Após vários atrasos, Estação Catedral será inaugurada em Ribeirão Preto

Foto: portal Revide, Ribeirão Preto

Estação contém três plataformas que atenderão a 30 linhas de ônibus no centro da cidade

ALEXANDRE PELEGI

A Estação Catedral, complexo com três plataformas de ônibus urbanos na Praça das Bandeiras, em Ribeirão Preto, interior de São Paulo, entrará em operação no feriado de sete de setembro, próxima sexta-feira.

As plataformas estão localizadas uma na rua Visconde de Inhaúma e duas na rua Américo Brasiliense.

A Estação tem a estimativa de atender a 17 mil passageiros por dia, segundo a Prefeitura e o consórcio Pró-Urbano, que reúne as empresas permissionárias do transporte público.

O consórcio foi o responsável pela construção, conforme exigência assumida no contrato de 20 anos de concessão assinado em 2012.

A Prefeitura de Ribeirão Preto informa que a plataforma da rua Visconde de Inhaúma funcionará com sete linhas. As demais plataformas, da rua Américo Brasiliense, atenderão 23 linhas.

O funcionamento da estação implicará na desativação de três paradas: ponto 3549, na rua Lafaiete com a rua Saldanha Marinho; ponto 511 na Américo Brasiliense e Saldanha Marinho e ponto 1124, na rua Visconde de Inhaúma, entre as ruas Florêncio de Abreu e Lafaiete.

Em nota, a Transerp informou que a linha 136 Castelo Branco/Adão do Carmo terá o seu local de parada alterado para o ponto nº 274, localizado na rua Florêncio de Abreu, junto à rua Visconde de Inhaúma.

As linhas na nova estação serão distribuídas da seguinte forma:

ESTAÇÃO PRAÇA DA BANDEIRA 1 – rua Visconde de Inhaúma, entre as ruas Américo Brasiliense e Florêncio de Abreu

H 403 -Jd. Manoel Penna

I 147 -Jd. Irajá

I 148 -Santa Cruz

J 315 -Bonfim

L 360 -Jd. Centenário

M 460 -Pq. Ribeirão

M 506 – Jd. Progresso

ESTAÇÃO PRAÇA DA BANDEIRA 2 – rua Américo Brasiliense junto à rua Visconde de Inhaúma

E 303 – Bom PastorF 3 -Noturno Leste

E 330 – Jd. PalmaresM 6 -Noturno Sudoeste

E 437 – Castelo BrancoQ 7 -Noturno Oeste

F 337 – Lagoinha *T 8 -Noturno Noroeste

F 373 – V. Abranches *

F 603 – Jd. Juliana *

F 630 – Pq. S. Sebastião *

F 703 – Pq. Servidores

F 730 – Pq. Portinari

H 236 – São José

H 503 – Rec. Acácias

I 204 – City Ribeirão

ESTAÇÃO PRAÇA DA BANDEIRA 3 – rua Américo Brasiliense junto à Rua Tibiriçá

C 102 – Jd. Independência *

N 207 – Hosp. Clínicas

O 107 – Sumarezinho *

O 407 – Jd. Paulo Gomes

O 470 – Jd. Paiva

R 108 – Jd. Pres. Dutra *

R 308 – Marincek *

T 608 – Jd. Amália *

T 680 – Jd. Orestes Lopes *

T 708 – Jd. Heitor Rigon *

T 780 – Pq. dos Pinus *

T 788 – Expresso Rigon *

I 4 -Noturno Sudeste

J 5 -Noturno Sul

* linha remanejada da Rua Lafaiete

ATRASO, OBRA MAIS CARA E IMPASSE COM IGREJA CATÓLICA

A Estação Catedral foi orçada originalmente em R$ 1,2 milhão, mas acabou custando cerca de R$ 3,9 milhões. Neste valor final, R$ 500 mil foram gastos em adequações da obra, após o Ministério Público ter apontado divergências com o projeto original.

Cada plataforma tem 36 assentos, proteção de vidro, além de câmeras de segurança e painéis informativos com horários dos ônibus urbanos em tempo real.

Boa parte do atraso da obra foi devido a problemas envolvendo o patrimônio histórico.

