Justiça do Rio solta ex-presidente do Detro, acusado de envolvimento com a máfia dos transportes

Foto: O Globo

Rogério Onofre, preso desde agosto de 2017, teria recebido R$ 41 milhões para amenizar as fiscalizações sobre as empresas de ônibus no período de 2010 a 2016

ALEXANDRE PELEGI

O juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, determinou nesta terça-feira, dia 18 de setembro de 2018, a soltura de Rogério Onofre, ex-presidente do Departamento de Transportes do Rio (Detro).

Onofre, preso desde agosto de 2017, é acusado de participação nos crimes apurados pela Operação Ponto Final, que investiga um suposto esquema de pagamentos de propinas e corrupção envolvendo políticos, agentes públicos e empresários de ônibus do Rio de Janeiro. Ele teria recebido R$ 41 milhões para amenizar as fiscalizações sobre as empresas de ônibus no período de 2010 a 2016.

A defesa do ex-dirigente do Detro argumentou que já havia excesso de prazo na prisão, e que Onofre era o único acusado da Operação Ponto Final a continuar atrás das grades.

Em sua decisão, o juiz Bretas acatou o argumento da defesa: “Apesar de não existir qualquer ilegalidade na manutenção da prisão preventiva, é fato que o acusado já está custodiado há mais de um ano, o que representa um longo período para tal medida cautelar mais gravosa”.

O juiz determinou o uso de tornozeleira eletrônica e a proibição de ausentar-se do município de Paraíba do Sul (RJ), onde Onofre reside.

Após sua prisão, Rogério Onofre foi beneficiado por um ato do ministro do STF Gilmar Mendes, que determinou sua soltura no dia 23 de agosto de 2017. No mesmo dia, no entanto, a Procuradoria da República pediu novamente a prisão do ex-presidente do Detro, relatando ‘novos fatos’ que ‘demandam a decretação de nova prisão’.

Os fatos novos relatados pela Procuradoria são ‘ameaças de morte’ de Rogério Onofre a outros investigados. Uma mensagem e um áudio, recebidas pelos investigadores, comprovariam as ameaças de Onofre, feitas antes de ele ser preso, o que ocorreu em 3 de julho de 2017.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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