Após onda de ataques e redução de frota, transporte coletivo começa a caminhar para a normalidade

Foto: Leandro Sousa

Informações são do Sindiônibus

ALEXANDRE PELEGI/ADAMO BAZANI

Segundo informações do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Ceará (Sindiônibus), os ônibus estão com operações próximas do normal em Fortaleza nesta segunda-feira, dia 7 de janeiro de 2019.

O movimento é intenso, com algumas linhas apresentando lotação.

A entidade divulgou à imprensa local que no início da manhã,em torno de 15 linhas não circularam por terem itinerários em locais considerados “críticos” pela polícia.

Em nota na manhã desta segunda, o Sindiônibus ainda informou que a operação está “diferente de dias normais e controlada a cada momento”.

O sindicato patronal ainda informou que mais de 1.300 ônibus, dos 1.810 urbanos e 350 metropolitanos, já estavam circulando nas ruas. No último sábado, 5 de janeiro de 2019,  apenas 180 veículos prestaram serviços.

Conforme noticiou o Diário do Transporte ontem à noite, o Sindiônibus divulgou nota em que afirmava que os coletivos iriam circular com policiais fardados, segundo acordo firmado com a polícia. Relembre: Empresas prometem frota integral de ônibus em Fortaleza nesta segunda-feira

Neste domingo, desde às 5h30, 108 ônibus e 77 linhas circularam na região metropolitana, o que representa 5% da frota normal, composta por 1.810 ônibus urbanos e 350 metropolitanos, que rodam em um dia normal em 209 linhas. Em cada veículo que operou ontem na cidade, três policiais viajavam a bordo para garantir a segurança, o que se repete nesta segunda-feira.

A redução da frota aconteceu por precaução, uma vez que com o reforço do policiamento não houve mais ataques a coletivos desde a noite de sexta-feira, dia 4.

O Metrô de Fortaleza também funcionou em horário especial.

Até o momento, segundo a Secretaria de Segurança do estado do Ceará, duas pessomas foram mortas e 110 presas por suspeita de envolvimento nos atentados.

Em sua página no Facebook, Dimas Barreira, presidente do Sindiônibus falou dos ataques criminosos ao transporte coletivo na região metropolitana de Fortaleza:

Venho a público dizer que sinto muito por esta difícil situação de insegurança que Fortaleza atravessa e por todos os impactos que nossos cidadãos vêm sofrendo em decorrência disto, especialmente quanto à precariedade causada ao serviço de transporte público.

Sempre em sintonia com os órgãos públicos de segurança, temos trabalhado intensamente no Sindiônibus e empresas associadas procurando criar estratégias para manter alguma oferta de transporte. Porém, diante da intensidade e quantidade de ataques criminosos, nestes momentos a oferta possível de serviços fica muito aquém das necessidades da população fortalezense, maior prejudicada por estes ataques.

Todos os dias nossos ônibus estão preparados e nossos funcionários estão prontos na expectativa de poder atender à população. A avaliação da segurança é permanente para identificar oportunidades seguras de aumentar gradativamente a oferta de transporte até a normalidade. Desde o dia 02/01/19, já tentamos algumas vezes retomar o serviço pleno ou ampliar, porém novos ataques causam perda de controle e recuo.

Chegamos a um ponto em que precisamos contar com o apoio da polícia para embarcar policiais nos ônibus, o que limita muito nossa capacidade de ofertar serviços. Neste momento, graças ao apoio da polícia, podemos contar com com 136 ônibus em 81 linhas operando, o que é muito pouco mesmo para um domingo, que normalmente tem cerca de 700 veículos circulando.

A queima de um ônibus prejudica toda a população, pois a reposição de cada um leva vários meses e isso traz sérios impactos negativos ao desempenho normal do sistema de transportes. Financeiramente o prejuízo é exclusivo das empresas, que muitas vezes nem têm condições de repor um ônibus em momento não previsto em seu planejamento financeiro, por não dispor do dinheiro ou do crédito disponível para uma operação financeira que não se encaixa na sua capacidade de pagamento.

Aproveito a oportunidade para deixar claro que não existe seguro para vandalismo em frotas de ônibus. Não há nenhum meio de amortecer o impacto financeiro causado às empresas.

Também é importante entender que outro grave prejuízo para as empresas decorre de estar impedida de exercer sua atividade, única fonte de receita para arcar com seus compromissos. Mais da metade do que arrecadamos é destinado a despesas com funcionários, que precisam receber normalmente, independente de as empresas não estarem arrecadando nestes dias.

Reitero à nossa população, especialmente a nossos clientes, que todos sentimos muito. Agradecemos sinceramente a nossos funcionários, em especial motoristas, cobradores e equipes de controle operacional, que se desdobram para fazer seu melhor e às vezes precisam enfrentar o medo para atender à população da melhor maneira possível.

Ainda, reitero minha confiança nas nossas forças de segurança para restabelecer rapidamente a normalidade no nosso estado para que nosso povo possa trabalhar em paz para reverter qualquer perda ocorrida neste triste período.

Dimas Barreira, Presidente do Sindiônibus/Fortaleza.


Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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