Morre Adriano Murgel Branco, um dos responsáveis pela modernização do sistema de trólebus em São Paulo

Adriano Murgel Branco, em entrevista concedida ao Diário do Transporte em junho de 2017

O engenheiro e administrador faleceu hoje aos 87 anos. Assista a uma entrevista para o Diário do Transporte, em 2017

ALEXANDRE PELEGI / ADAMO BAZANI

Morreu hoje, dia 23 de dezembro de 2018, aos 87 anos, o engenheiro e administrador Adriano Murgel Branco. O velório estava programado para as 15h:30, e o enterro às 17h:00 no Cemitério São Paulo.

Com uma extensa folha de serviços prestados aos transportes públicos no país, Adriano participou ativamente dos principais eventos que permitiram significativos avanços ao setor.

Atuou em importantes instituições públicas desde os anos 1950, e esteve à frente de projetos que inovaram a área de transportes e mobilidade urbana.

Um dos exemplos foi sua atuação como diretor de Trólebus, da CMTC – Cia Municipal de Transportes Coletivos no período, quando ficou responsável pela modernização e ampliação daquele sistema de transporte público.

Adriano foi um dos principais responsáveis pelo projeto Sistran, que revolucionaria o sistema de transportes na capital paulista, o maior da América Latina já em 1978, quando o plano foi implantado. Além de um aumento significativo da rede de trólebus, previa integrações com outros modais e uma nova geração de ônibus elétricos. São Paulo receberia 1.280 trólebus novos e a rede seria ampliada em 280 km , que se juntariam aos 115 km já existentes na época. O plano não foi plenamente colocado em prática por causa da falta de continuidade administrativa.

Adriano Branco sempre defendeu subsídios e o financiamento público do setor de transportes, mesmo sendo operado por empresas privadas. Segundo o engenheiro, com base em sua experiência, é possível notar que os transportes trazem lucro para toda a sociedade por meio de benefícios sociais e econômicos, as chamadas externalidades, que não são repassadas para o setor novamente.

Em 1956 casou-se com Elza Galvão Branco, com quem teve três filhos: Cintia, Sandra e Alberto. Após o falecimento de Elza, em 1987, Adriano casou-se, anos depois, com Maria Arielze Rabelo Branco, a quem deixa viúva.

ASSISTA À ENTREVISTA PARA O DIÁRIO DO TRANSPORTE, REALIZADA EM JUNHO/2017, COM APOIO DO CANAL MOVA-SE:

HISTÓRICO – LINHA DO TEMPO

Adriano nasceu em 1931, no dia 15 de novembro, Adriano Murgel Branco, filho de Plinio Antonio Branco e Maria Murgel Branco.

Em 1956, iniciou suas atividades na Prefeitura Municipal de São Paulo, na função de estudante assistente. Adriano formou-se nesse mesmo ano na Universidade Mackenzie como engenheiro eletricista e conquistou o cargo de engenheiro auxiliar na CMTC nesse mesmo ano.

Em 1957, aos 26 anos, iniciou seu cargo de professor na Escola de Engenharia Mackenzie, onde ficou até 1964.

Em 1960 iniciou atividades administrativas na empresa de organização e planejamento, a COPLAN, no cargo de diretor, onde ficou até 1967. Ainda em 1960, começou a trabalhar na área de consultoria.  No ano seguinte participou da criação do Instituto Mauá de Tecnologia (IMT), em 11 de dezembro daquele ano.

Em 1963 Adriano deu início às suas atividades de diretor do Grupo Trol S.A. onde ficou por 10 anos; em 1964 assumiu uma cadeira de professor na Escola de Engenharia Mauá. Em 1977 encerrou sua atividade de professor titular na Escola de Engenharia Mauá, permanecendo, entretanto, como diretor do Centro de Cursos Especiais de Administração, precursor da Faculdade de Administração do mesmo Instituto Mauá de Tecnologia.

