Motociclistas e caminhoneiros são os que mais sofrem acidentes de trânsito relacionados a trabalho

Os motoboys são os que mais sofrem acidentes, representando 7,55% dos 118.310 acidentes registrados entre 2007 e 2016. Foto: Adamo Bazani.

Levantamento do Ministério da Saúde mostra aumento no número de notificações relacionadas a trabalho com transporte

JESSICA MARQUES

Os motociclistas e os caminhoneiros são os que mais sofrem com acidentes de trânsito relacionados a trabalho no país. Um levantamento do Ministério da Saúde, divulgado nesta sexta-feira, 27 de julho de 2018, mostra que houve um aumento no número de notificações relacionadas a estes veículos.

Os motoboys são os que mais sofrem acidentes, representando 7,55% dos 118.310 acidentes registrados entre 2007 e 2016. Os motoristas de caminhão, por sua vez, lideram em registros de óbitos. Ao todo, representam 13,2% das 16.568 mortes registradas no trânsito, no mesmo período.

Os dados são dos Sistemas de Informação de Agravo e Notificações (SINAN) e do de Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde. Conforme informado pelo governo, foram considerados “os acidentes de trânsito ocorridos quando o trabalhador tem uma função que envolve locomoção ou quando estava indo ou voltando do local de trabalho”.

O estudo também revelou que, em onze anos, o número de notificações de acidentes de transporte relacionados ao trabalho aumentou quase seis vezes, passando de 2.798 em 2007 para 18.706 em 2016.

Os anos de 2016 (18.706) e 2015 (17.327) foram os que apresentaram os maiores números de notificações. Entretanto, no mesmo período, o número te mortes caiu 28% no mesmo, saindo de 1.447 para 1.393, em 2016.

Para a coordenadora-substituta de Saúde do Trabalhador, Élem Cristina Cruz Sampaio, esses acidentes tem relação com a forma com que esses profissionais realizam os trabalhos.

“Eles estão relacionado à aspectos estruturais e organizacionais, como falta de adesão das normas de seguranças no manejo de veículos e equipamentos que são utilizados durante esse transporte, bem como o fato dos trabalhadores terem pouca qualificação para esse transporte; a longa jornada de trabalho, são esses aspectos que a gente entende como determinante desse tipo de acidente” — destacou.

O coeficiente de mortalidade, no Brasil, por acidentes de trânsito relacionados ao trabalho foi de 1,5 óbito a cada 100 mil.

Ainda de acordo com o estudo, oito em cada 10 acidentes de trânsito relacionados ao trabalho foram sofridos por homens. Os jovens com idades entre 18 e 29 anos foram as maiores vítimas (40,1%) e quase metade desses acidentes ocorreram nos estados da região Sudeste (47,5%).

Em nota, o Ministério da Saúde destacou algumas ações tomadas para prevenir esse tipo de acidente.

Leia as medidas, na íntegra:

O Ministério da Saúde em parceria com outros órgãos vem realizando ações para reduzir os óbitos e prevenir esses acidentes. A partir de cooperações com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), monitoramento pela Rede Nacional de Atenção Integral à Saúde do Trabalhador (Renast) e Desenvolvimento do Projeto-vida-no-trânsito, a partir de 2010, tem conseguido priorizar a intervenção nos fatores de risco para acidente de trânsito, como o consumo de bebida alcoólica e velocidade inadequada para a via, além de priorizar determinados grupos de vítimas, como os motociclistas, a partir das análises de situação.

Outra ação que conta com a participação do Ministério da Saúde e que tem contribuído para a conscientização da população no trânsito é o Rodovida. Criado em 2014 e coordenado pela Casa Civil da Presidência da República em conjunto com a PRF e participação interministerial, o projeto vem agindo com ações pontuais nas rodovias federais. Durante a sua última vigência, o projeto conseguiu reduzir em 14% o número de mortos no trânsito. Os trabalhos começaram em 22 de dezembro de 2017 e foram concluídos em 18 de fevereiro deste ano, período em que foram contabilizados 2.930 feridos graves, contra 3.012 no ano anterior.

Importantes avanços para a prevenção de acidentes de trânsito estão sendo obtidos no país, a partir da implementação da Política Nacional sobre o álcool, por meio do Decreto nº 6.117/2007, que contempla, entre suas diretrizes, o tema “associação álcool e trânsito”, e da alteração do Código de Trânsito Brasileiro, por meio da Lei nº 11.705 (“Lei Seca”), instituída em 2008. Essa lei impõe severas penalidades para o condutor que dirigir alcoolizado e proíbe a comercialização de bebidas alcoólicas para consumo no local em rodovias federais e terrenos contíguos com acesso a rodovias.

SAÚDE DO TRABALHADOR

A Rede Nacional de Atenção Integral à Saúde do Trabalhador (RENAST) foi criada em 2002, pela Portaria 1.679, com objetivo de disseminar ações de saúde do trabalhador, articuladas às demais redes do Sistema Único de Saúde, na ótica da promoção, assistência e vigilância para o desenvolvimento das ações de Saúde do Trabalhador. Fazem parte desta Rede os Centros de Referência em Saúde do Trabalhador (CEREST), que têm como objetivo realizar apoio para o desenvolvimento das ações de saúde do trabalhador em todos os níveis de atenção, bem como executar ações de fiscalização, investigação e análise de causalidade entre o trabalho e o adoecimento. No Brasil, atualmente existem 214 centros habilitados, sendo 27 estaduais e 187 regionais.

Em 2012, a fim de fortalecer as ações em saúde do trabalhador, o Ministério da Saúde publicou a Portaria 1.823, com ênfase na Atenção Integral à saúde, na Vigilância, na Promoção e Proteção da saúde do trabalhador e na Redução da morbimortalidade, a partir da análise dos modelos de desenvolvimento e processos produtivos.

Jessica Marques para o Diário do Transporte

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