Por dia, 104 ônibus metropolitanos quebram ou falham na Grande São Paulo

Falhas e quebras atrasam cotidiano de passageiros na Grande São Paulo, principalmente em linhas com maiores intervalos. Foto: Adamo Bazani / Clique para ampliar – Foto ilustrativa

EMTU diz que índice é baixo levando em conta a quilometragem percorrida pelos coletivos. 

ADAMO BAZANI

Colaboraram Alexandre Pelegi e Jessica Marques

Muita gente que andou nos ônibus intermunicipais gerenciados pela EMTU – Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos nos 39 municípios da Grande São Paulo, entre janeiro e agosto deste ano, com certeza teve algumas viagens interrompidas por causa de quebras e falhas nos veículos.

Neste período, foram registradas pela gerenciadora de transportes do Governo do Estado, 25.091 ocorrências deste tipo com os ônibus, o que dá uma média de 3.136 falhas ou quebras por mês ou 104 por dia.

Em 2017, o número acumulado de quebras foi maior ainda: 30.375 entre janeiro e agosto e de 43.436 em todo o ano.

Assim, entre janeiro e agosto de 2017 e o mesmo período em 2018, a queda das ocorrências foi de, em média, 17,4%.

Os dados foram obtidos pela reportagem do Diário do Transporte por meio da Lei de Acesso à Informação.

A quantidade de ônibus em circulação entre 2017 e 2018, tomando como base os dados fornecidos pela EMTU, teve uma pequena variação. Em 2017, eram 4.518 ônibus registrados no sistema regular na Grande São Paulo (base do mês de dezembro) e, em 2018, 4.496 veículos (base do mês de julho). A gerenciadora diz que o índice de quebra é baixo se for levada em consideração a quilometragem percorrida nas linhas. Já representes de empresas de ônibus disseram que as condições adversas de operação contribuem para os números (veja as respostas na íntegra mais abaixo).

NÚMEROS ABSOLUTOS:

Entre janeiro e agosto, o período disponibilizado, a maior parte dos casos de quebras e falhas de ônibus metropolitanos em números absolutos ocorreu com o Consórcio Intervias, que atende a área 1 da EMTU, formada pelas cidades de Cotia, Embu das Artes, Embu-Guaçu, Itapecerica da Serra, Juquitiba, São Lourenço da Serra, Taboão da Serra, Vargem Grande Paulista e São Paulo.

Neste período, foram 8.442 casos de falhas e quebras com o Consórcio Intervias. A área 1 tem uma frota de 866 ônibus.

O segundo colocado é o Consórcio Internorte com 6.362 ocorrências. O Consórcio Iternorte opera a área 3, da EMTU, formada por Arujá, Guarulhos, Mairiporã, Santa Isabel e São Paulo. O consórcio também é responsável pelos ônibus Airport Service, seletivos que partem dos aeroportos de Congonhas e de Guarulhos. A frota da área 3 é de 909 ônibus.

Na terceira posição do ranking de falhas e quebras, aparece o Consórcio Unileste, com 4.106 ocorrências. O Unileste atende a área 4 da EMTU, cujos municípios são  Biritiba Mirim, Ferraz de Vasconcelos, Guararema, Itaquaquecetuba, Mogi das Cruzes, Poá, Salesópolis, Suzano e São Paulo. Na área 4, são 364 ônibus.

Em quarto lugar aparece a Área 5, que é operada por empresas isoladas, sem vínculo em consórcio. Foram entre janeiro e agosto, 3.207 falhas e quebras. A área 5 corresponde ao ABC Paulista, formado pelas cidades de Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra. A frota da área 5, é de 748 ônibus.

O lote operacional onde ocorrem menos casos de quebras em números absolutos é a área 2, composto por Barueri, Cajamar, Caieiras, Carapicuíba, Francisco Morato, Franco da Rocha, Itapevi, Jandira, Osasco, Pirapora do Bom Jesus, Santana de Parnaíba e São Paulo. Foram 2974 falhas-quebra. As operações são de responsabilidade do Consórcio Anhanguera. No total, são 1.353 ônibus no sistema regular.

PROPORÇÃO ENTRE QUEBRAS E FROTAS:

Levando em conta a proporção entre o número de falhas e a quantidade de veículos,entre janeiro e agosto, o ranking das aéreas operacionais gerenciadas pela EMTU tem alterações.

Em primeiro lugar aparece a área 4, operada pelo Consórcio Unileste, com índice de 11,2.

