Motoristas de Fortaleza fazem paralisação relâmpago contra violência e demissões na categoria

Foto: Ana Alice Nogueira/ O Povo

Categoria diz que empresas estão exigindo que motoristas e cobradores “sejam seguranças dentro dos ônibus”

ALEXANDRE PELEGI

Motoristas de ônibus paralisaram esta manhã suas atividades em protesto contra demissões na categoria e a violência nos ônibus de Fortaleza. A paralisação relâmpago durou apenas uma hora e ocorreu no terminal do Papicu, um dos mais movimentados da capital cearense.

Os rodoviários cobraram melhorias no tratamento dos funcionários.

O protesto começou às 9 horas e se estendeu até as 10 horas da manhã, com os trabalhadores se manifestando contra demissões, incluindo a de dois diretores do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários (Sintro). As multas cobradas dos funcionários também foram questionadas.

Geraldo Lucena, um dos diretores do Sintro, afirmou à imprensa local que as reivindicações feitas durante reunião com o Sindiônibus, na semana passada, não foram acatadas. O encontro aconteceu após a paralisação no terminal do Siqueira, dia 28 de agosto.

O dirigente sindical afirma que se o sindicato patronal e as empresas não mudarem suas políticas outras paralisações devem se seguir em todos os terminais de ônibus da capital ceraense.

O presidente do Sintro, Domingos Neto, informou à imprensa um dos motivos do protesto da categoria: “O que estamos cobrando aqui é vidas, e não salário, vale-refeição ou cesta básica. Nossa categoria tem sofrido bastante com a insegurança, pois vários pais de família já foram mortos em serviço”, informou o dirigente.

O sindicato alega que as empresas estão exigindo que motoristas e cobradores “sejam seguranças dentro dos ônibus“, impedindo ações da vandalismo e violência, como pulo de catraca e assaltos aos coletivos. Os cobradores e motoristas estariam recebendo suspensões pelas transgressões dos passageiros, afirmaram os líderes sindicais.

Essas ações já foram responsáveis pela morte de vários trabalhadores rodoviários. Isso coloca nossa categoria em risco e não podemos aceitar“, complementa o presidente do sindicato da categoria.

De acordo com outro dirigente do Sintro, Flávio Braz, o protesto desta quarta tem o mesmo motivo daquele que ocorreu no último dia 28 de agosto no Terminal Siqueira, na capital. O Sintro cobra melhorias no tratamento de funcionários da categoria.

Nós do sindicato, trabalhadores do transporte público, estamos insatisfeitos com as demissões de funcionários do Sintro. Ainda estão acontecendo essas demissões. Nesta semana dois diretores foram para fora sem justificativa“, disse.

O Sindiônibus, sindicato das empresas de ônibus do Ceará, afirma que não houve notificação do Sintro sobre qualquer descumprimento acordado na última reunião com os representantes do sindicato.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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