CATEDRAL METROPOLITANA

A Catedral Metropolitana de São Sebastião, em Ribeirão, teve sua pedra fundamental lançada em 3 de março de 1904. A construção foi concluída apenas em 1920. Em estilo rico e linhas góticas, com vitrais coloridos no seu interior, a Catedral possui afrescos pintados por Benedito Calixto que datam de 1917. O prédio da Catedral, juntamente com seu entorno, foi tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat) em 2014

Localizada na região central de Ribeirão Preto, na Praça das Bandeiras, a Igreja sempre alegou que o prédio histórico vem sofrendo com o trânsito pesado no local.

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Foto: Reprodução EPTV

Quando a Prefeitura de Ribeirão Preto apresentou um projeto de construção de quatro plataformas de ônibus na Praça das Bandeiras, no entorno da Igreja, em junho de 2014, a Igreja Católica reagiu negativamente. E teve início uma longa discussão sobre o efeito que a circulação de ônibus no local iria causar nas estruturas do prédio da Catedral.

O projeto da construção das plataformas de ônibus estava contemplado no contrato de concessão do transporte público, assinado com o consórcio Pró-Urbano, em 2012.

Decorridos anos de discussão e polêmicas, a Prefeitura de Ribeirão Preto, que mudou de gestão em 2017, decidiu em favor da Igreja. Em dezembro de 2017 assumiu o compromisso de transferir parte das linhas de ônibus que passam em frente à Catedral Metropolitana para a Rua Prudente de Morais.

A mudança foi comunicada após reunião entre o prefeito Duarte Nogueira (PSDB), o presidente da Câmara, Rodrigo Simões (PDT) e o padre Francisco Jaber Zanardo Moussa. O prefeito informou que aproximadamente 1,5 mil de quase 40 linhas ônibus passam por dia na porta da Catedral. E garantiu publicamente: “Vai ter uma mudança importante no volume de veículos que passam pelo local”.

POLÊMICA ANTAGONIZOU IGREJA CATÓLICA E AUTORIDADES DE TRANSPORTE DA CIDADE

Tão logo a Catedral foi tombada pelo Condephaat, em 2014, o órgão exigiu um laudo da Prefeitura para aprovar a construção das plataformas de ônibus.

Em 2015, o laudo foi apresentado pela então prefeita da cidade, Dárcy Vera que, numa entrevista coletiva, em maio daquele ano, informou que o resultado do estudo, realizado por uma empresa italiana sobre o impacto do trânsito no Catedral, demonstrava que, ao contrário do que os representantes da Igreja Católica afirmavam, o tráfego de ônibus não prejudicava o templo histórico. A vibração provocada pelo tráfego estava abaixo do limite estabelecido internacionalmente, dizia o estudo. Dárcy Vera informou:

“A conclusão do laudo é positiva, mas nós vamos aguardar a resposta do Condephaat e a decisão será técnica. Não será política, não será religiosa, a decisão será técnica, para que a gente possa facilitar ainda mais a vida da população de Ribeirão Preto. Se o Condephaat disser ‘sim’, será construído”, referia-se ela às plataformas de ônibus na Praça das Bandeiras.

O engenheiro da Prefeitura, Reinaldo Lapate, concluiu: “Portanto, esse resultado comprova que se há algum fenômeno, algum motivo para problemas de instabilidade no prédio da Catedral, certamente não é a vibração provocada pelos ônibus que passam por esse local”.

Detalhe: a Praça das Bandeiras, assim como a Catedral, também é tombada como patrimônio histórico de Ribeirão Preto.

Já a Igreja continuou irredutível. O pároco da Catedral, Francisco Moussa, garantia que o laudo encomendado pela igreja católica dois anos antes mostrava realidade distinta, e atestava que o prédio apresentava rachaduras provocadas não só por infiltrações, mas devidas ao tráfego pesado nas ruas próximas.

PLATAFORMAS DE EMBARQUE

As plataformas de embarque e desembarque construídas pelo Consórcio Pró-Urbano na Praça das Bandeiras (ruas Américo Brasiliense e Visconde de Inhaúma) foram construídas em desacordo com o projeto original, aprovado pelo Condephaat. Prontos no segundo semestre de 2016, ficaram no entanto sem acesso público.

Em 2017, o Ministério Público instaurou uma ação civil pública para investigar as obras dos terminais, após constatar divergências entre as estruturas erguidas e o projeto original.

Além do acordo com a Igreja Católica, a prefeitura e o Condephaat concordaram em realizar adequações nas plataformas, como a altura dos terminais, que passou de 3,9 para 4,4 metros.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transporte

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