Estação Memória, o túnel do tempo dos transportes na Sé que vale a pena percorrer

Estação Memória, dentro da Estação da Sé, é uma das iniciativas nas comemorações pelos 50 anos da Companhia do Metrô de São Paulo

Exposição especial, no formato de um túnel de metrô, mostra como a metrópole se relaciona com os transportes

ADAMO BAZANI

Transportes são vida, movimento e evolução.

Talvez na correria do dia a dia não é possível perceber como uma cidade e seus cidadãos são tão influenciados e influenciam nos diversos serviços de mobilidade.

Uma cidade está bem quando seus transportes também estão. Uma região se desenvolve quando os transportes evoluem.

Tudo isso fica muitas vezes mais fácil de entender quando é possível reservar um tempinho para olhar pelo retrovisor e passear pelo túnel do tempo.

É justamente isso que o Metrô de São Paulo proporciona com a Estação Memória, um espaço dentro da estação Sé (das linhas 1-Azul e 3-Vermelha) reservado para contar a história da relação dos transportes com a metrópole.

Jardineiras (ônibus rústicos feitos de madeira), bondes, trens, ônibus, trólebus, metrô … todos têm ou tiveram papel fundamental para que São Paulo se tornasse a cidade que nunca dorme.

Conforme o Diário do Transporte mostrou, o espaço foi aberto nesta semana e ficará disponível para visitação inicialmente de segunda-feira a sexta-feira, das 9h às 18h.  A exposição vai durar dois anos e ao longo deste tempo devem surgir novidades. A visitação é gratuita.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2018/11/06/exposicao-conta-a-historia-do-primeiro-metro-do-brasil/

Nesta sexta-feira, 09 de novembro de 2018, a reportagem do Diário do Transporte esteve no local. Pelo túnel, com fotos, vídeos, mapas, uniformes dos metroviários e passes de diversas épocas, é possível percorrer em poucos minutos mais de 146 anos de história, dos quais 50 anos da Companhia do Metrô.

Tudo começa pela “Cidade Antes do Metrô”, com dados e mapas desde 1872, que mostram que a São Paulo ainda tinha área urbana pequena, mas que já era notória sua aspiração à metrópole.

Mapas das linhas de bondes da Light & Power, fotos dos ônibus prateados da cidade (até os anos de 1960 era comum os coletivos terem a lataria polida), uma imagem da evolução que representou a chegada dos trólebus em 1949, desenhos e esboços dos planejamentos para uma rede metroviária e muito material sobre a construção do Metrô em São Paulo…tudo isso se torna no túnel do tempo, documentos vivos que não deixam dúvida: os transportes públicos conduziram a pacata cidade ao status de metrópole.

Muitos materiais que estão no museu pertencem ao metroviário apaixonado pelo sistema e pela mobilidade em geral, Emerson Juilão.

Abaixo algumas das imagens e documentos, uma pequena parte do rico material que pode ser conferido e vivido na Estação Memória, dentro da estação da Sé.

Antes da entrada da Estação Memória, aérea para descanso e interação com números que mostram a grandiosidade do Metrô de São Paulo, apesar da malha acanhada diante das necessidades da população

A cidade antes do Metrô; em 1872, população era de 31 mil habitantes. Hoje, são mais de 12 milhões.

Mapa mostra a rede de bondes em 1907 na cidade de São Paulo. Em muitas cidades desenvolvidas, ainda são mantidos serviços de bondes tradicionais.

A chegada dos trólebus, ônibus movidos à energia elétrica conectados à fiação, representou já no final dos anos 1940, a evolução e qualificação dos transportes. Diversas cidades, principalmente na Europa, investem na expansão e modernização dos trólebus. Em São Paulo, são apenas 200 veículos atualmente; no Corredor ABD, são em torno, de 70 trólebus; e em Santos, frota é de seis veículos, que não operam todos ao mesmo tempo.

Imagens das primeiras obras do Metrô de São Paulo e chegada das composições que inauguraram os serviços. Era a frota A.

Construção da estação e pátio no Jabaquara, nos anos 1960, uma evolução na cidade. No detalhe, um ônibus monobloco Mercedes-Benz O-321, da Viação Campo Belo, uma das empresas mais tradicionais de São Paulo.

Mapas e cadernos técnicos históricos do Metrô dos anos 1970 e 1980.

Os diferentes modelos de passes do Metrô de São Paulo, com a tecnologia Edmonson, de papel com tarja magnética. Era a “bilhetagem eletrônica” que começava a vir com a modernização para a cidade que representou o Metrô.

Os primeiros uniformes usados pelos funcionários do Metrô a partir de 1972.

Com o tempo, os uniformes foram evoluindo com novos materiais, funcionalidades e visuais condizentes a cada época.

Construção da linha 1-Azul do Metrô. Vista aérea da Avenida Tiradentes e, na imagem, um trólebus da CMTC – Companhia Municipal de Transportes Coletivos – dois meios de transportes limpos e viáveis sob vários aspectos.

Certamente uma das imagens mais emblemáticas para quem, acima de modais, defende a mobilidade, com a integração de diversos meios de transportes. No final dos anos 1970, no Terminal Santana, a foto retrata as primeiras “comunicações” da rede de ônibus com o Metrô. No detalhe do para-brisa do Carbrasa / Mercedes-Benz, as tarifas para o uso apenas do ônibus (Cr$ 1,20) e da viagem com integração ônibus + metrô (Cr$ 1,80). A mobilidade dever se multimodal, com a caminhada, a bicicleta, os ônibus e os trilhos funcionando em perfeita harmonia e complementariedade.

Emerson Julião que reuniu boa parte do material exibido na Estação Memória.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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