MPF denuncia cinco investigados por ocultar R$ 5,9 milhões desviados de obra do metrô no Rio de Janeiro

Metro Rio, Rio de Janeiro

Advalor operava em favor do ex-secretário de Transportes do Rio de Janeiro Luiz Carlos Velloso, segundo denúncia

JESSICA MARQUES

O MPF (Ministério Público Federal) denunciou cinco pessoas por ocultar R$ 5,9 milhões desviados das obras do metrô do Rio de Janeiro. A investigação integra a Operação Lava Jato.

Conforme reportagem publicada por Julia Affonso, no Estadão, foram denunciados João Paulo Julio Lopes e Miguel Julio Lopes, proprietários da corretora Advalor, além dos doleiros Dario Messer, Chaaya Moghrabi (Yasha) e Flávio Dib.

Segundo a Procuradoria, os crimes foram cometidos por meio de movimentações financeiras da corretora Advalor, que funcionava também como instituição financeira para armazenar recursos ilícitos de agentes públicos.

Desta forma, a Advalor operava em favor do ex-secretário de Transportes do Rio de Janeiro Luiz Carlos Velloso, além de outros clientes, segundo informações do MPF.

Os crimes foram apurados a partir das operações Câmbio Desligo, Calicute, Tolypeutes e Advalorem. Com isso, as operações ilícitas foram identificadas.

Conforme consta na denúncia, Luiz Carlos Velloso utilizou os serviços de Miguel e João Paulo Julio Lopes para movimentar parte dos valores desviados das obras da Linha 4 do Metrô do Rio de Janeiro.

Na denúncia, consta ainda que Miguel Lopes e João Paulo Julio Lopes auxiliaram Luiz Carlos Velloso a ocultar os R$ 5,9 milhões.

Ainda de acordo com a reportagem publicada no Estadão, os pagamentos de propina da Carioca Engenharia ao ex-secretário de Transportes eram feitos em espécie na sede da corretora no Centro do Rio de Janeiro.

A partir de 2016, Velloso começou a ter dificuldade em retirar os valores que estavam depositados na corretora, onde permanecem até hoje R$ 700 mil.

“Os administradores da empresa Advalor, Miguel Julio Lopes e João Paulo Julio de Pinho Lopes, que funciona como verdadeira instituição financeira, operaram com recursos ilícitos de agentes públicos e acabaram se locupletando pelo fato destes agentes públicos terem sido investigados e seus ilícitos descobertos. Isso porque na medida em que os ilícitos foram descobertos, os administradores da empresa Advalor não devolveram os valores que lá estavam depositados”, relatam na denúncia os procuradores da força-tarefa da Lava Jato no Rio de Janeiro.

“No caso concreto, os irmãos Chebar e Chaaya Moghrabi (‘Monza’) tinham interesse no crédito de dólares nas contas que operavam no exterior, enquanto Miguel Julio Lopes e João Paulo Julio de Pinho Lopes, por intermédio de Flavio Dib, precisavam de recursos em espécie, sendo Juca e Tony responsáveis por ligar essas duas pontas”, explicam na denúncia.

Os nomes citados foram procurados pela reportagem do Estadão e não se manifestaram.

Jessica Marques para o Diário do Transporte

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