ANTP participa de audiência pública em Campo Grande/MS sobre soluções para os problemas do transporte público

Foto: Divulgação

Associação foi representada por seu superintendente, Luiz Carlos Mantovani Néspoli

ALEXANDRE PELEGI

A ANTP – Associação Nacional dos Transportes Públicos foi convidada pela Câmara Municipal de Campo Grande/MS, para participar nesta quinta-feira, dia 12 de julho de 2018, de Audiência Pública sobre o tema “soluções para os problemas do transporte público de Campo Grande”, maior cidade e capital do Mato Grosso do Sul.

O evento, proposto pelo vereador André Salineiro (PSDB), presidente da Comissão de Legislação Participativa, tinha como objetivo reunir usuários do transporte coletivo, autoridades e representantes do Consórcio Guaicurus, para discutir alternativas aos impasses na manutenção dos ônibus e terminais.

O superintendente da ANTP, Luiz Carlos Mantovani Néspoli (foto), esteve presente à sessão, conduzida pelo vereador Salineiro.

O ato contou ainda com a presença do Diretor-Presidente da Agência Municipal de Transporte e Trânsito-AGETRAN, Janine de Lima Bruno e do Diretor Presidente da Agência Municipal de Regulação dos Serviços Públicos de Campo Grande – AGEREG, Vinícius Leite Campos e de João Resende, do Consórcio Guaicurus.

Durante a audiência, a plateia, que reuniu representantes de diversas organizações, pode se manifestar sobre os problemas do transporte público da cidade.

O superintendente da ANTP, em sua manifestação, ressaltou que o transporte público, para oferecer os padrões de regularidade e confiabilidade de intervalos e tempos de viagem, precisa de infraestrutura adequada de prioridade na via, somada a outras medidas que favoreçam o desempenho dos serviços, cuja responsabilidade, ele lembrou, é da prefeitura municipal.

“A autoridade municipal precisa enfrentar os obstáculos que impedem a segregação de espaço viário para os ônibus na via pública”, relatou Néspoli, para quem a “produção” do serviço de transporte “é responsabilidade mútua entre o operador privado e o poder público, cabendo a cada um cumprir o seu papel para que o serviço seja prestado com qualidade para o usuário”.

Outro ponto citado pelo representante da ANTP foi relativo aos custos dos serviços prestados. Néspoli ressaltou que os custos “são decorrentes, em grande medida, da oferta de serviços –que inclui a extensão da rede e a frequência de serviço. Portanto, cabe a autoridade pública organizar o transporte buscando sua racionalização de maneira a produzir um padrão de qualidade a custos menores para a cidade, em especial para os passageiros que pagam a tarifa”, afirmou.

Lembrando que o acesso ao sistema de transporte é essencialmente feito a pé, Néspoli alertou para a importância de calçadas adequadas, de uma boa iluminação de rua e, muito importante, a acessibilidade para pessoas com mobilidade reduzida. “São pontos complementares e essenciais para reduzir a perda de passageiros no sistema de transporte”, alertou.

O superintendente da ANTP citou o caráter de essencialidade do sistema de transporte público, “que precisa estar disponível todos os dias, com horários, itinerários e pontos definidos, faça chuva ou faça sol, enquanto os outros modos de transporte alternativos são apenas complementares”. Por isso, ele completou, “o Transporte Coletivo tem que ser preservado, com busca permanente pela sua melhor qualificação”.

Por fim Néspoli citou a situação atual do sistema de transporte coletivo. “Num panorama nacional, ao longo dos últimos 30 anos, a oferta de serviços, medida pela quilometragem do sistema de transporte, tem aumentado, ao mesmo tempo em que o volume de passageiros no sistema de ônibus tem diminuído, resultando uma queda significativa do IPK, implicando em maiores custos para os usuários pagantes, principalmente nas cidades que não dão subsídios ao transporte”, ele citou.

O representante da ANTP alertou que essa situação se torna mais aguda diante do aumento das gratuidades. “Os usuários pagantes dos ônibus estão entre as classes de menor renda da população e não é justo que paguem por gratuidades indiferentes à renda das pessoas, como é o caso de estudantes e dos idosos da classe média e alta”, ponderou.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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