Manifestação interdita via férrea da Vale por mais de 24 horas em Baixo Guandu (ES)

Manifestantes bloqueiam passagem de trem com galhos de árvore. Foto: Divulgação / Prefeitura de Baixo Guandu

Trem de passageiros não circula em território capixaba

JESSICA MARQUES

Um grupo de aproximadamente mil pessoas está protestando desde às 11h desta segunda-feira, 14 de janeiro de 2019, contra a Samarco, após o rompimento da barragem de Mariana, que ainda causa problemas sociais aos moradores da região, segundo os manifestantes.

A manifestação está interditando a via férrea da Vale há mais de 24 horas em Baixo Guandu, no Espírito Santo. Os manifestantes vieram de várias cidades ao longo do rio Doce e iniciaram o protesto em frente ao escritório da Fundação Renova, localizado no centro de Baixo Guandu próximo à Praça São Pedro.

Por conta da interdição, o trem de passageiros circulará apenas nos dois sentidos entre Belo Horizonte e Governador Valadares, em Minas Gerais, segundo a Vale, sem passar pelo Espírito Santo.

Nesta segunda-feira, a Vale fez o transporte de passageiros em ônibus alugados pela empresa, atrasando a chegada ao destino final. Segundo a empresa, quem estiver com viagens marcadas para esta terça-feira para locais que não serão atendidos poderão reagendar o bilhete ou pedir o reembolso do valor investido na compra da passagem.

Para o reembolso ou reagendamento, é preciso se dirigir, em até 30 dias, a qualquer uma das estações localizadas ao longo da Estrada de Ferro Vitória a Minas.

Segundo informações da Prefeitura de Baixo Guandu, o prefeito Neto Barros juntou-se ao protesto. A manifestação diz respeito a uma decisão judicial tomada pela Justiça Federal em dezembro de 2018, alterando acordos feitos entre a Fundação Renova e envolvendo cerca de 9 mil pescadores.

Segundo o prefeito, o grupo denuncia “o descaso com a reparação social e ambiental desde 2015, quando milhões de toneladas de lama tóxica foram despejados no rio Doce, no rompimento da barragem de Mariana”.

De acordo com a Prefeitura, a decisão judicial permite que “a Samarco desconte, no pagamento das indenizações – por danos morais e lucros cessantes – o valor já pago em auxílios emergenciais mensais”.

Os manifestantes paralisaram a circulação de trens da Vale por volta das 11h desta segunda, nas proximidades da Ponte de Ferro, localizada próxima ao centro de Baixo Guandu. Uma composição chegou buzinando ao local e teve que parar porque a linha estava repleta de galhos de árvores e pessoas. Até o momento, a via não foi liberada.

Em nota, a Vale informou que a paralisação de ferrovia é crime e coloca em risco a segurança de passageiros, empregados e terceiros.

A empresa disse ainda que cerca de 2 mil passageiros diários utilizam o serviço, bem como a EFVM é responsável pelo transporte de minério de ferro, combustíveis, grãos, aço entre outros produtos, todos de grande importância para a economia brasileira.

A mineradora ressaltou, ainda, que as reivindicações dos manifestantes “não têm relação com as operações da Vale”.

Também em nota, a Fundação Renova afirma que “entende como legítima a manifestação em Baixo Guandu” e que está aberta ao diálogo.

Jessica Marques para o Diário do Transporte

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Comentários

Comentários

  1. Luis Prestes disse:

    Baixo Guandu tem 30 mil habitantes. Antes da tragédia, havia menos de 20 pescadores na associação do município. Agora tem 9 mil pescadores.

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