BNDES anuncia liberação de R$ 530 milhões para obras de mobilidade na Grande Vitória

O primeiro corredor BRS foi lançado no Rio de Janeiro, em 2011 (foto), na Av. Nossa Senhora de Copacabana. Modelo similar será implantado agora na Grande Vitória com recursos do BNDES

Parte dos recursos serão usados para faixa exclusiva de ônibus de Vitória a Vila Velha

ALEXANDRE PELEGI

O BNDES anunciou nesta semana a liberação de R$ 530 milhões já contratados pelo Governo do Espírito Santo. Os recursos permitirão dar início a novas obras de mobilidade na Região Metropolitana da Grande Vitória.

Dentre os projetos, está a implantação de uma faixa exclusiva para ônibus que segue da Avenida Fernando Ferrari, em Vitória, até a Carlos Lindenberg, em Vila Velha.

Os recursos do BNDES estão destinados ao Programa de Mobilidade Urbana, cujo investimento total é da ordem de R$ 755 milhões. A contraparte do Governo será em torno de R$ 200 milhões.

O Programa prevê obras para tratar os principais gargalos do viário metropolitano, além de estudos e obras para implantar os corredores preferenciais para ônibus à direita (BRS – Bus Rapid Service), que darão prioridade ao transporte coletivo na circulação urbana.

O corredor BRS na Grande Vitória consumirá R$ 50 milhões do total do programa.

Os recursos do BNDES deverão ser repassados em agosto.

BRS x BRT

O corredor BRS, ligando Vitória a Vila Velha, entra no lugar do anterior projeto de um BRT (Bus Rapid Transit) para a Grande Vitória. O BRT tem como caraterística essencial a segregação da pista onde circula o ônibus, colocada à esquerda da via, junto ao canteiro central. O governo do Espírito Santo alega que a iniciativa não prosperou por falta de recursos.

Os corredores exclusivos BRT já foram prometidos por pelo menos dois governadores do Espírito Santo. Anunciado há mais de 10 anos, em dezembro de 2007, o BRT teve diversas datas de lançamento divulgadas, e jamais cumpridas.

Em novembro de 2016 a Assembleia Legislativa do Espírito Santo aprovou o Projeto de Lei do Executivo alterando o Programa de Investimentos em Mobilidade Urbana da Região Metropolitana da Grande Vitória. Criado em 2010, o objetivo era implantar o sistema Bus Rapid Transit (BRT). O governo propôs usar o recurso do projeto (R$ 530,4 milhões) para a implantação de faixas preferenciais para ônibus (BRS).

O sistema BRS, apesar da modernosa sigla em inglês, foi criado originalmente no Rio de Janeiro em 2011. Os corredores desse sistema exigem apenas a separação da pista, com faixas exclusivas pintadas, que podem ser compartilhadas por veículos de passeio em determinados horários, nos momentos de menor movimentação. São similares às chamadas “faixas exclusivas” comuns em São Paulo e outras capitais, onde se permitiu de uns tempos para cá o uso de táxis com passageiros e até mesmo de veículos de transporte escolar.

O corredor BRS na Grande Vitória vai funcionar nas avenidas Fernando Ferrari, Reta da Penha, Desembargador Santos Neves, César Hilal, Vitória, além de passar pelo Centro da Capital, pela Segunda Ponte e atravessar a Avenida Carlos Lindenberg, em Vila Velha.

A subsecretária de Mobilidade Urbana, Luciene Becacici, informou ao jornal A Gazeta, de Vitória, que a faixa preferencial inclui a integração do Transcol com os ônibus municipais de Vitória e Vila Velha, permitindo assim um sistema de bilhete único e eletrônico aos passageiros.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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