Falta de manutenção no sistema de trólebus é desafio para prefeita da Cidade do México

Foto: El Universal / Mexico

De 348 veículos, apenas 212 estão em condições de operar diariamente. Prefeita prometeu adquirir 100 novos trólebus

ALEXANDRE PELEGI

Numa matéria em que o Trem Leve é o principal foco, o jornal mexicano El Universal descreve os problemas que a recém-empossada prefeita do México, Claudia Sheinbaum, terá pela frente para recuperar o Sistema de Transporte Elétrico, que inclui ainda os trólebus.

No caso do Trem Leve a matéria cita descarrilamentos, falhas de fiação e unidades antigas como alguns dos problemas do STE.

O jornal cita o líder do Sindicato dos trabalhadores do setor, Benito Bahena e Lomé, que culpa o último governo por relegar esse transporte ao esquecimento.

Falando da situação geral do STE, Benito conta as condições ruins do serviço: “temos 24 trens leves duplos, mas infelizmente devido à falta de manutenção trabalhamos com 14 e às vezes com 12, isso afeta a segurança e o bom transporte dos nossos passageiros. No caso dos trólebus, temos uma equipe de 348 unidades, mas só saímos com 212 por dia, porque muitos não têm pneus, espelhos, obstruções nas portas, nenhuma grande manutenção foi feita, nem mesmo para comprar um espelho“.

Já no caso dos trólebus, o sindicalista afirmou que a maioria dos veículos que não estão em serviço deve ser recuperada, para garantir ao menos 300 deles estejam em operação. Ele lembrou que a chefe do governo se comprometeu a adquirir mais trólebus para apoiar o crescimento do transporte elétrico na Cidade do México.

Como divulgou o Diário do Transporte, logo ao tomar posse a prefeita anunciou que destinará recursos para executar um programa intensivo de manutenção, modernização e repotenciação do sistema de transporte elétrico. Claudia Sheinbaum garantiu que serão comprados 100 trólebus novos. Relembre: Nova prefeita do México anuncia investimentos de meio bilhão de dólares no transporte público

Na opinião de Benito Bahena e Lomé, o STE poderia aumentar suas linhas, já que possui 520 quilômetros de infraestrutura, onde cabos mais baratos podem ser colocados, uma vez que os antigos cabos de cobre foram substituídos por outros de alumínio, o que significa custos mais baixos.

No caso dos Trólebus, ele lembra que havia 18 linhas de trólebus, e agora são apenas oito. Isso aconteceu porque em muitas linhas havia apenas dois veículos operando, e as pessoas não aguentavam esperar. “Havia casos dos trólebus fazerem o percurso com apenas duas ou três pessoas a bordo, porque demoravam muito para passar entre os pontos, até uma hora “, explicou o sindicalista.

Trem_Leve_Mexico

O Trem Leve da Cidade do México (Tren ligero de la Ciudad de México) tem apenas uma linha, com 13 km e 18 estações. Juntamente com os trólebus é gerido pelo STE – Servicio de Transportes Eléctricos.

ESPECIALISTA RECOMENDA AUMENTAR CORREDORES DE TRANSPORTE COM ZERO EMISSÃO

Entrevistado pela reportagem do jornal El Universal, o especialista em transporte da Universidade Autônoma Metropolitana (UAM), Bernardo Navarro, afirma que a tarefa do governo Claudia Sheinbaum é aumentar os corredores de transportes com zero emissões, maximizar o equipamento que se tem atualmente e melhorar o Trem Leve, tantos com os trens atuais, como com as novas unidades.

No caso do Trem Leve, o acadêmico apontou que o problema é que as pessoas preferem usar ônibus, pois fazem os percursos em menor tempo. Isso acontece porque os trens circulam entre cinco e 10 minutos, o que na Cidade do México significa muito. Ele sugere aumentar a frequência, reduzindo o intervalo entre trens à metade.

Apontando que é necessário modernizar o transporte elétrico, por ser o mais limpo em toda a cidade, junto com o metrô, ele afirma que o serviço do STE – trólebus e Trem Leve é fundamental.

Víctor Alvarado, coordenador de Mobilidade e Mudança Climática na “El Poder del Consumidor”, uma espécie de instituto de defesa do consumidor no México, reforça a importância do transporte elétrico. Em declaração ao jornal, ele considerou que um passo fundamental para a sustentabilidade da mobilidade, a democratização do espaço público e para a garantia dos direitos humanos à saúde e ao meio ambiente saudável, é o fortalecimento do Serviço de Transporte Elétrico. Para isso, ele propõe recuperar as linhas do sistema de Trólebus, criando um corredor de emissões zero.

Segundo Alvarado, o sistema trólebus sofreu um corte de 64% de sua rede operacional desde a década de 1990, o que representa uma estagnação nos compromissos que o México assumiu para enfrentar as mudanças climáticas e uma lenta aplicação do Objetivo 11.2 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável até 2030. “Precisamos apostar nesse tipo de transporte sustentável, pois vimos que ele dá bons resultados”, concluiu.

PLANO DE TRANSPORTE

Claudia Sheinbaum, a primeira mulher eleita para governar a megalópole de mais de 8 milhões de habitantes, assumiu o cargo no dia 5 de dezembro de 2018.

Logo de saída, a prefeita da Cidade do México divulgou seu plano para o setor de transportes da capital: vai destinar 10 bilhões de pesos (cerca de meio bilhão de dólares, quase 2 bilhões de reais) para investimentos em metrô, trens e trólebus.

A prefeita destinará parte desses recursos para o sistema STE: 500 milhões de pesos (quase 100 milhões de reais) para concluir os trabalhos de manutenção no sistema de trilhos leves que opera no sul da cidade e para a compra de novos trólebus. O Trem Leve tem apenas uma linha, de 13 km e 18 estações.

O sistema de trólebus conta com oito linhas, que somam mais de 203 km e são operadas com 290 veículos. Essa frota permite, segundo a operadora STE, um intervalo médio de quatro minutos. O sistema vem perdendo demanda: de 2016 para 2017 houve uma redução de 24,83% no total de passageiros/ano. Em 2016 foram transportados pelos trólebus 73,7 milhões de passageiros, número que caiu para 55,4 milhões em 2017.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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