2019: Perspectivas no cenário de renovação que precisa influenciar nos transportes

Economia dá sinais de que retomada deve continuar. Novos governos estaduais devem pensar em regiões metropolitanas

ADAMO BAZANI

O ano de 2019 marca o início de novas gestões, tanto federal, como nos Estados.

A melhoria da mobilidade urbana, com reais investimentos nos transportes coletivos, deve estar na agenda daqueles que receberam a confiança da população e foram eleitos.

A retomada da economia, após quatro anos de crise, dá sinais que vai continuar em 2019, o que deve ser aproveitado para a mobilidade urbana.

Ainda sem grandes avanços, está no centro da questão o financiamento aos serviços de ônibus, trens e metrôs; ressalta-se, custeio não para as empresas operadoras, mas para a população.

O modelo pelo qual apenas as tarifas bancam os serviços já se mostrou defasado, insuficiente e injusto.

Os transportes coletivos beneficiam a todos, até mesmo quem usa carros, já que contribuem para a redução do trânsito e da poluição, com o melhor aproveitamento do espaço urbano.

Mas, apesar de beneficiar a todos, apenas uma parte da sociedade acaba financiando os transportes coletivos por intermédio das passagens.

Isso sem contar que os custos de benefícios sociais, como as gratuidades, em grande parte dos sistemas de transportes públicos do País são bancados pelo passageiro pagante.

Este fator perpetua o cenário antigo: as tarifas são caras para os passageiros que pagam, mas insuficientes para ampliar os investimentos para a melhoria dos transportes.

A palavra subsídio não deve assustar. Em grande parte do mundo, inclusive na América Latina, as tarifas são mais baixas e os serviços são melhores porque há complementações financeiras.

O caminho adotado pela maior parte das nações não é fazer com que saúde, educação e segurança percam dinheiro para a mobilidade, mas é adotar modelos pelos quais o transporte individual, que ocupa mais espaço urbano e polui mais, ajude a financiar as viagens de transportes públicos.

Projetos no Congresso não faltam. Como houve uma renovação de nomes entre os deputados e senadores, 2019 pode ser uma oportunidade de mostrar que a renovação também foi de ideias. A política que privilegia o transporte individual é ultrapassada e mostrou que causa mais danos que benefícios.

Mas para que os subsídios sejam de fato benéficos à população, os transportes coletivos devem ganhar eficiência, caso contrário, as subvenções vão financiar sistemas viciados que não beneficiam plenamente a sociedade.

Aí que entra a esfera estadual, que em grande parte do País deve ser renovada neste ano de 2019.

Os estados devem liderar em parceria com os municípios ações que realmente melhorem os transportes. A primeira delas é planejamento integrado.

Não adianta vários municípios, um ao lado do outro, com diretrizes diferentes.

As práticas devem ser conjuntas e não com cada cidade “olhando para seu umbigo”. O pensamento deve ser “metropolitano”, afinal, as pessoas não são aprisionadas cada uma em seu município.

Desta necessidade surgiu a defesa da criação das Autoridades Metropolitanas de Transportes que visam justamente a integração entre cidades e sistemas, tanto na infraestrutura, como na gestão e nas tarifas.

Outro passo importante é priorizar de fato o transporte coletivo no espaço urbano.

A falta de espaços como corredores de ônibus eficientes de acordo com a demanda também faz com que as tarifas sejam mais altas. Ônibus presos no trânsito, queimando combustível sem necessidade, frotas maiores para atender a demandas menores geram custos pela ineficiência que aumentam as tarifas.

Muitos também têm se iludido com o “conto” dos aplicativos de transportes como soluções de mobilidade. Os apps, como são chamados na moda, podem ajudar sim, mas como complementares aos serviços de grande e média capacidade, como metrô, trens metropolitanos e ônibus. Algumas empresas de aplicativos, mesmo negando no discurso, querem assumir um papel que não é delas, mas sem as responsabilidades e obrigações dos operadores regulares de transportes coletivos, como as gratuidades, horários e linhas fixos independentemente da demanda, manutenção dos veículos e encargos trabalhistas.

