Bruno Covas retira R$ 60 milhões que seriam para a Mobilidade Urbana e manda para os CEUs

Na maior parte do sistema da cidade, ônibus ficam presos no trânsito, o que resulta em atrasos e lotação. Foto: Adamo Bazani/Diário do Transporte

Ao longo da gestão João Doria/Bruno Covas, asfalto para carros e até Autódromo de Interlagos receberam dinheiro que era para espaço ao transporte coletivo. Os remanejamentos somaram R$ 900 milhões

ADAMO BAZANI

Mais uma vez haverá remanejamento de recursos que foram reservados no Orçamento para a construção de corredores de ônibus na cidade de São Paulo para outras áreas.

Desta vez, os espaços que poderiam ajudar a aumentar a velocidade dos ônibus e fazer com que o paulistano perca menos tempo nos deslocamentos deixam de contar com R$ 30 milhões.

O prefeito Bruno Covas publicou o decreto 58.457, que abre crédito adicional de R$ 60 milhões para a construção de CEUs – Centros Educacionais Unificados.

Os outros R$ 30 milhões também deveriam originalmente ir para a mobilidade urbana.

Do total de R$ 60 milhões, um montante de R$ 30 milhões vai sair da previsão de corredores de ônibus, R$ 25 milhões deixarão de ser usados em terminais de ônibus (que devem ser concedidos à iniciativa privada) e R$ 5 milhões seriam originalmente para outras intervenções na área de mobilidade urbana.

A gestão João Doria e Bruno Covas somente em relação a corredores de ônibus remanejou para outras áreas em torno de R$ 900 milhões desde janeiro de 2017.

Até intervenções como “Asfalto Novo”, que beneficia também o transporte individual e foi uma das principais bandeiras de marketing do ex-prefeito João Doria, que deixou o cargo para disputar as eleições estaduais, e reforma do Autódromo de Interlagos contaram com recursos que eram para acelerar as viagens de ônibus.

Na cidade, só existem 131 km de corredores de ônibus nos 17 mil km de vias, sendo que apenas 8 km, no Expresso Tiradentes, são de BRT – Bus Rapid Transit, que é uma estrutura que oferece mais exclusividade ao transporte coletivo e maior velocidade. Um estudo encomendado pela prefeitura em 2012 mostrou que para atender adequadamente os 9,5 milhões de passageiros diários dos ônibus de São Paulo, seriam necessários ao menos 600 km de corredores centrais (não de faixas).

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

1 comentário em Bruno Covas retira R$ 60 milhões que seriam para a Mobilidade Urbana e manda para os CEUs

  1. Essa manobra de tirar da mobilidade ou corredores vem desde o Haddad, uma vergonha, não corre atrás pra tentar algo urgente pra mobilidade, mais retira com facilidade, piada.

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