Aos sete anos de operação comercial plena em São Paulo, ViaQuatro estima 1 milhão de passageiros por dia com conclusão de estações

Linha deveria ter sido entregue em 2014. Previsão para última estação é 2020. De US$ 2 bilhões de investimentos previstos em contrato, US$ 450 já foram aplicados. Concessionária cobra prejuízo do Governo do Estado

ADAMO BAZANI

Colaborou Jessica Marques

A ViaQuatro, concessionária da linha 4 Amarela do Metrô, reafirmou nesta quinta-feira, 18 de outubro de 2018, que pretende transportar uma demanda diária de um milhão de pessoas quando as duas últimas estações que restam para completar a ligação entre a Zona Oeste e o centro da cidade de São Paulo forem finalmente entregues.

De acordo com as mais recentes estimativas do Governo do Estado de São Paulo, a Estação São Paulo – Morumbi deveria ter sido entregue até o final deste mês e a de Vila Sônia, que terá um pátio de trens e um terminal de ônibus anexos, está prevista somente para 2020.

A concessionária divulgou em nota que completa, neste mês, sete anos de operação comercial plena.

As primeiras composições passaram a circular a título de testes em 25 de maio de 2010 entre as estações Faria Lima e Paulista. A linha é a primeira PPP – Parceria Público Privada da área de trilhos do País.

De acordo com a nota da concessionária, nestes sete anos de operação comercial plena, foram transportados 1,3 bilhão de passageiros (até setembro de 2018). Por dia útil, em média, são atendidos 750 mil passageiros e realizadas 944 viagens.

Os números poderiam ter sido melhores se não fossem os atrasos nas obras.

As 11 estações distribuídas em 12,8 km deveriam estar operando plenamente em 2014. Hoje são nove estações em 8,9 km.

Problemas com empreiteiras e entraves em projetos fizeram com que a PPP fosse marcada por momentos que deixaram mais tensas as relações entre o público e o privado.

A concessionária cobra do Governo do Estado em torno de R$ 500 milhões por causa de um prejuízo que alega ter justamente pelo fato de a demanda prevista em contrato não ter sido alcançada ainda devido aos atrasos na conclusão das estações.

Em 2014, foi assinado um aditivo contratual prevendo que a concessionária cobrasse do Governo do Estado este reequilíbrio caso as obras da segunda fase não ficassem prontas até 2018.

Segundo o aditivo, a possibilidade de cobrança é porque a ViaQuatro realizou investimentos na compra de trens, equipamentos e para mão-de-obra projetando uma demanda de passageiros que não se concretizou pelo fato de a linha não estar completa.

As obras da segunda fase atrasaram devido ao rompimento de contrato da PPP entre o Governo e um grupo internacional de construtores.

Em 2012, ocorreu a assinatura de contrato por R$ 1,8 bilhão com o Consórcio Isolux Corsán-Corviam e o Metrô para construção das estações Higienópolis-Mackenzie, Oscar Freire, São Paulo-Morumbi e Vila Sônia, o terminal de ônibus na Vila Sônia, o pátio para trens também na Vila Sônia e um túnel de dois quilômetros para fazer uma ligação para este pátio.

Mas, em julho de 2015, após mútuas acusações em relação aos cronogramas e respaldos técnicos para as obras, o contrato foi rompido.

Somente em agosto de 2016, as obras da segunda fase foram retomadas.

O trecho, que em 2011, custava em torno de R$ 500 milhões, ficou na segunda licitação, 55% mais caro, chegando a aproximadamente R$ 1,1 bilhão.

As dívidas do Governo do Estado com a ViaQuatro podem se aproximar de R$ 500 milhões.

Isso porque, além dos R$ 70 milhões calculados sobre o segundo trecho, a concessionária cobra na Justiça R$ 428 milhões por causa de atrasos na entrega da primeira fase, que também, segundo a Via Quatro, geraram desequilíbrios entre investimentos e receita previstos em contrato.

Assim, há ainda outras pendências entre o Governo do Estado de São Paulo e a Via Quatro.

Segundo relatório do Governo do Estado de riscos fiscais do Orçamento, obtido pelo Diário do Transporte em junho, ainda não foi resolvido o reequilíbrio por causa do atraso devido ao desmoronamento das obras da Estação Pinheiros, em 12 de janeiro de 2007. Foi aberta uma cratera na Rua Capri, que sugou caminhões, máquinas e até um micro-ônibus que passava pelo local e que fazia a linha Casa Verde-Pinheiros.

Sete pessoas morreram: Márcio Alambert e Valéria Alves Marmit (passageiros do micro-ônibus), Wescley Adriano da Silva (cobrador), Reinaldo Aparecido Leite (motorista do micro-ônibus), Francisco Sabino Torres (motorista de um dos caminhões tragados pela cratera), a aposentada Abigail de Azevedo e o office boy Cícero Augustino da Silva, que chegavam ao ponto de ônibus no momento do acidente.

Depois de mais de dez anos da tragédia, ninguém foi condenado.

Já a cláusula original de reequilíbrio devido ao risco de variação de demanda, que previa bandas de compensação caso o número de passageiros fosse menor que o previsto, deve ser retomada apenas após a entrega da última estação da segunda fase da linha 4-Amarela.

INVESTIMENTOS

Na nota divulgada nesta quinta-feira, 18 de outubro de 2018, a ViaQuatro disse que já investiu US$ 450 milhões. O contrato é de 30 anos e prevê investimentos totais de US$ 10 bilhões.

“A Linha 4-Amarela se destaca pelo atendimento humanizado aos clientes. Essa boa prática proporciona à concessionária um alto índice de satisfação dos usuários. Ao longo desses 7 anos de operação, em média 90% considera o serviço prestado bom ou muito bom.

Já os diferenciais tecnológicos agregam segurança e rapidez à viagem. Entre essas inovações estão as portas de plataforma, o sistema driverless (sem condutor) e os painéis com cronômetros que indicam a aproximação do próximo trem e sua lotação.

Os 29 trens da primeira linha de metrô totalmente automatizada da América Latina conectam o Centro à Zona Oeste da cidade. Hoje, a operação ocorre em 8,9 quilômetros de extensão. Assim que as estações São Paulo-Morumbi e Vila Sônia forem inauguradas, serão 12,8 quilômetros”, completa a nota.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
Colaborou Jessica Marques

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