Motos invadem livremente corredor de ônibus da Consolação e motoristas e passageiros reclamam de falta de fiscalização

Em alguns momentos, passam mais motos que ônibus no corredor ... de ônibus.

Na última sexta-feira, reportagem do Diário do Transporte presenciou mais de 30 motocicletas no espaço destinado a quem opta pelo ônibus ou táxi. CET diz que fiscaliza e pede para procurar multas em site

ADAMO BAZANI

Colaborou Jessica Marques

Um desfile de motos de todos os portes. Desde as mais simples dos “motoboys” até os modelos que custam mais que muito carro zero quilômetro.

É assim que se parecem alguns trechos do corredor de ônibus da Rua da Consolação, um dos mais importantes da cidade que integra o eixo Corredor Campo Limpo – Rebouças – Centro, ligando a zona Sul à região central, permitindo acesso ao metrô da linha 3-Vermelha, 4-Amarela e à linha 2-Verde e a pontos de interesse comercial e turístico como a Avenida Paulista.

Na manhã desta sexta-feira, 23 de novembro de 2018, a reportagem do Diário do Transporte percorreu toda a extensão do corredor e verificou que o desrespeito dos motociclistas é grande, e o pior, a postura é estimulada pela certeza da impunidade.

Entre às 8h30 e 9h00, a reportagem do Diário do Transporte ficou no canteiro central no encontro com a Rua Sergipe.

Somente neste período, foi possível constatar mais de 30 motos trafegando sem nenhum receio pelo corredor que deveria ser exclusivo do transporte público.

Em alguns momentos, os motociclistas saíam da faixa de tráfego comum, entravam no corredor, voltavam para a faixa convencional logo ao lado para ultrapassar os ônibus e voltavam para o corredor, quase fechando os coletivos.

Atitudes que podem causar acidentes.

O motorista de uma das linhas de ônibus que passam pelo local, Josevaldo Teixeira, relata que já teve de frear bruscamente para evitar a colisão com uma moto.

“Estava descendo a Consolação pelo corredor a menos de 50 por hora (50 km/h). O ônibus tem ponto cego. Não vi o motoqueiro me cortando, quando percebi, ele foi para a minha frente e acho que freou não sei por que. Tive de frear também rápido, estava dirigindo um articulado. Isso aqui é uma vergonha. Ninguém fiscaliza.” – disse.

A aposentada Cleonice Souza Lopes disse que quase foi atingida por uma moto no mês passado.

“Uso o ônibus no corredor direto. A gente normalmente olha para o corredor esperando vir um ônibus, que é grande. Aí, de repente aparece uma moto. Tive de dar um passo atrás. Nem o farol [semáforo] estes doidos respeitam. Cadê a prefeitura para ver isso?.”  – questiona.

Pelo menos no período que a reportagem ficou no cruzamento, a prefeitura não viu nada.

Nenhum agente da CET – Companhia de Engenharia de Tráfego passou pelo local.

OUTRO LADO:

Em nota, a CET diz que fiscaliza o corredor com agentes e radar.

“Informamos que a Rua da Consolação é fiscalizada através de rotas operacionais ativadas de segunda à sexta-feira nos picos manhã e tarde e entre-picos, visando coibir o desrespeito ao Código de Trânsito Brasileiro. Salientamos que existe também fiscalização eletrônica na altura do nº 1272 da Rua da Consolação, através da qual as motocicletas que invadem o corredor de ônibus também são autuadas. Ressaltamos que a fiscalização na faixa exclusiva também é feita pelos Técnicos da SPTrans.”

Questionada sobre o total de multas aplicadas aos motociclistas infratores, a CET passou o link da página “Mobilidade Segura”, da prefeitura.

Ao consultar o site, o Diário do Transporte encontrou apenas quatro multas neste ano no ponto entre a Rua Sergipe e a Rua da Consolação.

Em toda a cidade, neste ano, segundo ainda os dados do site Mobilidade Segura, da prefeitura de São Paulo, foram 15.057 multas manuais e 3.443 multas eletrônicas para motociclistas que invadem faixas ou corredores de ônibus.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Colaborou Jessica Marques

Compartilhe a reportagem nas redes sociais:
Comentários

Comentários

  1. Pedro disse:

    Adamo aqui na Radial Leste ao lado do Metro Carrão os motoqueiros andam nas faixas de ônibus e passam o farol vermelho as vezes até na frente das viaturas de policia e da CET e eles nem multam, eles tem preguiça de anotarem a placa e uma vergonha, tinha que ter câmera eletrônica,

  2. Renato Vieira dos Santos disse:

    Com a sua reportagem, Adamo, se desconstrói a famosa “Indústria da multa”.

    1. André Magalhães disse:

      Pelo contrario, a industria existe sim…
      Estão aí os bravos trabalhadores que geram tantas multas!
      Se respeitassem a lei não haveria multa nenhuma!
      Parece algo tão simples mas as pessoas não tem a minima capacidade de compreender isso, de compreender que a lei tem que ser respeitada! Eles dão um jeito sempre de burlar a lei! Em vez de respeitar as leis e dar prejuizo a CET eles desrespeitam e fazem a empresa faturar milhões!!! A ”mentalidade” do povo habilitado é assim mesmo, preferem receber multa do que obedecer a lei.

  3. Anônimo disse:

    O certo é dar multa de R$ 3 MILHÕES nesses motoqueiros que furam sinal vermelho e invadem corredor de ônibus!!! TODO MOTOQUEIRO É FOLGADO!!!!

  4. Pedro disse:

    Ele querem andar a 100 km por hora, passar sinal vermelho, para encima das faixas de pedestres e não serem multados, tem que multar sim e aumentar os valores das multas em 10 vezes, para quem obedece as leis e regras não tem industria da multa, mete multa mesmo, alias poem sistema eletrônico em todas as esquinas as multas pagaram os investimentos.

Deixe uma resposta