Uso de simuladores para treinamento diminuiu em 51% erros de motoristas de ônibus

Em simulador são reproduzidas situações extremas que jamais poderiam ser aplicadas em treinamentos convencionais, mas que podem ocorrer no dia a dia.

Empresas debateram importância de tecnologia para qualificação de profissionais do transporte

ADAMO BAZANI

O uso de simuladores nos últimos cinco anos para o treinamento de motoristas de ônibus no Rio de Janeiro reduziu em 51% o índice de erros dos profissionais.

O resultado foi divulgado pelo coordenador do Programa de Direção por Simulador, a Universidade Corporativa do Transporte (UCT), segmento educacional da Fetranspor, João Rodolfo, que disse que a tecnologia serve também para formar novos instrutores.

“As aulas de direção no simulador capacitaram seis mil motoristas e formaram 320 educadores, que são os responsáveis por disseminar o conhecimento para os seus respectivos sindicatos. Os relatórios extraídos durante o treinamento nos simuladores apresentam redução de 51% d​e erros dos profissionais”, disse, de acordo com nota da entidade.

A UCT realizou um debate nesta terça-feira, 17 de julho de 2018, sobre o uso da tecnologia para qualificar profissionais dos transportes.

Além de representantes de empresas de ônibus representadas pela Fetranspor, estiveram presentes o VLT-Rio, SuperVia, Sest-Senat, Detran e Senai, que também usam simuladores em treinamentos.

De acordo com o coordenador de Operações da SuperVia, Fellipe Aguiar, os simuladores se tornaram obrigatórios para formação de novos operadores de trens e para reciclagem profissionais dos trabalhadores que já estão atuando.

“Os condutores têm contato com o simulador no primeiro momento e ao final do curso. São submetidos a condições normais e adversas de uma viagem, por isso, monitoramos, inclusive, os batimentos cardíacos dos alunos para ver como reagem a situações de estresse”, disse, de acordo com a nota.

Enquanto um profissional está no simulador, toda a turma do treinamento assiste e acompanha os comentários e explicações do instrutor, no caso da SuperVia.

Já o coordenador do Centro de Controle Operacional do VLT do Rio, Rodrigo Feitoza, disse que pela característica do modal, cujo trajeto engloba vias de grande movimento da região central do Rio, o treinamento com simulares tem se tornado essencial para prever possibilidades de acidentes e evitar as ocorrências.

“O VLT não tem a via gradeada, divide espaço com pedestres e automóveis, em uma operação difícil, e mesmo assim os índices de acidentes são muito baixos”

O responsável pelo Desenvolvimento Profissional da Unidade de Deodoro do Sest-Senat, Edson Teixeira, afirmou que os simulares conseguem reproduzir situações extremas, com segurança, que jamais poderiam ser feitas de maneira real num treinamento.

Para o técnico, os simuladores melhoraram a noção de espaço, memória e percepção dos alunos.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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