Brasil registra 4.330 ônibus queimados em 30 anos, segundo levantamento da NTU

Somente neste mês de janeiro foram 23 coletivos incendiados, sendo 15 apenas no estado do Ceará. Foto: Redes sociais.

São Paulo é o estado com mais ônibus queimados nos últimos 15 anos

JESSICA MARQUES

Incêndios a veículos do transporte coletivo são uma preocupação no Brasil pelo menos desde 1987. A NTU (Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos) informou ao governo federal nesta quinta-feira, 17 de janeiro de 2019, que 4.330 ônibus foram queimados nos últimos 30 anos.

Em um relatório mais detalhado, porém, a NTU considera 4.395 ônibus queimados neste período.

Por região, o sudeste lidera o ranking, com 1.710 casos neste período. Em seguida, está o Nordeste, com 390 casos, seguido do Sul, com 125, Centro-Oeste com 106 e Norte, com 64.

SÃO PAULO REGISTRA MAIS OCORRÊNCIAS

São Paulo é o estado que registrou o maior número de ocorrências envolvendo ônibus queimados nos últimos 15 anos. Ao todo, foram 700 veículos totalmente incendiados desde 2004.

O estado do Rio de Janeiro está em segundo lugar, com 570 veículos do transporte coletivo totalmente incendiados. Em seguida, está Minas Gerais, com 385 ônibus queimados de 2004 a 2019.

As cidades com mais ocorrências são a capital paulista, com 441 casos, o Rio de Janeiro, com 336 ocorrências e a Região Metropolitana do Rio, com 122 incêndios.

“Pesquisas nos acervos dos jornais ‘O Estado de São Paulo’, ‘Folha de São Paulo’ e ‘O Globo’ permitiram identificar 2.023 ônibus incendiados no período de 1987 até 2003. A partir de 2004, a NTU iniciou acompanhamento junto às empresas filiadas e a mídia”, informou a associação, sobre a metodologia para a realização do levantamento.

Ainda de acordo com o balanço divulgado pela NTU, somente neste mês de janeiro foram 23 coletivos incendiados, sendo 15 apenas no estado do Ceará.

A recente onda de violência em Fortaleza, que já resultou em 15 ônibus queimados, foi um dos motivos que levou a NTU a realizar o balanço e entregar ao governo federal. Os ataques tiveram início neste mês.

Relembre: Ataques continuam no Ceará: dois ônibus foram incendiados em Fortaleza na noite desta segunda-feira, 7

Confira, na íntegra, o histórico de ônibus incendiados apresentado ao governo federal, por município:

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NTU PEDE AJUDA A GOVERNO FEDERAL

Frente ao número de ônibus incendiados no Brasil, a NTU (Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos) pediu ajuda do governo federal para conter a onda de ataques a veículos do transporte coletivo no país.

Nesta quinta-feira, 17 de janeiro de 2019, a associação enviou um histórico e casos de 1987 até os dias atuais para o ministro do Gabinete de Segurança Institucional, o general Augusto Heleno.

As ocorrências são contabilizadas de 1987 até julho de 2018. Além das vítimas fatais e feridos graves, a queima de ônibus priva as comunidades de transporte, uma vez que a reposição dos veículos leva vários meses.

Os incêndios, segundo a NTU, também geram graves prejuízos econômicos, uma vez que não há cobertura de seguro para esse tipo de sinistro e as empresas têm que arcar integralmente com os custos envolvidos.

“Não podemos mais conviver com essa violência e impunidade que coloca em risco a vida de passageiros, motoristas e cobradores, além de gerar prejuízos financeiros ao setor e danos irreparáveis à sociedade, que sofre os efeitos da falta do transporte para realizar as tarefas do dia a dia”, disse o presidente executivo da NTU, Otávio Cunha.

O presidente destacou que esse tipo de ação criminosa já causou a morte de 20 pessoas e queimaduras graves em outras 62, segundo o levantamento.

O material foi recebido pelo general Augusto Heleno, que afirmou que há preocupação do governo com o problema e disse que estão sendo tomadas as providências cabíveis.

A publicação Fogueiras da Insensatez – por que queimam os ônibus no Brasil, produzida pela NTU em parceria com a Confederação Nacional do Transporte (CNT), traz um apanhado histórico das ocorrências de queima de ônibus em todo o país, com depoimentos e números que mapeiam os crimes.

“Além da ameaça contra a vida, esses atos comprometem um bem público e um serviço essencial, reconhecido pela Constituição Brasileira como um direito social”, afirmou Otávio Cunha.

Jessica Marques para o Diário do Transporte

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Comentários

Comentários

  1. Paulo Gil disse:

    Amigos, boa noite.

    Sugiro ao Diário dos Transportes, se for de seu interesse, fazer uma matéria sobre quem e como é pago este prejuízo às empresas.

    Só gostaria de confirmar, pois pra mim somos nós os contribuintes que pagamos.

    Nada muda nesse Barsil.

    Att,

    Paulo Gil

  2. Junior disse:

    Paulo, bom dia!

    O prejuízo é dos empresários, dado que a eles pertece a frota de ônibus, e não ao Estado. Entretanto, esses ocorridos são utilizados como justificavas de aumento de tarifas.

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