Jacob Barata Filho passa a cumprir pena em prisão domiciliar

Dono de empresas de ônibus foi beneficiado por decisões de Gilmar Mendes -Foto: Ana Branco/Agência o Globo

Dono de empresas de ônibus confessou participar de esquemas de propina no Rio de Janeiro e foi beneficiado ao longo de dois processos por decisões do ministro Gilmar Mendes

ADAMO BAZANI

O juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Criminal Federal, responsável pela Operação Lava Jato no Rio de Janeiro, concedeu direito a prisão domiciliar para o empresário de ônibus Jacob Barata Filho, réu confesso em processo sobre um esquema de corrupção envolvendo o setor de transporte de passageiros, políticos e agentes públicos.

Jacob Barata Filho está proibido de manter contato com outros investigados, inclusive colegas empresários de ônibus do Rio de Janeiro, não pode deixar o exterior e não pode ter cargos em associações e organizações ligadas ao transporte coletivo, como Fetranspor ou Rio Ônibus, que representam as viações.

O dono de um dos maiores conglomerados de empresas de ônibus do País e o maior do Rio de Janeiro, no âmbito de uma colaboração premiada, admitiu oficialmente que repassou recursos por caixa dois para políticos e agentes públicos no Estado do Rio de Janeiro.

A confissão ocorreu em 24 de agosto deste ano ao próprio juiz Marcelo Bretas, como noticiou o Diário do Transporte.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2018/08/24/jacob-barata-filho-e-lelis-teixeira-admitem-pela-primeira-propina-para-deputados-e-agentes-publicos/

Na decisão de beneficiar Jacob Barata Filho com a prisão domiciliar, o juiz Marcelo Bretas diz que o empresário tem colaborado com as investigações e que corre risco.

“pelo fato de ter apontado delitos e autores, [Jacob Barata Filho] encontra-se em situação de risco”.

Jacob Barata Filho foi preso duas vezes e beneficiado por decisões do ministro do STF – Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes.

A primeira prisão ocorreu no dia 02 de julho de 2017 na Operação Ponto Final, um desdobramento da Operação Lava Jato. O empresário iria embarcar para Portugal e portava um aviso de quebra de sigilo bancário, destinado à Caruana Financeira, que não poderia estar em posse de pessoas físicas.

A segunda prisão ocorreu em novembro de 2017, no âmbito da Operação Cadeia Velha, que investiga um esquema de propina envolvendo deputados estaduais do Rio de Janeiro, o ex governador Sérgio Cabral e donos de empresas de ônibus.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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