Licitação do Transantiago deve prever subsídios para cobrir déficit nos primeiros anos de operação

Sistema deve ser reformulado com licitação. Modelo financeiro deve ser alterado também

Concorrência é internacional e já teve interesse de empresários brasileiros

ADAMO BAZANI

O governo chileno esperar iniciar até o final do ano a licitação do Transantiago, que ao lado do metrô é o principal pilar do transporte da capital e região metropolitana.

O maior problema do sistema hoje é o financeiro, o que deve refletir no nível de interesse de novas empresas, inclusive de outros países, em participar.

Na primeira tentativa de licitação, barrada pelo tribunal de concorrência (uma espécie de TCU chileno) até um grupo de empresas de ônibus brasileiro tentou arrematar alguns lotes operacionais (Veja o histórico abaixo).

De acordo com o jornal local El Mercurio, que conseguiu dados sobre a situação financeira do sistema Transantiago, por meio da Lei de Transparência (equivalente à Lei de Acesso à Informação), entre 2007 e 25 de junho deste ano, o Transantiago necessitou de US$ 6,47 bilhões de subsídios.

O sistema está em operação há 11 anos.

Neste ano, foram usados subsídios por meio de uma lei (lei de estabilização financeira dos transportes), que instituiu um fundo para os transportes e os aportes deste fundo são cada vez maiores. Em 2008, foi usada parcela de 2% do fundo constitucional (uma espécie de reserva prevista no Orçamento Geral da União) e, em 2009, 1%.

Segundo comparação feita por especialistas ao jornal, a construção das linhas 8 e 9 do metrô e a extensão da linha 4 custariam US$ 4 bilhões.

Entretanto, para operar, o metrô também precisa de subsídios.

A questão não é o modal, mas o modelo financeiro e de operação, que deve ser revisto na licitação.

Neste sábado, o Diário do Transporte noticiou que o governo chileno anunciou à imprensa local que o Transantigo deve contar com 100 ônibus elétricos neste ano e mais 100 até fevereiro de 2019. A primeira versão da licitação previa 90 veículos não poluentes.

Relembre

https://diariodotransporte.com.br/2018/07/28/nova-licitacao-do-transantiago-no-chile-preve-200-onibus-eletricos/

Antes mesmo, em 09 de julho, o Diário do Transporte noticiou que estes 100 primeiros veículos foram vendidos pela chinesa BYD:

BYD vende 100 ônibus elétricos para Santiago do Chile

LICITAÇÃO BARRADA E GRUPO DUARTE:

Após diversos recursos de empresas, a licitação do Transantigo foi barrada em fevereiro deste ano pelo Tribunal de Defesa da Livre Concorrência – TDLC, uma espécie de Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e TCU – Tribunal de Contas da União, do Chile.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2018/02/08/barrada-licitacao-do-transantiago-comeca-a-desagradar-grupos-internacionais/

A licitação dos transportes urbanos e metropolitanos é de responsabilidade federal.

Empresas de diversos locais, não somente do Chile, se interessaram pela concorrência.

O Grupo Duarte, de empresários de ônibus brasileiros, chegou a apresentar na primeira versão da licitação, propostas para os lotes 4 e 8 e foi desclassificado, mas recorreu.

https://diariodotransporte.com.br/2017/12/28/grupo-duarte-e-desclassificado-da-licitacao-do-sistema-transantiago/

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Juan Pablo disse:

    Tomara que resolvam o Transantiago. Vivo em Santiago e posso dizer apenas uma coisa sobre ele: LIXO! Os ônibus são muito velhos, muito mal conservados, muito vandalizados e o preço não é baixo. Chile se considera um pais desenvolvido, mas com um sistema de onibus tao ruim na sua capital é impossível concordar.

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