemas de superlotação, estações fechadas e horários incertos, entre outros. A medida está prevista em contrato, que dá ao poder concedente a possiblidade de intervir, caso o serviço não seja prestado com eficiência”, informou a Prefeitura, em nota.

Confira a justificativa da Prefeitura do Rio de Janeiro para as mudanças anunciadas, conforme publicado no Diário Oficial do Município nesta quarta-feira:

O novo valor da passagem (R$ 4,05) entrará em vigor no primeiro minuto do próximo sábado, dia 2 de fevereiro. Com o reajuste das tarifas, o município assegura o equilíbrio econômico e financeiro às empresas que operam o transporte público de passageiros por ônibus no município. Elas vêm enfrentando sérias questões econômicas, o que tem comprometido a oferta e a melhoria dos serviços.

A receita adicional para as empresas de ônibus, a partir do reajuste, terá que ser investida na melhoria do sistema e no cumprimento das metas acordadas no Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado entre os empresários e a Prefeitura em junho do ano passado. As empresas pediram reajuste de R$ 0,15, contudo, foi concedido apenas o valor de R$ 0,10. Desta forma, o Rio de Janeiro continua sendo a capital com a menor tarifa de transporte rodoviário municipal do país.

– As concessionárias cumpriram com aquilo que foi determinado em meados do ano passado. Chegaram a 60% da nossa frota com ar-condicionado, apresentaram os balancetes e fizeram até mais: colocaram internet, tomadas (para carregar celular) e também desistiram de todas as ações que tinham contra a Prefeitura na Justiça. Finalmente, deram a primeira cota para ajuda da pavimentação das principais rodovias da cidade. Depositaram R$ 1 milhão, e serão mais sete parcelas, somando R$ 7 milhões – explicou o prefeito.

Inspeções nas obras do BRT

O terceiro item para a reestruturação do sistema são as inspeções das obras realizadas pela gestão anterior para a construção dos corredores BRTs Transcarioca e Transoeste. Auditorias realizadas pela Prefeitura nos contratos têm por objetivo recuperar cerca de R$ 3 bilhões investidos na construção dos corredores Transoeste (R$ 1,3 bilhão) e Transcarioca (R$ 2 bilhões).

A Prefeitura do Rio reafirma seu compromisso de assegurar um transporte público por ônibus de qualidade à população. Todas essas medidas visam a: melhorar a qualidade dos serviços prestados aos clientes; garantir o equilíbrio econômico-financeiro das empresas; e permitir ao município recuperar bilhões de reais investidos de forma inadequada na construção dos corredores da Transcarioca e Transoeste.

Jessica Marques para o Diário do Transporte

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

 

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