Na segunda colocação está a área 1, servida pelo Consórcio Intervias, com índice de 9,7.

Em seguida, na terceira colocação, figura a área 3, prestada pelas linhas do Consórcio Internorte, cujo índice de quebra pela frota é de 6,8.

Na quarta posição está a área 5, operada por diversas empresas no ABC, com índice de quebra com base na frota de 4,3.

Em quinto lugar, está a área 2, servida pelo Consórcio Anhanguera, com índice de 9,7.

Em relação à contribuição de cada área para o total de falhas no mês, novamente a área 04 surge como a mais problemática.

Em 2018, de janeiro a agosto, esta contribuição para o total de falhas a cada mês sempre ficou acima dos 30%, superando as demais áreas. E no acumulado do ano, do total geral de 25.099 falhas, a área 4 foi responsável por 33,6% desse total – praticamente uma falha em cada três.

Já em 2017, com exceção dos meses de janeiro, fevereiro e agosto – quando foi superada pela área 5, do ABC–, em todos os demais a área 4 também foi a que apresentou mais falhas. E no acumulado do ano, de janeiro a dezembro de 2017, das 43.447 falhas, a área 4 foi também a primeira do ranking negativo, com 29,6% do total de todas as falhas do sistema.

Em resumo, é possível verificar que de 2017 para 2018 a área 04 aumentou sua participação no total de falhas do sistema.

Apesar de o total geral de falhas no período janeiro-agosto ter caído de 2017 para 2018 (redução de 17,4%), a área 04 aumentou sua participação negativa no período, passando de 28,2% em 2017 para 33,6% no mesmo período em 2018.

RESPOSTA:

A EMTU informou em resposta aos questionamentos do Diário do Transporte que em relação ao total de quilômetros percorridos, o índice de quebra é baixo. A gerenciadora de transportes metropolitanos ainda diz que realiza fiscalizações e inspeções sobre a qualidade da frota, analisando mais de 500 itens relacionados à manutenção e conservação dos coletivos.

Veja abaixo o posicionamento na íntegra:

Os números absolutos de ocorrências de falhas e quebras não refletem a complexa operação do sistema metropolitano de transporte por ônibus na Grande São Paulo.

É primordial levar em conta a quilometragem percorrida pelos veículos e a qualidade da malha viária por onde circulam os ônibus.

Ao relacionar as falhas e quebras com a quilometragem média percorrida pelos veículos dos consórcios e empresas operadoras (relação que consideramos mais próxima da realidade), verificamos os seguintes valores:

 2017 – falhas/ quebras por km percorrido

 Área 1 – Intervias: 0,0023

Área 2 – Anhanguera: 0,0006

Área 3 – Internorte: 0,0011

Área 4 – Unileste: 0,0045

Área 5 (permissionárias e Corredor ABD): 0,0020

 2018 (até agosto) – falhas/ quebras por km percorrido

 Área 1 -Intervias: 0,0016

Área 2 – Anhanguera: 0,0004

Área 3 – Internorte: 0,0011

Área 4 – Unileste: 0,0017

Área 5 (permissionárias e Corredor ABD): 0,0008

 Seguem abaixo tabelam de quilometragem média percorrida pelos ônibus de linhas intermunicipais nas cinco áreas operacionais da Grande SP:

A EMTU realiza fiscalizações e inspeções regularmente no transporte intermunicipal e monitora a operação das linhas, de forma eletrônica e em tempo real, por meio do Centro de Gestão e Supervisão a fim de garantir a qualidade do serviço prestado. As inspeções são feitas com a verificação rigorosa de cerca de 500 itens relacionados à manutenção e conservação dos coletivos. Na constatação de problemas e condições inapropriadas de operação, o veículo fica retido até o devido reparo e a empresa operadora é autuada.

Em veículos com até dez anos de fabricação, as inspeções são realizadas uma vez por ano. Em ônibus que estão em operação há mais de dez anos, as verificações ocorrem a cada seis meses. Além disso, as equipes da EMTU se deslocam às garagens para realizar inspeções aleatórias ou após denúncias específicas.

VIÁRIO:

Gestores de empresas de ônibus que prestam serviços metropolitanos em São Paulo disseram ao Diário do Transporte que realizam manutenções nos veículos, mas que as condições de operação interferem no total de quebras e falhas.

A qualidade do viário é um dos aspectos apontados pelas viações.

Nenhum represente de empresa de linha metropolitana quis ser identificado em entrevista.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Colaboraram Alexandre Pelegi e Jessica Marques

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