Mais de 750 ônibus do transporte metropolitano de BH já foram reprovados em vistoria

Imagem meramente ilustrativa (Foto: Vitor Rodrigo Dias)

De janeiro a outubro deste ano, fiscalização do DEER retirou veículos das ruas após detectar problemas nas partes mecânica e elétrica, como ainda no layout dos carros

ALEXANDRE PELEGI

O Departamento de Edificações e Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DEER) divulgou um relatório que traz os resultados da fiscalização de 1.339 ônibus do transporte público metropolitano de Belo Horizonte.

As vistorias feitas pelo órgão estadual de janeiro a outubro deste ano mostram que de cada dez veículos que prestam serviços para o transporte público metropolitano de Belo Horizonte, ao menos cinco têm problemas que obrigam seu recolhimento às garagens.

Foram 753 ônibus retirados das ruas nesses dez meses após a vistoria detectar problemas nas partes mecânica e elétrica, como ainda no layout dos carros.

Matéria publicada hoje pelo portal Hoje em Dia, que teve acesso ao relatório, destaca os principais problemas: pneus carecas, freios com defeito, elevadores inoperantes, pintura deteriorada e ausência dos letreiros de identificação da linha.

Os problemas encontrados pela fiscalização da autarquia estadual produziram um aumento de 133% nas multas aplicadas às concessionárias: de janeiro a outubro deste ano foram 1.654 autuações, contra 708 no mesmo período de 2017.

As inspeções, segundo o DEER, são feitas por demanda, após denúncias, e em operações pontuais. Ou seja, não há garantia que toda a frota seja vistoriada.

Quando o veículo é reprovado, a viação é notificada e deve colocar outro carro na rua.

No primeiro semestre de 2018 o sistema de transporte metropolitano por ônibus de Belo Horizonte carregou mais de 105 milhões de pessoas, com uma frota composta por 2.765 veículos. Desse total, o DEER não informa a quantidade exata quantos foram vistoriados, isso porque as inspeções podem ocorrer mais de uma vez no mesmo veículo, segundo o órgão.

Além de falhas mecânicas e operacionais, as reclamações dos usuários se concentram em descumprimento do quadro de horário, recusa de passageiro e estado de conservação.

O DEER informa ainda, segundo a legislação, é de responsabilidade das empresas manter a frota “em perfeitas condições de uso e realizar as devidas manutenções preventivas e corretivas dos veículos”.

O Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros Metropolitano (Sintram) informou ao portal Hoje em Dia que as empresas operadoras do sistema “trabalham para sanar de forma imediata os problemas apontados”.

Já a Secretaria de Transportes e Obras Públicas (Setop) respondeu que um decreto de 2014 admite vida útil de até 18 anos para os carros mediante a apresentação de laudo de vistoria. “Não existe, porém, nenhum veículo nestas condições”, afirma a Setop, segundo a qual a idade média da frota da Grande BH é de 7,6 anos.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

Compartilhe a reportagem nas redes sociais:
Comentários

Comentários

  1. Carlos Santana disse:

    7,6 anos é muito ! Isto requer vistorias programadas a intervalos de 90 dias, além das BLITZ em itinere, caso contrário a população sofrerá com a defciência…

  2. E quanto ao caso dos veículos sem cobrador, há alguma novidade, equipe do Diário do Transporte?

Deixe uma resposta