Cabral optou pelo silêncio em audiência sobre corrupção no setor de transportes no Rio de Janeiro

Foto: Fabio Motta

Empresário Jacob Barata confirmou em depoimento nesta semana que o ex-governador recebeu R$ 146 milhões de repasses da Fetranspor entre 2010 e 2016

ALEXANDRE PELEGI

Vou optar por me manter em silêncio“.

Essas foram as únicas palavras do ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, no interrogatório da Operação Ponto Final conduzido pelo juiz Marcelo Bretas nesta sexta-feira, dia 14 de dezembro de 2018.

A Operação é um desdobramento da Lava Jato no Rio de Janeiro.

O empresário Jacob Barata Filho havia dito em depoimento nesta semana que o setor de ônibus repassou R$ 145 milhões ao ex-governador no período de 2010 a 2016. Barata confirmou as denúncias do Ministério Público Federal (MPF), mas não esclareceu se o dinheiro era destinado para campanha eleitoral ou propina.

Barata depôs na quarta-feira, 12, ao juiz Marcelo Bretas. Relembre: Jacob Barata diz que setor de ônibus repassou R$ 145 milhões a Sérgio Cabral desde 2010

Os advogados de defesa do ex-governador afirmam que o empresário não apresentou provas.

Barata afirmou em seu depoimento que quem tratava diretamente de pagamentos era o ex-dirigente da Fetranspor (Federação das Empresas de Ônibus) José Carlos Lavouras, atualmente no exterior, foragido da Justiça.

Considerado o “rei do ônibus” no Rio de Janeiro, o empresário foi preso sob a acusação de pagar propina a autoridades do Rio de Janeiro, e hoje está em regime de prisão domiciliar.

Já o ex-governador foi condenado em 9 processos dentre os 26 em que está envolvido. As penas até agora somam 198 anos de prisão na Justiça Federal do Paraná e do Rio de Janeiro.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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