Futuro ministro de Bolsonaro diz que vai rever política de tabela de fretes e estimular que “o mercado a pratique”

Caminhões em área de descanso. Tabela de fretes deve ser revista no início da gestão Bolsonaro. Foto: Adamo Bazani/Diário do Transporte – Clique para Ampliar

Tarcísio de Freitas, que vai comandar a pasta de infraestrutura, diz que equipe de transição já ouve caminhoneiros e setores da indústria e da agropecuária

ADAMO BAZANI

A política de tabela de fretes para os caminhoneiros deve ser revista logo no início da gestão do presidente eleito Jair Bolsonaro.

É o que prometeu o futuro ministro da Infraestrutura, pasta que vai abranger o atual Ministério dos Transportes, Tarcísio de Freitas.

Em entrevista à agência Reuters, Tarcísio de Freitas, disse que o primeiro objetivo é estimular que o tabelamento seja uma prática de mercado.

“Num primeiro momento, vamos ter um carinho com a tabela, vamos revisar a tabela, estimular que o mercado a pratique”

O futuro ministro disse ainda que a equipe de transição de Bolsonaro já mantém diálogos com representações de caminhoneiros e com os setores da indústria e da agropecuária, estes que têm reclamado dos preços estipulados, alegando que podem encarecer a cadeia produtiva e o valor final dos produtos aos consumidores.

Os caminhoneiros autônomos, por sua vez, alegam que o tabelamento é necessário porque o mercado acaba praticando preços inferiores aos custos, obrigando que os motoristas façam longas jornadas para que o trabalho compense.

Freitas ainda disse à agência que outro objetivo é eliminar os atravessadores.

“Vamos atuar na melhoria das condições para o caminhoneiro. Eliminar o intermediário da operação, (o objetivo é ter) ‘link’ direto entre caminhoneiro e embarcador. O intermediário tira
receita do caminhoneiro, temos que eliminar o atravessador, criar condições para negociação direta do frete”
– disse o Freitas que ainda afirmou que o governo vai estimular a criação de cooperativas de transporte para que os caminhoneiros negociem melhor os fretes.

Novamente, o futuro ministro recorreu a práticas de mercado para que sejam exercidos valores considerados mais justos para os fretes. Segundo Freitas, com o aquecimento da economia e maior demanda por transportes, as condições dos caminhoneiros vão melhorar.

“A partir do momento que aumentar a demanda por transporte, que a economia começar a crescer, acho que a situação financeira da categoria vai melhorando, conjugando com medidas como eliminação de atravessadores”

Na manhã desta segunda-feira, 10 de dezembro de 2018, caminhoneiros realizaram uma série de protestos contra uma decisão do dia 6, proferida pelo ministro do STF – Supremo Tribunal Federal, Luiz Fux, que proibiu multas pela ANTT – Agência Nacional de Transportes Terrestres, pelo não cumprimento da tabela.

Houve pontos de concentração em rodovias como a Presidente Dutra e no Porto de Santos.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2018/12/10/caminhoneiros-fazem-manifestacoes-na-manha-desta-segunda-feira/

A decisão de Luiz Fux, do último dia 6, atendeu a ação da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e é provisória.

A Advocacia Geral da União (AGU) informou que já estuda as estratégias jurídicas para rever a decisão de Fux.

O assunto será levado ainda ao plenário do STF.

A criação de tabelas de preços mínimos de frete foi uma das reivindicações dos caminhoneiros autônomos na greve de maio deste ano.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Carlos Santana disse:

    Em qualquer estrutura bem gerida o mercado é que regula os preços, me parece uma afronta estabelecer preços minimos em um país de dimensões continetais….

  2. CARRETEIRO disse:

    SE O SETOR EMPRESARIAL FOSSE HONESTO NÃO SERIA NECESSÁRIO TABELA,MAS ELES SÓ QUEREM PARA ELES,UM PNEU CUSTAR R$ 2.650,00 O OLEO DIESEL OUTRO ABSURDO, PEDÁGIOS OS MAIS CAROS DO MUNDO,E ELES QUEREM PAGAR UM FRETE QUE NÃO COBRE AS DESPESAS DA VIAGEM.

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