Jacob Barata diz que setor de ônibus repassou R$ 145 milhões a Sérgio Cabral desde 2010

Rio de Janeiro - Em mais um desdobramento da Operação Lava Jato, a Polícia Federal cumpriu mandados de prisão na operação batizada de Ponto Final. Na foto o empresário Jacob Barata Filho, preso ontem (2) no Aeroporto Internacional Tom Jobim/Galeão (Tânia Rêgo/Agência Brasil)

Empresário depôs ao juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal, nesta quarta-feira

JESSICA MARQUES

Com informações da Agência Brasil

O empresário Jacob Barata Filho disse em depoimento que o setor de ônibus repassou R$ 145 milhões ao ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral, no período de 2010 a 2016.

Barata depôs na tarde desta quarta-feira, 12 de dezembro de 2018, ao juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal, no âmbito da Operação Ponto Final.

Ainda de acordo com o empresário, quem tratava diretamente de pagamentos era o ex-dirigente da Fetranspor (Federação das Empresas de Ônibus) José Carlos Lavouras, atualmente no exterior, foragido da Justiça.

Em depoimento, Barata ressaltou que ele jamais entregou qualquer valor a Cabral e que os repasses eram feitos apenas por Lavouras.

Segundo informações da Agência Brasil, Barata contou a Bretas que a prática do pagamento de propinas a políticos era muito antiga no estado do Rio de Janeiro, e que isso só não ocorreu durante o governo de Leonel Brizola, que acabou encampando algumas empresas.

O empresário desmentiu a informação de que sua família possui grande participação no setor. Por essa fama, Barata é chamado de “rei dos ônibus”.

Sobre a afirmação, Barata diz que sua família possui 12% do setor municipal e 5% do intermunicipal. Durante o interrogatório, foi revelado ainda que existe um outro processo, do Ministério Público Federal (MPF), que investiga as relações do setor de ônibus com o poder municipal, mas que a investigação está sob sigilo.

O dono de um dos maiores conglomerados de empresas de ônibus do País e o maior do Rio de Janeiro, no âmbito de uma colaboração premiada, admitiu oficialmente que repassou recursos por caixa dois para políticos e agentes públicos no Estado do Rio de Janeiro.

A confissão ocorreu em 24 de agosto deste ano ao próprio juiz Marcelo Bretas, como noticiou o Diário do Transporte.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2018/08/24/jacob-barata-filho-e-lelis-teixeira-admitem-pela-primeira-propina-para-deputados-e-agentes-publicos/

Em outubro, o juiz Marcelo Bretas concedeu direito a prisão domiciliar para o empresário de ônibus Jacob Barata Filho, réu confesso em processo sobre um esquema de corrupção envolvendo o setor de transporte de passageiros, políticos e agentes públicos.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2018/10/03/jacob-barata-filho-passa-a-cumprir-pena-em-prisao-domiciliar/

Jessica Marques para o Diário do Transporte

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