Pesquisador registrou ônibus da Manzalli Transportadora, uma das empresas que ajudaram a integração entre as duas cidades
ADAMO BAZANI
Praticamente hoje não há limites físicos entre grande parte dos municípios da região metropolitana de São Paulo.
As áreas urbanas foram crescendo e as cidades foram se emendado.
É verdade que numa “viagem pela Grande São Paulo”, ainda é possível no mesmo trajeto ver paisagens diferentes, que mesclam desenvolvimento e falta de infraestrutura, áreas totalmente urbanizadas e ainda bairros com áreas verdes, que ainda lembram cidades do interior. Mas tudo isso, muito perto. O verde ao lado do concreto. A riqueza ao lado da pobreza.
Antes as distâncias físicas entre as mais variadas realidades eram maiores.
Com o crescimento populacional, que começou a intensificar a partir dos anos 1950, com a presença maior da indústria, fazendas e sítios davam lugar a bairros devidamente loteados.
Na rota São Paulo – Mogi das Cruzes é possível ver o reflexo da urbanização, mas com as diferentes paisagens e características convivendo lado a lado.
Mogi das Cruzes é considerada ainda o “Cinturão Verde” do Estado de São Paulo.
Neste processo de transformação das cidades, inclusive com a “agricultura urbanizada”, os serviços de transportes são essenciais e auxiliaram ao longo da história a formação das características atuais.
Hoje uma das principais ligações entre as duas cidades é a linha 11 Coral da CPTM – Companhia Paulista de Trens Metropolitanos.
A linha teve origem na Estrada de Ferro do Norte, que começou a ser construída em 1869 pela Companhia São Paulo e Rio de Janeiro (o nome real da Ferro do Norte), Em 1890, a linha foi incorporada pela Estrada de Ferro Central do Brasil.
A linha dava acesso dos moradores de Mogi à Zona Leste de São Paulo até a Penha.
Mas além da ligação ferroviária, linhas de ônibus são ainda e ao longo da história foram fundamentais para o desenvolvimento da região.
Entre as empresas que se destacaram estão EAOMC – Empresa de Auto Ônibus Mogi das Cruzes, a Eroles e a Transportadora Turística Manzalli.
Monobloco O-364 da Manzalli e logo atrás um Caio Gabriela da empresa municipal da capital Paulista, Penha-São Miguel
O pesquisador de história e rede de transportes, Mário dos Santos Custódio, fez nos anos 1980 dois registros que agora compartilha com os leitores do Diário do Transporte.
São dois ônibus da Manzalli: Um Caio Gabriela e um Monobloco Mercedes-Benz O-364.
“Estes ônibus passavam pela Estrada de São Miguel. A Manzalli veio operar a ligação entre Mogi das Cruzes e São Paulo após a Empresa Mogi das Cruzes ter perdido a concessão. Na época, quem cuidava das linhas intermunicipais era o DER – Departamento de Estradas de Rodagem, hoje é a EMTU – Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos” – relembra Mário Custódio.
A Estrada de São Miguel fazia parte da ligação entre o Rio de Janeiro e São Paulo e passava por dentro da antiga Aldeia de São Miguel. Hoje parte do traçado da estrada corresponde a vias como Avenidas Marechal Tito e São Miguel.
O Distrito de São Miguel até o meados do século XIX engloba as áreas hoje correspondentes aos bairros de Itaim Paulista, Ermelino Matarazzo, Itaquera, Guaianases, na cidade de São Paulo, e, antes, parte da cidade de Mogi das Cruzes.
De acordo com a Junta Comercial do Estado de São Paulo, a Manzalli Transportadora Turística Ltda, antes chamada de Turismo Manzalli, foi constituída em 02 de janeiro de 1967 e tinha como sócios Antônio Manzalli, Arnaldo Manzalli, Olga Girotto Manzalli e Rodolfo Manzalli. A família atuou primordialmente no ramo de fretamento.
“A pintura da Manzalli era muito característica. A saia (parte inferior, na altura das rodas) era de cor azul mais claro que o azul da faixa sob as janelas. No meio, a cor era branca com o nome ‘Manzalli’ em letras grandes. Dava para reconhecer de longe os ônibus da Manzalli” – descreve Mário dos Santos Custódio.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes.