O ano é novo, muitos dos políticos eleitos também, mas os problemas são bem antigos.

Por isso, não é momento de se iludir pensando que a mudança do calendário é o suficiente.

O Brasil passa por questões sérias e antigas que devem ser encaradas com a mesma seriedade por parte dos eleitos e eleitores.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Paulo Gil disse:

    Amigos, bom dia.

    O problemas é que as questões sérias e antigas do Barsil NÃO PASSAM, PERSISTEM desde 1500; por isso nada muda.

    Espero que a partir de 2019 não se faça mais política CARIDADE e sim política FINANCEIRA.

    Não existe almoço nem enterro grátis.

    O caso do INSS, não há o que se discutir é pura matemática, mas também tem de implantar a inteligência artificial a serviço da coibição de fraudes.

    Outra questão a qual é um estelionato é que a contribuição que pagamos deve ser calculada de forma honesta, pois se o contribuinte só poderá receber o teto, sua contribuição tem de incidir somente pelo valor do teto e NÃO pelo salário cheio do contribuinte.

    No caso do buzão de Sampa da tristeza só de pensar.

    A linha Anhangabaú Parque Continental existe desde a década de 70 até hoje 2019, ou seja há 49 anos; inicialmente operada pela CMTC com os Monikas sob chassi Scania Vabis.

    Agora vejamos; tudo mudou mas a linha continua a mesma.

    Particularmente eu não vejo mais necessidade dela, talvez este seja alguns do motivos que contribui para o Corredor Rebouças ser o Parador Rebouças.

    Nada muda nesse Barsil, isto é que impede a evolução.

    Não adianta fazer a nova licitação mantendo uma linha com 49 anos de idade, depois do Corredor Rebouças, Metro 4 e duplicação da Corifeu.

    Sequer a fiscalizadora faz um projeto piloto em uma área, bairro ou vila para fazer mudanças e implantar melhorias, por isso a demanda do buzão continua caindo.

    Mais um exemplo de ineficiência, a travessia de pedestres oriundos da estação Vila Lobos da CPTM, já sugeri a construção de 2 passarelas, mas até agora nada – atrapalha o trânsito e os pedestres estão sujeitos a riscos de atropelamentos.

    Sem contar o eterno; “Cuidado com o vão e a altura entre o trem e a plataforma” que apesar de inúmeras tecnologias disponíveis hoje eles ainda existes há mais de 50 anos.

    Hoje tive uma nova ideia; para este problema.

    Instalar nas plataformas câmaras infláveis de PVC (tipo bote inflável), no formato de tubos ou retângulos estas ligadas a sensores e a um compressor de ar e um software e hardware e localizadas nos locais correspondentes as paradas as portas e os sensores calculam em função do tipo composição e da carga quanto as câmaras deverão receber de ar ou não (diminuir) para que fique um tipo de “almofada” eliminando o maldito vão e altura entre o trem e a plataforma.

    Vai dar certo ?

    Eu não sei, mas está já é a segunda ideia que eu tenho e a tono pública aqui no DIário.

    E a CPTM que projeto tem para eliminar esse problema CINQUENTÃO ????

    Não basta mudar os gestores, tem de mudar a forma de gestão eliminando 95% da leis, normas e procedimentos; caso contrário nenhum novo conseguirá fazer nada.

    Aliás o Barsil não precisa de gestão precisa de AÇÃO.

    Lembrando que o hoje o Rolls Royce presidencial fez uma conversão em cima da sinalização de solo, configurando infração ao CTB.

    https://www.youtube.com/watch?v=8ZXHi1Q6Z_4 (Aproximadamente em 2:53:31)

    Se fosse qualquer um de nós teríamos sido autuados e somados uns pontinhos em nossas CNH.

    Qual é o número da chapa do Rolls Royce Presidencial ???

    Só o contribuinte é que é penalizado no Barsil.

    Att,

    Paulo Gil

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