Em 1972 publicou sua primeira monografia intitulada “Acidentes Rodoviários – Sinalização e Segurança”. Neste ano, participou como conferencista na International Road Federation, uma reunião das organizações rodoviárias.

Em 1973 passou a trabalhar como diretor na Coferraço S.A., e nesse ano recebeu, pelo exercício da atividade e o processo de regulamentação em curso, o diploma de administrador.

Em 1975 publicou “Normatização Brasileira de Defensas Rodoviárias”. Nesse ano deixou seu cargo de diretor na Coferraço S.A. e iniciou atividades administrativas como diretor da SETRA S.A., empresa que criou, especializada em segurança rodoviária.

Em 1977 deixou a SETRA S.A. e começou seu trabalho como diretor de Trólebus, da CMTC – Cia Municipal de Transportes Coletivos no período, quando ficou responsável pela modernização e ampliação daquele sistema de transporte público.

Em 1978, Adriano lançou as seguintes monografias: “Trólebus e as Tendências Modernas dos Transportes Coletivos sobre Pneumáticos” e “Transporte Urbano por Trólebus”.

Em 1979 terminou o seu mandato na CMTC.

Em 1983 passou a ser membro do Conselho de Administração da Vasp e membro do Conselho de Administração da CMTC. Neste ano, foi conferencista no Seminário Internacional de Transporte Público Confinado, realizado pela Asociación Mexicana de Ingeniería de Transito y de Transporte.

Em 1984 passou a ocupar o cargo de secretário de Estado dos Transportes de São Paulo, na gestão de Franco Montoro.

Em 1986, como secretário estadual de Transportes de São Paulo, tornou-se coordenador do Fórum Nacional dos Secretários Estaduais dos Transportes.

Em 1987 passou a ocupar o cargo de Secretário de Estado da Habitação, em São Paulo, quando passou a ocupar o cargo de presidente do Fórum Nacional dos Secretários Estaduais de Habitação.

Neste ano, Adriano perde a esposa, Elza Galvão Branco.

Em 1990 lançou monografia “Concessão dos Serviços de Utilidade Pública”. E em 1992 entrou na CAIO S.A., em Botucatu, no cargo de diretor, onde ficou até 1994.

Em 1993, por seus trabalhos em consultoria, Adriano Branco passou a atuar como diretor da AM Branco Consultoria S.C. Ltda.

Em 1994, lançou monografia “Desenvolvimento e Planejamento no Estado de São Paulo”. Nesse mesmo ano passou a integrar o Conselho Deliberativo do Instituto de Engenharia de São Paulo.

Em 1995 passou a atuar como membro do Conselho de Administração da DERSA – Desenvolvimento Rodoviário S.A. , e do Conselho de Administração do Metrô – Companhia do Metropolitano de São Paulo e membro do Conselho de Administração da CPTM – Companhia Paulista de Trens Metropolitanos, onde ficou até o ano 2000.

Em 2006, lançou a monografia “O Financiamento de Obras e de Serviços Públicos”, em conjunto com o jurista Adilson Dallari, e ano seguinte publicou a monografia “Desenvolvimento Sustentável na Gestão de Serviços Públicos”.

Em 2008 Adriano Branco recebeu o título de Eminente Engenheiro do Ano pelo Instituto de Engenharia, e em 2012 recebeu o título de membro titular da Academia Nacional de Engenharia.

Adriano participou ativamente da história da ANTP – Associação Nacional de Transportes Públicos desde sua fundação, tendo sido um frequente colaborador da Revista dos Transportes Públicos.

PARA CONHECER O PENSAMENTO DE ADRIANO MURGEL BRANCO:

Retornos socioambientais

A Saga do Transporte Público

A agonia do Transporte Coletivo

Brasileiro é IMPRODUTIVO

Como melhorar a Mobilidade Urbana

Imobilidade urbana em São Paulo

Mobilidade Urbana em São Paulo

O Infatigável Jorge Wilheim

Movimentos Populares – Equilíbrio Econômico do Transporte

Alexandre Pelegi e Adamo Bazani, jornalistas especializados em transportes

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